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sábado, 10 de janeiro de 2015

Festa do Batismo do Senhor - Cardeal Orani João Tempesta

A Festa do Batismo do Senhor, celebrada no domingo depois da Epifania, encerra o ciclo natalino e completa as Festas das Manifestações do Senhor. Comemoramos o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito tal como se submetera às demais observâncias legais, que também não O obrigavam.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19). 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Valor da família - Dom Paulo Mendes Peixoto

A família é dom de Deus, tem valor inestimável e é espaço privilegiado para o desenvolvimento das virtudes da vida humana. Para os novos tempos, os desafios que a envolvem são muito grandes. Foi por isso que o papa Francisco, preocupado com a família, convocou um Sínodo Extraordinário para tratar de temas pertinentes que envolvem a vida familiar.

As mudanças rápidas dos últimos tempos têm afetado positiva e negativamente a família. Não podemos negar que as novas tecnologias vieram facilitar muito a vida das pessoas. Os meios de comunicação encurtaram distâncias e a mobilidade acontece com muito mais rapidez, mesmo com os imbróglios do intenso trânsito nas cidades. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Natal, delicadeza de Deus - Dom Walmor Oliveira

O Natal se aproxima e, enquanto se vive, de diversos modos, o clima festivo dessa época do ano, é oportuno deixar ecoar nos corações o apelo convocatório de Santo Agostinho, lá no século quinto, em um de seus sermões: “Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem. Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá (Ef 5,14). Por tua causa, repito, Deus se fez homem. Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado, se ele não tivesse assumido uma carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se ele não te socorresse. Estarias perdido, se ele não viesse salvar-te. Celebremos com alegria a vinda da nossa salvação e redenção. Celebremos este dia de festa, em que o grande e eterno Dia, gerado pelo Dia grande e eterno, veio a este nosso dia temporal e tão breve.” Esse apelo essencial é vivamente oportuno no coração deste tempo. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Coroa do Advento - Cardeal Orani João Tempesta

Já estamos na metade do tempo do Advento, quando toda a Igreja vive a sua grande esperança. O Deus da revelação de Jesus tem um nome: “Deus da esperança” (Rm 15,13). Não é o único nome do Deus vivo, mas é um nome que O identifica como “Deus para nós e conosco”. O Pai que entrega ao mundo Jesus, seu Filho, doa ao mesmo tempo a esperança ao mundo. Sem Cristo, os homens ficam sem esperança (Ef 2,12), porque ele é a nossa esperança (1 Tm 1,1), tão íntima que está dentro de nós: “Cristo em nós, esperança e glória” (Cl 1, 26-27). De fato, ele é o sustento e o fundamento da esperança na vida eterna (Tt 1,20). Para nós, que viveremos o Ano da Esperança de acordo com o nosso planejamento pastoral, esta época deve ser vivida ainda mais intensamente. A novena de Natal deste ano é orientada nessa direção. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Natal: uma Igreja em saída - Dom Emanuel Messias

O Natal está chegando! Luzes, enfeites, propagandas, lojas cheias de novidades, crianças com olhos brilhantes esperando seus presentes, crianças com olhos tristes porque não sabem se haverá algo para comer amanhã! Para muitos Natal é só mais uma festa de família e presentes.

Afinal, Natal é presente ou presença? O comércio inverte tudo e investe tudo. O importante é vender! Mas para quem vive a fé na encarnação da Palavra eterna que saiu do Pai – Jesus – a visão é outra. O importante é a presença. Que presença? A presença de Jesus no meio de nós. O presente é o símbolo da presença. 

domingo, 2 de novembro de 2014

"Morro porque não morro" - Santa Teresinha

“Vivo sem viver em mim, e tão alta vida espero, que morro porque não morro” (Santa Teresinha).

Ao longo desta semana, sobretudo no dia dois de novembro, certamente muitos de nós iremos aos cemitérios prestar homenagem aos nossos entes queridos falecidos. Trata-se, pois, de um gesto profundamente humano e por demais cristão.

Mas, vamos aos cemitérios com que sentimento? Com que pensamento? Com que fé? Com que teologia? Com que esperança? E o que levaremos em nossas bagagens espirituais? 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Matar a morte (Dom José Alberto)

Ninguém tem poder para viver eternamente na terra. O desejo de eternidade acontece normalmente. Há quem afirma querer morrer. Mas, em geral, o que deseja é não ter que enfrentar muitos problemas, inclusive o sofrimento, a doença, as decepções, as dívidas... Promessas de vida após a morte física existem. As religiões em geral falam dessa possibilidade. A certeza da mesma é dada pela fé religiosa e por muitos líderes. Há a pergunta: é possível acreditar em fundadores de religiões que prometem isso? Quem pode dar base objetiva de certeza desse futuro imorredouro? 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

