O que é importante, neste ponto, é que assumamos a adequada
atitude mental diante da Missa, e nos lembremos deste importante fato, que o
Sacrifício da Cruz não é algo que aconteceu há dezenove séculos. Ele ainda está
acontecendo. Não é algo que aconteceu no passado como a assinatura da
Declaração de Independência; é um Drama permanente no qual a cortina ainda não
foi abaixada. Não deixemos que se pense que tudo já aconteceu há muito tempo,
e, dessa forma, não diz mais nada a nós a não ser como algo no passado. O
Calvário pertence a todos os tempos e a todos os lugares.
É por isso que, quando Nosso Senhor subiu às alturas do
Calvário, foi oportunamente despojado de Suas vestes: Ele salvaria o mundo sem
os ornamentos de um mundo passageiro. Suas vestes pertenciam ao tempo, porque
elas O localizavam, e O fixavam como um habitante da Galileia. Agora que Ele
foi despojado delas e completamente despojado de coisas terrestres, Ele não
mais pertence à Galileia, nem a uma província romana, mas ao mundo. Ele se tornou
o Pobre universal do mundo inteiro, pertencendo não a um povo, mas a todos os
homens.
Para expressar melhor a universalidade da Redenção, a Cruz
foi levantada na encruzilhada da Civilização, num ponto central entre as três
grandes culturas de Jerusalém, Roma e Atenas, em nome das quais Ele foi
crucificado. A Cruz foi, dessa forma, afixada como um Sinal diante dos olhos
dos homens, para arrebatar o indolente, cativar o insensato e seduzir o
mundano. Foi o único fato ineludível, ao qual as culturas e as civilizações do
Seu tempo não puderam resistir. É também o único fato ineludível do nosso
tempo, ao qual não podemos resistir.
As personagens na Cruz são símbolos de todos os que
crucificam. Nós estávamos lá em nossos representantes. O que nós fazemos agora
para o Cristo místico, eles fizeram em nossos nomes para o Cristo histórico. Se
nós temos inveja dos bons, nós estávamos lá nos escribas e nos fariseus. Se
temos medo de perder alguma vantagem temporal ao abraçarmos o Divino Amor e a
Verdade, estivemos lá em Pilatos. Se confiamos nas forças materiais e buscamos
conquistar por meio do mundo ao invés do espírito, estivemos lá em Herodes.
E a história continua nos pecados comuns do mundo. Todos
eles nos tornam cegos para o fato de que Ele é Deus. Existe, então, um tipo de
certeza inevitável sobre a Crucifixão: os homens que são livres para pecar são
também livres para crucificar.
Enquanto houver pecado no mundo a Crucifixão é uma
realidade. [...] Toda alma é um Calvário e todo pecado é um madeiro.
Venerável Fulton J. Sheen
Colaborador: Robert - Duto Engenharia

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