quarta-feira, 30 de abril de 2014

Não recear a alegria - Papa Francisco

Não recear a alegria - Papa Francisco

Há muitos cristãos que têm “medo da alegria”. O Papa Francisco definiu-os cristãos “morcegos”, com um pouco de humorismo, os quais caminham com “cara de funeral”, movendo-se na sombra em vez de se orientar “para a luz da presença do Senhor”.

O fio condutor da meditação proposta pelo Pontífice durante a missa celebrada na quinta-feira, 24 de Abril na capela da Casa de Santa Marta foi precisamente o contraste entre os sentimentos que os apóstolos experimentaram depois da ressurreição do Senhor: por um lado a alegria por considerá-lo ressuscitado e por outro o medo de o ver de novo no meio deles, a entrar em contato real com o mistério. 

De facto, inspirando-se no trecho evangélico de Lucas (24,35-48) proposto pela liturgia, o Papa recordou que “na noite da ressurreição os discípulos narravam o que tinham visto”: os dois discípulos de Emaús falavam sobre o encontro com Jesus ao longo da estrada e assim também Pedro. Enfim, “todos estavam contentes porque o Senhor tinha ressuscitado: tinham a certeza de que o Senhor ressuscitou”. Mas exatamente “enquanto falavam”, narra o Evangelho, “Jesus esteve no meio deles pessoalmente”, e saudou-os dizendo: “A paz esteja convosco”.

Naquele momento, frisou o Pontífice, aconteceu o contrário do que se podia esperar: mas qual paz. Com efeito, o Evangelho descreve os apóstolos “assustados e cheios de medo”. Eles “não sabiam o que fazer e pensavam que estavam a ver um fantasma”. Assim, prosseguiu o Papa, “todo o problema de Jesus é dizer-lhes: mas, olhai, não sou um fantasma, tocai-me, olhai para as chagas!”. Enfim, os discípulos “preferiram pensar que Jesus fosse uma ideia, um fantasma, mas não a realidade”. O trecho evangélico sugere, explicou o Pontífice, que “o medo da alegria é uma doença do cristão”. Também nós “temos medo da alegria” e dizemos a nós mesmos que “é melhor pensar: sim, Deus existe, mas está lá, Jesus ressuscitou, está lá!”, como para dizer: mantenhamos “um pouco de distância”. “Temos medo da proximidade de Jesus porque isto nos dá alegria”.

“Temos medo da alegria - prosseguiu o Pontífice - e Jesus, com a sua ressurreição, dá-nos alegria: a alegria de ser cristão, a alegria de o seguir de perto, a alegria de ir pelos caminhos das bem-aventuranças, a alegria de estar com Ele!”. Ao contrário, “muitas vezes, ficamos assustados quando nos chega esta alegria, cheios de medo; ou pensamos que vemos um fantasma ou que Jesus é um modo de agir”.

Por isso, afirmou o Pontífice, é preciso vencer “o medo da alegria” e pensar nas muitas vezes “em que não somos alegres porque temos medo”.

O Papa Francisco concluiu a sua meditação invocando o Senhor a fim de que “faça com todos nós o que fez com os discípulos que tinham medo da alegria: abra a nossa mente”. De facto, lê-se no Evangelho: “Então abriu-lhes a mente para que compreendessem as Escrituras”. E rezou para “que o Senhor abra a nossa mente e nos faça entender que ele é uma realidade viva, que tem um corpo, que está conosco e nos acompanha, que venceu: peçamos ao Senhor a graça de não ter medo da alegria”.

Fonte: Libreria Editrice Vaticana
Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 17 de 26 de Abril de 2014

w2.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2014/documents/papa-francesco_20140426_meditazioni-50.html

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