São Simão e São Judas Tadeu

Celebramos na alegria da fé os apóstolos São Simão e São Judas Tadeu. Os apóstolos foram colunas e fundamento da verdade do Reino. Em geral temos poucas notícias da maioria dos apóstolos. Sabemos, no entanto, que foram animados missionários e evangelizaram com a palavra e com o testemunho, até mesmo com a vida no martírio. Ao celebrarmos esses dois apóstolos do Senhor, no final do mês das Missões, somos chamados também nós a sermos animados missionários em nossos tempos e com alegria proclamar a vida e a salvação em Jesus Cristo Nosso Senhor, mesmo com as dificuldades hodiernas. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Dom Vincenzo Paglia: "Sínodo, evento de liberdade a serviço do mundo"

O Sínodo Extraordinário sobre a Família concluiu-se ontem, domingo, após duas semanas de intensos trabalhos. A partir de agora, a palavra volta às Igrejas locais na espera da próxima Assembleia de 2015. A este respeito, a Rádio Vaticano ouviu o Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia:

Dom Paglia: “Foi, a meu ver, uma etapa importante, diria até, muito importante, pois se coloca, de fato, na perspectiva do Pontificado do Papa Francisco, que é a de obedecer ao sopro do Espírito. O debate foi muito vivo, importante, profundo, livre e não existe dúvida de que o texto final aprovado pegue pela mão todos nós bispos, também com os equilíbrios oscilantes dos votos. Certamente, porém, é uma porta aberta, que direciona o trabalho de todas as Igrejas locais em procurar responder, por um lado, à alta vocação da família e, por outro, para ajudar todas aquelas famílias que têm necessidade de apoio, para caminhar em direção a uma vida boa, uma vida bela, que é, no final das contas, aquela que deve ter a família”. 

sábado, 18 de outubro de 2014

Os direitos de Deus - Dom Alberto Taveira

O Senhor Jesus se encontrou com os grupos mais diversos de pessoas, dos mais simples e machucados da sociedade até as altas autoridades que circulavam durante sua vida pública, pelos caminhos da Judeia e da Galileia. Muitos acorriam a ele com suas misérias e inquietações, buscando a força da mensagem libertadora do Evangelho e a cura das enfermidades. Tantos emergiam do meio da multidão para se fazerem seus discípulos. Outras pessoas observavam de longe os acontecimentos. Alguns grupos se aproximavam com questionamentos, alguns deles formulados como verdadeiras armadilhas, a fim de envolvê-lo em contradição. A sabedoria do Senhor lhes devolvia muitas das perguntas, remetendo sempre ao confronto vital com a verdade. 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Preparação para o Matrimônio e vida conjugal

A preparação para o matrimônio, para a vida conjugal e familiar, é de importância relevante para o bem da Igreja. De fato, o Sacramento do Matrimônio tem um grande valor para toda a comunidade cristã e, em primeiro lugar, para os esposos, cuja decisão é tão grande que não poderia ser sujeita à improvisação ou a escolhas apressadas. Em outras épocas, tal preparação podia contar com o apoio da sociedade, a qual reconhecia os valores e os benefícios do matrimônio. A Igreja, sem obstáculos ou dúvidas, tutelava a sua santidade, sabedora do fato de que o Sacramento do Matrimônio representava uma garantia eclesial, qual célula vital do Povo de Deus. O apoio eclesial era, pelo menos nas comunidades realmente evangelizadas, firme, unitário, compacto. 

domingo, 28 de setembro de 2014

A porta do reino - Dom Alberto Taveira

Em todas as celebrações eucarísticas ouvimos a proclamação da Igreja, que ressoa a Escritura: "Felizes os convidados para a Ceia do Senhor" (Cf. Ap19, 9). E é grande a alegria por saber que o chamado de Deus quer incluir a todos. Na oração do Rosário, o terceiro mistério luminoso nos faz contemplar justamente o chamado à conversão, que ocorre com o anúncio do Reino de Deus. É que da parte do Senhor existe a clara vontade de salvar a todos, envolvendo as diversas gerações e situações humanas. Ao se tratar de uma grande consolação, resulta igualmente provocante a responsabilidade entregue à liberdade humana, pois Deus não impõe, mas convoca e convida. Conversando com um jovem em recuperação na "Fazenda da Esperança", Comunidade Terapêutica presente em tantas partes de nosso país e do mundo, ouvi uma afirmação surpreendente. Dizia ele que seu drama maior era uma porteira aberta, por saber que, se quisesse, poderia ir embora. Sabia que o maior presente dado por Deus era entrar pelos umbrais da liberdade que o conduziam, pela estrada do Evangelho, a uma vida nova! 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Bíblia; Palavra Santa que ensina a viver - Dom Messias dos Reis

O mês de setembro é dedicado à Sagrada Escritura. No dia 30 de setembro a Igreja celebra a memória de São Jerônimo, um homem apaixonado pela Palavra de Deus. Ele foi um grande exegeta, ou seja, um estudioso e pesquisador da Bíblia.

