“Narra o Evangelho que ‘Jesus percorria as cidades e as
aldeias (…). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois
estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor.’ Disse, então, aos seus discípulos: ‘A messe é
grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe
para que envie trabalhadores para a sua messe’ (Mt 9, 35-38). Estas palavras
causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar,
semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe
grande. Jesus, ao invés, afirma que ‘a messe é grande’. Quem trabalhou para que
houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de
que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de ‘muito
fruto’, deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a
oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número
daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes
‘colaboradores de Deus’, trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da
Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade
salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem
de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: ‘Vós sois o seu
[de Deus] terreno de cultivo’ (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso
coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode
conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a
adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir
com Ele e por Ele.” (Mensagem do Santo Padre Francisco para o 51º dia mundial
de oração pelas vocações – 11 de maio de 2014 – IV Domingo de Páscoa, 1)
No mês de agosto toda a Igreja se volta para esta realidade
do chamado de Deus na vida humana, a vocação divina – o chamado divino na vida
de cada pessoa. Assim, neste mês se recorda, semana após semana, um chamado
especial que marca a vida: o chamado cristão para a vida divina toma formas
diversas no estado de vida de cada um. Alguns são especialmente chamados pelo
Senhor para o serviço pastoral em sua Igreja: no dia 4 de agosto comemora-se o DIA DO PADRE.
São cristãos chamados pelo Senhor a participar de seu pessoal pastoreio no meio
do Seu Povo. No segundo domingo de agosto celebra-se o DIA DOS PAIS, participação
maravilhosa da pessoa humana no Amor e Poder Criador de Deus que gera seus
filhos e filhas, faz existir a comunhão na família. Com a celebração litúrgica
da Assunção de Maria ao céu, a Igreja é levada a ver em Nossa Senhora a Virgem
consagrada totalmente a Deus e a sinalização do destino último da humanidade na
glória, humanidade plenamente realizada além do que é transitório neste mundo.
Celebra-se no domingo próximo a esta solenidade O DIA DOS CONSAGRADOS NA VIDA RELIGIOSA.
Vocações muito diversificadas de total consagração da vida a Deus para o amor
indiviso e incondicional a Deus ao serviço dos irmãos. No final do mês de
agosto, na última semana ressalta-se a vocação dos cristãos dedicados à
evangelização na vida leiga, na catequese eclesial, no testemunho no mundo.
Todos os discípulos e discípulas de Cristo são aqui lembrados em sua vocação de
evangelizadores – DIA DOS CATEQUISTAS.
Ainda o Papa Francisco: “Também hoje Jesus vive e caminha
nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar
pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora
àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que
ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos
a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas
palavras que ‘são espírito e são vida’ (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa,
repete também a nós: ‘Fazei o que Ele vos disser!’ (Jo 2, 5). Far-vos-á bem
participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e
ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no
terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no
contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive
para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo
fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que ‘por isto
é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’
(Jo 13, 35)?” (Mensagem do Santo Padre
Francisco para o 51º dia mundial de oração pelas vocações – 11 de maio de 2014
– IV Domingo de Páscoa, 3)
Teremos oportunidade em nossa Igreja Diocesana de encerrar o
mês todo dedicado às vocações, com duas celebrações muito significativas (na
Catedral Metropolitana às 18h30min): Ordenações Diaconais no dia 25 de agosto –
irmãos são consagrados ao Senhor para serem servidores no anúncio do Evangelho,
na comunicação da graça divina, na administração da caridade aos irmãos. Serão
auxiliares dos pastores (padres e bispos) no grande trabalho da evangelização
para que não falte aos que necessitam a ajuda da força de Deus. Ordenação
Episcopal no dia 28 de agosto – com a graça do Espírito Santo, um irmão dentre
nós foi escolhido pelo Santo Padre o Papa Francisco para ser bispo em uma
Igreja Irmã na Amazônia, em Tefé: Pe. Fernando Barbosa dos Santos, sacerdote
religioso lazarista, até então pároco de Nossa Senhora dos Remédios no Bairro
Benfica em Fortaleza. Irá ele como missionário junto às comunidades que lá
estão. Este serviço pastoral nos envolve também na vocação de levar o Evangelho
a toda criatura, na continuação da missão dada por Jesus a seus apóstolos.
Tudo isto, todo um mês dedicado às vocações, será para nós
motivo de renovação do sentido que move nossa própria vida com a esperança
cristã da realização do Reino de Deus. Somos todos chamados. A cada um Deus dá
sua parte na missão. Todos somos construtores, sob a ação do Espírito Santo, do
amoroso projeto de Deus para a humanidade. Trabalhadores na grande messe do
Senhor.
+ José Antonio Aparecido
Tosi Marques
Arcebispo
Metropolitano de Fortaleza
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza
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