Sacramento do Matrimônio (Catequeses sobre os Sacramentos)
No sacramento do Matrimónio há um desígnio deveras
maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição
humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois
esposos... O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do
vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família
reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora
pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. É verdade que na vida
matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro
não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E
muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si.
Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimónio, e às vezes até voam pratos!
Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E
o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso
que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que
discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário
chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente
um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! Esta é a
vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de
querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! A vida matrimonial é
realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. Outras vezes
eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial.
Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que
devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três
palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com
licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao
cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza
da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de
pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. Com
estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando
a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimónio irá em frente. As
três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos
abençoe e orai por mim!
Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os Sacramentos,
falando sobre o Matrimónio. Este Sacramento leva-nos ao cerne do desígnio de
Deus, que é um plano de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de
comunhão. No início do livro do Génesis, o primeiro livro da Bíblia, coroando a
narração sobre a criação, afirma-se: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o
à imagem de Deus, criou o homem e a mulher... Por isso, o homem deixa o seu pai
e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne” (Gn 1,27;
2,24). A imagem de Deus é o casal no matrimónio: o homem e a mulher; não só o
homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o
amor, a aliança de Deus conosco está representada na aliança entre o homem e a
mulher. Isto é muito bonito! Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do
seu amor. Na união conjugal o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal
da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.
Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio,
Deus, por assim dizer, “espelha-se” neles, imprime neles os seus lineamentos e
o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por
nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e
Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É
precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimónio: dos dois esposos Deus
faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz “uma só carne”,
tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio! Eis precisamente o
mistério do matrimónio: o amor de Deus reflete-se no casal que decide viver
junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver
com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam - reza a
Bíblia - uma só carne.
Na Carta aos Efésios, São Paulo frisa que nos esposos
cristãos se reflete um mistério grandioso: a relação instaurada por Cristo com
a Igreja, uma relação nupcial (cf. Ef 5,21-33). A Igreja é a esposa de Cristo.
Esta é a relação. Isto significa que o Matrimónio corresponde a uma vocação
específica e deve ser considerado uma consagração (cf. Gaudium et spes, 48;
Familiaris consortio, 56). É uma consagração: o homem e a mulher são
consagrados no seu amor. Com efeito, em virtude do Sacramento, os esposos são
revestidos de uma autêntica missão, para que possam tornar visível, a partir
das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja,
continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço.
No sacramento do Matrimónio há um desígnio deveras
maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição
humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois
esposos... O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do
vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família
reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora
pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. É verdade que na vida
matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro
não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E
muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si.
Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimónio, e às vezes até voam pratos!
Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E
o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso
que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que
discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário
chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente
um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! Esta é a
vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de
querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! A vida matrimonial é
realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. Outras vezes
eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial.
Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que
devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três
palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com
licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao
cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza
da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de
pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. Com
estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando
a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimónio irá em frente. As
três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos
abençoe e orai por mim!
Papa Francisco / Audiência Geral
Praça de São Pedro
Fonte: Libreria Editrice
Vaticana
Quarta-feira, 2 de Abril de
2014
w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2014/documents/papa-francesco_20140402_udienza-generale.html

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