Ester revestiu-se
com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real,
frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do
trono, frente à entrada. Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para
ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester
aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
Então, o rei lhe
disse: “O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses
a metade do meu reino, ela te seria concedida”. Ester respondeu-lhe: “Se ganhei
as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida - eis o
meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!” - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: Temos neste trecho o desfecho
de um episódio que por pouco não se transformou em massacre do povo eleito,
exilado e cativo na Pérsia. Ester substituía a rainha Vasti, destronada por ter
caído na desgraça do Rei Xerxes. Aman, primeiro ministro do rei, odiava os
judeus e conseguiu que ele consentisse o extermínio do povo de Deus.
Ester
sendo judia e sabendo da trama, intercede em favor de seu povo e alcança o
beneplácito do rei. Ester é figura de Maria enquanto intercede pela salvação do
povo.
Salmo:
44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16
(R. 11.12a)
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se
encante com vossa beleza!
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
“Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
O povo de Tiro vos traz seus presentes,
os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando,
vestida de ricos brocados de ouro.
Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e
as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande
alegria, ingressam, então, no palácio real”.
Segunda
Leitura: Livro do Apocalipse de São João 12,1.5.13a.15-16a
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol,
tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela
deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de
ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. Quando viu que
tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que
tinha dado à luz o menino. A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás
da mulher, a fim de a submergir. A terra, porém, veio em socorro da mulher. -
Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: A mulher adornada de todo seu
esplendor – o sol, a lua e as doze estrelas, imagens tradicionais – simbolizam
o povo de Deus: antes de tudo, o antigo Israel, do qual nasceu Jesus segundo a
carne; depois o novo Israel, a Igreja, Corpo de Cristo. Um e outro são vitimas
das perseguições do dragão, isto é, de satanás, aqui descrito como os símbolos
do domínio. O menino, dado à luz pela mulher, é evidentemente o messias, visto
tanto em sua realidade histórica como misticamente nos cristãos.
Evangelho
de Jesus Cristo segundo João 2,1-11
Naquele tempo, houve um casamento em Caná da
Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham
sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus
lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que
dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam
servindo: “Fazei o que ele vos disser”.
Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a
purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou
menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de
água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao
mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água que se tinha
transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo
sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse:
“Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão
embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!”
Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e
manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. - Palavra da Salvação.
Comentário (Vida Pastoral nº
250 ©Paulus 2006): Com o episódio das bodas de Caná, João quer afirmar que Jesus é o novo
e verdadeiro esposo da humanidade. De fato, o simbolismo do matrimônio foi
amplamente empregado no Antigo Testamento para conotar o relacionamento entre
Deus e seu povo (Os 2,16-25; Is 1,21-23; 49,14-26 etc.). O próprio João Batista
apresenta Jesus como o esposo (1,15.27.30; cf. 3,29). O texto, portanto, deve
ser entendido simbolicamente. Partindo de uma festa de casamento num povoado, o
evangelista monta um texto no qual Jesus é apresentado como esposo definitivo
da humanidade, o único capaz de trazer vinho novo e insuperável. O vinho é
símbolo do amor (cf. Ct 1,2) e sua abundância está associada à vinda do
Messias. Outro detalhe importante: seguindo a contagem dos dias mencionados em
1,19-51, o episódio de Caná acontece no “sexto dia” da primeira semana
simbólica do Evangelho de João. Esse detalhe é importante pois, de acordo com
Gn 1,26ss, a humanidade surgiu no sexto dia da criação. Em Caná, portanto, irá
nascer “a nova humanidade”, esposa de Jesus, “o novo e definitivo esposo” que traz
o vinho do amor insuperável. Todavia, a “hora” desse “vinho” ainda não chegou.
Chegará na cruz (19,30.34).
O
episódio está dividido em duas partes: vv. 1-5 e vv. 7-10. O v. 6, que descreve
as talhas vazias, funciona como eixo de todo o episódio e separa as duas
partes. Na primeira, temos uma introdução (vv. 1-2) e a intervenção da mãe de
Jesus, nomeada três vezes (vv. 1.3.5). Na segunda (vv. 7-10), a figura central
é o mestre-sala, também ele nomeado três vezes (vv. 8-9). Jesus e os serventes
são como que o fio condutor de todo o episódio. Aparecem tanto na primeira
parte quanto na segunda. O v. 11 é a interpretação do fato.
a) Vv. 1-5: A mãe de Jesus é a
personificação da fidelidade a Deus
Após
a indicação do tempo e lugar em que é celebrado o casamento (não se trata de
pura indicação cronológico-geográfica, mas teológica), o evangelista
acrescenta: “a mãe de Jesus estava lá” (v. 1) Com isso João quer dizer que ela
pertence à antiga Aliança. E o seu papel será esclarecido nas ações que ela cumpre
a seguir.
O v.
2 põe em cena Jesus. O Messias é convidado a participar da Aliança antiga.
Entrando em cena, põe em ação um movimento irreversível. O vinho, sinal da
alegria e do amor conjugal (cf. Ct 1,2; 7,10) vem a faltar na festa de
casamento (v. 3). Isso significa que a alegria e o amor devem ser recriados
pelo Messias, o novo esposo da humanidade.
