Primeira
Leitura: Is 42,1-4.6-7 Eis o meu servo: nele se compraz minh'alma
Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se
compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das
nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não
quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento
para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não
estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos.
Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão;
eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para
abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere
os que vivem nas trevas”.
- Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: O Servo de Deus, nesse texto
de Isaías, é uma personificação de Israel, cuja missão era levar para as nações
a justiça e o direito. Isso significa que o povo de Israel estava destinado a
exteriorizar a justiça e o direito entesourados nas Sagradas Escrituras e fazer
deles um patrimônio das demais nações da terra. Essa missão deveria ser
realizada sem a utilização do poder tirânico, comum aos grandes impérios
mundiais; a influência de Israel sobre as nações deveria libertá-las da
cegueira espiritual e das trevas da idolatria.
O
Espírito de Deus, agindo no Servo (Israel), possibilitaria a efetivação dessa
missão – ou seja, a transmissão das Sagradas Escrituras, até que estas fossem
postas em prática por todas as nações. As Sagradas Escrituras seriam o caminho
para que os povos chegassem até Deus. A releitura cristã desse texto bíblico
viu em Jesus o pleno cumprimento da vocação de Israel. (Aíla
Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus)
Salmo:
28 (29) Que
o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/
tributai-lhe glória e poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com
santo ornamento!
Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua
voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do
Senhor majestosa!
Sua voz no trovão reboando!/ No seu
templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor
reinará para sempre!
Segunda
Leitura: At 10,34-38 Foi ungido por Deus com o Espírito Santo
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato,
estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo
contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a
nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a
Boa Nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.
Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela
Galiléia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido
por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo
o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus
estava com ele”.
- Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: Pedro começou seu discurso na
casa de Cornélio (primeiro gentio convertido à fé cristã) reconhecendo as
intervenções divinas que o levaram a entender claramente como a salvação foi
destinada a todos os povos. Pedro deu-se conta de que Deus não faz distinção de
pessoas. Esse foi um grande passo na compreensão humana da revelação divina.
Que Deus ama todas as pessoas e deseja ser adorado por todas as gentes já
estava claro para os seguidores de Jesus. Mas até aquele momento se pensava
que, se um gentio quisesse seguir Jesus, deveria primeiramente converter-se ao
judaísmo para depois ter acesso à salvação.
O discurso na casa de Cornélio mostra que Pedro chegou à conclusão de
que a mensagem e obra de Jesus estão destinadas a todos sem exceção. Digna de
destaque é a afirmação de que Deus ungiu Jesus “com o Espírito Santo e com
poder”: isso significa a chegada do reino de fraternidade e paz a todos os
povos. Os milagres e exorcismos realizados sob a unção do Espírito do Cristo
ressuscitado são sinais que atestam a instauração desse reino na história. (Aíla Luzia
Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus)
Evangelho:
Mt 3,13-17 Depois de ser batizado, Jesus viu o Espírito de Deus pousando
sobre Ele
Naquele tempo, Jesus veio da Galiléia para o rio
Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. Mas João
protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Jesus,
porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir
toda a justiça!” E João concordou.
Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água.
Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e
vindo pousar sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho
amado, no qual eu pus o meu agrado”. -
Palavra da Salvação.
Comentário: Quando Jesus se apresentou
para ser batizado, João não só recusou-se a atendê-lo, como tentou dissuadi-lo,
por reconhecer nele o Messias esperado. Daí sua exclamação: “Sou eu que devo
ser batizado por ti, e tu vens a mim?”.
João
era procurado por toda sorte de pecadores, em busca do batismo purificador, de
modo a se prepararem para a chegada do Messias. Arrependidos, e esperançosos de
serem acolhidos por ele, uma verdadeira multidão ia até o Batista, de todas as
partes. Este impunha-lhes duras exigências de conversão. Por isso, ficou
confuso ao se deparar com Jesus, para quem seu batismo não teria nenhuma
utilidade.
O
batismo do Messias teve a finalidade de mostrar publicamente sua solidariedade
com a humanidade pecadora que viera salvar. Desde o início do seu ministério,
Jesus, na qualidade de Filho dileto de Deus, colocou-se junto do povo,
destinatário privilegiado de seu envio por parte do Pai. Sua presença no mundo
justificava-se pela preocupação divina de reconduzir toda a humanidade à
comunhão com Deus. Logo, quanto mais afastado de Deus estivesse o pecador,
tanto mais Jesus estaria interessado por ele.
Daí
ter recordado a João ser necessário “cumprir toda a justiça”. Esta expressão
referia-se ao desígnio salvador de Deus para toda a humanidade. Desígnio do
qual tanto Jesus quanto João Batista eram mediação. Naquele momento, competia a
João revelar o rosto solidário do Messias Jesus. - (Padre Jaldemir Vitório)
LITURGIA
DIÁRIA COMENTADA 12/01/2014
Batismo do Senhor – Festa
CATÓLICOS COM JESUS: Feliz 2014

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