Primeira
Leitura: Carta de São Paulo aos Gálatas 3,22-29
Irmãos, a Escritura
pôs todos e tudo sob o jugo do pecado, a fim de que, pela fé em Jesus Cristo,
se cumprisse a promessa em favor dos que creem. Antes que se inaugurasse o
regime da fé, nós éramos guardados, como prisioneiros, sob o jugo da lei.
Éramos guardados para o regime da fé, que estava para ser revelado. Assim, a
lei foi como um pedagogo que nos conduziu até Cristo, para que fôssemos
justificados pela fé. Mas, uma vez inaugurado o regime da fé, já não estamos na
dependência desse pedagogo.
Com efeito, vós
todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. Vós todos que fostes
batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. O que vale não é mais ser judeu
nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um
só, em Jesus Cristo. Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão,
herdeiros segundo a promessa. - Palavra
do Senhor.
Comentário (deusunico.com): No mundo greco-romano, o
pedagogo era um escravo severo, que tinha como tarefa vigiar, admoestar e
castigar o comportamento das crianças de uma família. Esse foi o papel da Lei:
mostrar a incapacidade do homem de salvar-se, dar-lhe consciência de seus
pecados e mantê-lo na expectativa da realização da promessa, a fim de ser
liberto da própria Lei. O papel da Lei terminou com a chegada de Cristo. Pela
fé nele e pelo batismo, os homens se revestem de Cristo, isto é, são
transformados para se tornarem imagem dele (cf. Cl 3,11).
Em
Cristo, portanto, os homens ficam libertos de qualquer lei e de qualquer
diferença que possa privilegiar uns e marginalizar outros. Em todos os seus
aspectos, a via é uma contínua tensão entre dois pólos: regulamentação e
liberdade. A disciplina legal pode chegar a substituir a consciência do
indivíduo, num conformismo rasteiro que dá uma ilusão de “bondade” (= não
desvio das normas aceitas pelo grupo). A liberdade é difícil; ser
verdadeiramente livre exige sacrifício. De outro modo, se cai em formas libertárias
igualmente cômodas e fáceis, como o conformismo ao qual pretendem opor-se.
Pode-se caminhar, mas não se sabe aonde ir, não se tem o mapa da região. É
impossível eliminar um dos dois pólos.
Somos,
porém, chamados por Deus para valorizar também essa tensão, numa maturidade de
consciência que vai oportunamente equilibrando disciplina e liberdade em cada
ocasião concreta. O ponto mais profundo dessa maturidade para o cristão é a
caridade, pela qual “somos todos um só ser em Cristo”. Quando o relacionamento
com Deus é vivido com sinceridade, o dom da unidade aclara continuamente as
relações com os irmãos.
Salmo:
104,2-3.
4-5. 6-7 (R. 8a)
O Senhor se lembra sempre da Aliança!
Cantai, entoai salmos para ele, publicai
todas as suas maravilhas! Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração
que busca a Deus!
Procurai o Senhor Deus e seu poder,
buscai constantemente a sua face! Lembrai as maravilhas que ele fez, seus
prodígios e as palavras de seus lábios!
Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos
de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em
toda a terra.
Evangelho
de Jesus Cristo segundo São Lucas 11,27-28
Naquele tempo, enquanto Jesus falava, uma mulher
levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: "Feliz o ventre que te
trouxe e os seios que te amamentaram". Jesus respondeu: "Muito mais
felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". - Palavra da Salvação.
Comentário (Padre Jaldemir
Vitório / Jesuíta): O intuito feminino de uma mulher do povo levou-a a fazer uma
constatação verdadeira: era digno de ser exaltado o ventre em que Jesus fora
gerado, e os seios em que fora amamentado. O poder manifestado nos feitos
prodigiosos do Mestre, justificava o grito entusiasta desta mulher. Ter gerado
tal filho era algo digno de louvor para uma mãe. Só alguém agraciada por Deus -
"bem-aventurada" - podia ser capaz disto.
O
elogio a Maria comportava um elogio a Jesus. Na mentalidade da época, exaltar a
mãe era uma forma de exaltar o filho. Esta era a intenção da mulher: fazer um
elogio a Jesus, reconhecendo que ela possuía um poder extraordinário provindo
de Deus.
As
palavras da mulher, entretanto, careciam de um acréscimo. Elas podiam dar a
entender que bastava alguém ter um certo parentesco sanguíneo com Jesus para
ser objeto de reconhecimento. No entanto, era preciso muito mais! A verdadeira
bem-aventurança consistia em ser um discípulo exemplar: ouvir com fidelidade e
perseverança a Palavra e oferecer ao mundo um testemunho de vida consumado,
colocando-a em prática. A mãe de Jesus, mais do que ninguém, deu este
testemunho de escuta-prática da Palavra. Mas, este seu título de glória pode
ser obtido por qualquer discípulo fiel e perseverante. O fato de ter sido mãe
natural de Jesus era menos importante do que sua fidelidade a Deus, manifestada
com gestos concretos.
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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