A Bíblia é o santo livro que nos ensina os procedimentos para uma boa romaria rumo à plenitude da vida. No percurso existencial há dias e noites, luzes e trevas, sol e chuva, nascimentos e mortes, amores e ódios, dores e alívios, conflitos e paz, aberturas e fechamentos, alegrias e tristezas... No caminho humano há uma palavra especial que é luz e contribui para que as experiências negativas ou de amarguras não se cristalizem. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A tentação da religião fácil - Cardeal Odilo Pedro Scherer

Não está fácil ser cristão, em várias partes do mundo! Muitos estão sendo cerceados em sua liberdade de consciência, perseguidos e martirizados, apenas por serem discípulos de Jesus Cristo. São muito atuais as palavras de advertência de Jesus, ao encorajar os discípulos, falando-lhes do que os esperava: “sereis perseguidos e odiados por minha causa” (cf Lc 21, 12-19). Jesus não prometeu vida fácil a seus seguidores!

A cena de Jesus com seus discípulos no caminho para Jerusalém, retratada no Evangelho de São Mateus (cf Mt 16,21-27), é muito ilustrativa. Jesus lhes fala da própria rejeição pelas autoridades do templo de Salomão, em Jerusalém, de seus sofrimentos, morte na cruz e ressurreição ao terceiro dia. Pedro, cheio de vontade de “defender” o Mestre, quer convencê-lo a desistir do caminho para Jerusalém: “Deus te livre, isso não te acontecerá!” 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A força poderosa do perdão - Dom Anuar Battisti

Recordo aqui uma Palavra de Jesus, como caminho necessário para celebrar a festa do banquete. “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta” (Mt 5,23-26).

Estar de bem com os irmãos, viver em paz é condição para ser feliz e viver livre e liberto das consequências maléficas dos rancores e ressentimentos guardados no coração. O grande humanista Gandhi disse: “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte.” Em qualquer situação de conflito, a tendência é sempre buscar um culpado. Neste caminho teremos sempre vítimas e não pessoas a serem amadas e acolhidas, principalmente os inimigos. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Quem é Jesus? - Dom Eurico dos Santos Veloso

Jesus é o Messias, aquele que se pôs a serviço do Pai para comunicar a vida. Seu projeto é realizar o desejo do Pai, que é fazer-nos conquistar a salvação. Os que assumem com Ele esse projeto recebem o poder de ligar-desligar, isto é, de provocar um julgamento em torno do que favorece ou impede a vida. Esse poder delegado, em aberto conflito com as forças da morte, se traduz em serviço para o bem comum. 

Simão Pedro atreve-se a colocar um nome em Jesus, a dizer-lhe quem Ele é, a defini-lo: “Tu és o Messias, o filho de Deus vivo!” 

domingo, 3 de agosto de 2014

Vocação - Dom Jaime Spengler

Escreveu o Papa Francisco: “A vocação é fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor de uns aos outros, que se faz serviço recíproco, no contexto de uma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si”.

Todos nós desejamos uma vida bem vivida. Almejamos uma vida com sentido. Nossas buscas, projetos e sonhos se sustentam a partir de um horizonte de vida sólido. A pergunta, talvez, sempre necessária, é: o que significa uma vida, uma existência com sentido? A partir de onde se encontra sentido para a própria vida? Aqui certamente se expressa o nobre, digno e necessário serviço junto, especialmente, a nossos adolescentes de orientar, dialogar e auxiliar; afinal, perceber qual o caminho de vida que vem ao encontro das tendências, dotes e mesmo necessidades pessoais, nem sempre é tarefa fácil. 

Ser padre vocação para servir - Dom Pedro Carlos

Todas as vocações são dadas por Deus e são sublimes. A grande e primeira vocação do ser humano é a filiação divina: tornar-se em Jesus Cristo filhos de Deus. Jesus ensinou a chamar Deus de Pai nosso. Esta vida de amor filial a Deus, portanto, tem como consequência o amor fraternal aos irmãos. Esta é nossa vocação primeira: união com Deus no amor. “O Unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que feito homem, dos homens fizesse deuses” (S. Tomás de Aquino, in Op. 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4).

sábado, 2 de agosto de 2014

Dom José: Agosto um mês dedicado às vocações

“Narra o Evangelho que ‘Jesus percorria as cidades e as aldeias (…). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor.’  Disse, então, aos seus discípulos: ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe’ (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que ‘a messe é grande’. Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de ‘muito fruto’, deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes ‘colaboradores de Deus’, trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: ‘Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo’ (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.” (Mensagem do Santo Padre Francisco para o 51º dia mundial de oração pelas vocações – 11 de maio de 2014 – IV Domingo de Páscoa, 1) 

sábado, 5 de julho de 2014

Os Pequeninos - Dom José Alberto Moura

A estatura da personalidade nos remonta ao ser pequeno ou agir como criança na sinceridade, na vida simples, na sabedoria sem ostentação e na humildade ou reconhecimento da verdade de si e dos outros.

Jesus se tornou pequenino ao baixar-se de sua divindade à nossa pequenez humana, tornando-se sem nada do que é material e sujeitando-se à leis humanas. Ele afirma sua verdade de Deus, que faz confundir os sábios e dar sua graça aos humildes: “Escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mateus 11, 25).