Palavras de Jeremias, filho de Helcias, um dos sacerdotes de Anatot, da tribo de Benjamim. Foi-me dirigida a palavra do
Senhor, dizendo: Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de
saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações.
Disse eu: Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo.
Disse-me o Senhor: Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar,
irás, e tudo que eu te mandar dizer, dirás. Não tenhas medo deles, pois estou
contigo para defender-te, diz o Senhor.
O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse-me: Eis que
ponho minhas palavras em tua boca. Eu te constitui hoje sobre povos e remos com
poder para extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar. -
Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: A fraqueza humana não é
obstáculo para Deus. Todo instrumento frágil torna-se eficaz na sua mão. O
Senhor pede a Jeremias obediência, disponibilidade e plena confiança, mas
promete assistência contra as adversidades e violências de seu ministério. O
profeta, segundo Moisés, não se apresenta ao povo com suas palavras, mas com as
de Deus. Jeremias é o arauto da mensagem de Deus, mas quem anuncia tem o dever
de percorrer o caminho antes dos outros, ainda que seja perigoso.
A
vocação de Jeremias propõe o problema de “nossa” vocação. A todos Deus oferece
a possibilidade de ser, de diversas maneiras, “suas testemunhas”, porque ele
diz a cada um de nós: “Antes de te formar no ventre materno, eu te conhecia”.
Salmo:
70, 1-2.
3-4a. 5-6ab. 15.17 (R.15) Minha boca anunciará vossa justiça.
Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:
que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e
libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!
Sede uma rocha protetora para mim, um
abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu
refúgio, proteção e segurança! Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.
Porque sois, ó Senhor Deus, minha
esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes
que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo.
Minha boca anunciará todos os dias vossa
justiça e vossas graças incontáveis. Vós me ensinastes desde a minha juventude,
e até hoje canto as vossas maravilhas.
Evangelho:
Mt 13,1-9 Produziram à base de cem frutos por semente.
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens
do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus
entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes
muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava,
algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras
sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes
logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as
plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes
caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras
sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e
de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!” - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre
Jaldemir Vitório / Jesuíta):
A
parábola evangélica ilustra a benevolência do Pai, no seu desejo de salvar a
todos, sem distinção. Ninguém está, de antemão, excluído da salvação. Tudo
dependerá da disposição e do empenho com que se acolhe a comunicação do Pai.
A
semente caída à beira do caminho ilustra a atitude de quem se relaciona com o
Pai, de maneira superficial e leviana. A que caiu em terreno pedregoso é
símbolo de um coração impermeável aos apelos divinos. A que caiu entre os
espinhos aponta para os corações preocupados com múltiplas tarefas, a ponto de
faltar-lhes tempo para um diálogo amoroso com o Pai. Enfim, a semente lançada
em terra fértil simboliza quem se abre para acolher a Palavra de Deus e se
deixa transformar por ela.
A
eficácia da Palavra de Deus no coração humano revela-se no modo de viver de
quem a acolhe. Somente o testemunho de uma vida pautada no amor e na justiça é
um indicativo seguro de que a Palavra está produzindo frutos. O percentual -
cem, sessenta ou trinta - dependerá do maior ou menor enraizamento da Palavra
na vida do discípulo do Reino. Isto irá ser diferente, de pessoa para pessoa. O
importante é que a semente não se perca e produza os frutos esperados. O espaço
para a generosidade fica sempre aberto. A eficácia da Palavra não tem limites.
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária
Comentada 23/07/2014 Quarta-feira 16ª Semana Comum
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A importância
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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