A Terra que vemos não nos satisfaz. É apenas um começo. Não
é mais do que uma promessa dum porvir. Nem mesmo na sua maior alegria, quando
se cobre de todas as suas flores e mostra os seus tesouros escondidos da forma
mais atrativa, mesmo então isso não nos basta. Sabemos que há nela muito mais
coisas do que as que conseguimos ver. [...]
Um «Mundo de Santos e de Anjos» (Ef 2,19), um «Mundo
Glorioso» (2Cor 3,11), o «Palácio de Deus» (2Ts 2,4), a «Montanha do Senhor dos
Exércitos» (Is 2,3), a «Jerusalém Celeste» (Hb 12,22), o «Trono de Deus e de
Cristo» (Ap 22,3): todas essas maravilhas eternas, preciosíssimas, misteriosas
e incompreensíveis se escondem por detrás do que vemos. O que vemos não é senão
a camada exterior do Reino Eterno e é nesse Reino que fixamos os olhos da nossa
fé.
Mostra-Te, Senhor, como no tempo da Tua Natividade, em que
os Anjos visitaram os pastores; que a Tua Glória se expanda como as flores e a
folhagem se desenvolvem nas árvores. Pelo Teu Poder, transforma o mundo visível
nesse Mundo mais divino que ainda não vemos. Que aquilo que vemos seja
transformado naquilo em que cremos. Por mais brilhantes que sejam o sol, o céu,
as nuvens, por mais verdejantes que sejam as folhas e os campos, por mais
suaves que sejam os cantos dos pássaros, sabemos que isso não é tudo e que não
queremos tomar a parte pelo todo.
Essas coisas procedem dum centro de amor e de bondade que é
o próprio Deus, mas não são a Sua plenitude. Falam do céu, mas não são o Céu.
São apenas, de certa forma, raios dispersos, um ténue reflexo da Sua imagem;
são apenas migalhas que caem da Mesa.
Beato John Henry Newman
O Mundo Invisível, IV,
13
Colaboração: Robert - Duto Engenharia

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