A
intervenção da mãe de Jesus tem dois aspectos: por um lado mostra a Jesus que
“eles não têm mais vinho” (v. 3; estava lá mas toma distância) e, por outro, dá
ordem aos serventes: “façam tudo o que ele mandar” (v. 5; não apenas toma
distância, mas estimula a buscar o novo que vem a obediência a Jesus). A mãe de
Jesus personifica aqui todos os que conservaram a fidelidade a Deus e a
esperança em suas promessas. Ela constata que os que não aderem a Jesus “não
têm mais vinho”. Para superar esse impasse é preciso aceitar Jesus como
Messias, o esposo da comunidade e da humanidade: “Façam tudo o que ele mandar”.
Estranho
é o fato de Jesus se dirigir a sua mãe com o apelativo “mulher”. Essa forma de
tratamento não se encontra no Antigo Testamento e nem na literatura rabínica.
Por isso somos levados a considerar essa mulher como figura simbólica, que
supera a individualidade. É a mãe/israel. Jesus faz-lhe ver a necessidade de
romper com o passado (ela pertence à antiga Aliança). Jesus não é um a mais, e
sim o definitivo, o único, aquele que traz a novidade radical. Essa novidade
está ligada à “hora” de Jesus (v. 4; cf. 7,30; 8,20; 12,23.27; 17,1), que será
a sua morte na cruz. Nesse sentido, o primeiro sinal (Caná) já aponta para o
grande sinal do Evangelho de João: Jesus que dá a vida porque ama até às
últimas consequências do amor.
A
sequencia do episódio é interrompida pela descrição das seis talhas de pedra
destinadas à purificação dos judeus (v. 6). Em torno dessa descrição, João
reforça, por contraste, o papel de Jesus enquanto Messias e esposo. As talhas
são de pedra (isso evoca as tábuas da Lei) e são seis (as seis festa judaicas
relatadas no Evangelho de João, frias, manipuladas e desligadas da vida). As
talhas eram destinadas à purificação (conceito que torna difícil o
relacionamento com Deus, distanciando-o; um deus que precisa ser “aplacado” com
purificações). Estavam vazias (não são capazes de restaurar o relacionamento
com Deus). Além disso, o número seis denota provisoriedade, e não obstante as
talhas possam conter muito (mais ou menos cem litros cada uma), são ineficazes
(estão vazias).
b) Vv. 7-10: Dando o melhor
vinho, Jesus se revela o esposo da humanidade
Jesus
manda encher as talhas com água. Assim ele passa a oferecer a nova
“purificação”, que não irá depender da Lei, pois as talhas não irão conter o
vinho novo (observe o que diz o v. 9b: “Os que serviam estavam sabendo, pois
foram eles que tiraram a água). A segunda ordem de Jesus: “Agora tirem e levem
ao mestre-sala” (v. 8a) confere sentido e valor ao casamento, isto é, ao
relacionamento entre Deus e a humanidade. Esse relacionamento íntimo tem como
única razão de ser o amor total e a fidelidade plena, representados pelo vinho
novo e abundante (mais de seiscentos litros!) que o Messias-esposo oferece.
O
mestre-sala é símbolo dos que não reconhecem o dom messiânico que Deus faz em
Jesus, o Messias-esposo da humanidade. Ele prova o vinho, constata que há
novidade radical no que é apresentado, mas atribui o fato ao noivo: “Você
guardou o vinho bom até agora” (v. 10). Não reconhece que, no projeto de Deus,
o melhor vem depois, isto é, com Jesus.
c) V. 11: O sinal manifesta a
glória de Jesus
O
evangelista afirma que em Caná Jesus deu início a uma série de sinais. O sinal
de Caná é o protótipo dos demais que se seguirão. Eles têm dupla finalidade: 1.
Manifestar a glória de Jesus, isto é, fazer ver que Deus condensou nas palavras
e ações do Filho todo o seu projeto de amor fiel (1,14), desde o início até a
“hora” de Jesus (17,1). Jesus é a glória de Deus, ou seja, a revelação e
mediação últimas do amor sem limites de Deus; 2. Conferindo credibilidade a Jesus
enquanto mediador do amor divino, os sinais visam a suscitar a fé dos
discípulos que acolhem Jesus e se comprometem lealmente com ele: “seus
discípulos acreditaram nele” (v. 11b).
d) Quem é a esposa do
Messias-esposo?
Lendo
o episódio das bodas de Caná (palavra que significa “adquirir”), percebe-se
logo o engano em que caiu o mestre-sala: crê que o melhor vinho tenha sido
oferta do noivo. O leitor do evangelho e os serventes sabem muito bem que Jesus
é quem dá o vinho novo – o amor sem limites –, pois ele é o Messias-esposo da
humanidade. A mensagem, contudo, vai além. O episódio mostra também quem é a
esposa do Messias-esposo: ela está representada na “mulher”, a mãe de Jesus
(que por sua vez representa o ISRAEL que reconheceu o Messias), nos serventes
que sabem de onde vem o vinho novo (v. 9) e que obedecem a Jesus e nos
discípulos que acreditam nele (v. 11b). É assim que o Messias-esposo vai
conquistando/adquirindo (“Caná”) para si uma esposa.
Liturgia Diária Comentada
12/10/2014 NOSSA SENHORA APARECIDA
Nossa Senhora Aparecida -
Padroeira do Brasil
CATÓLICOS
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