segunda-feira, 19 de maio de 2014

Em que você fixa seu olhar?

Em que você fixa seu olhar?

A Terra que vemos não nos satisfaz. É apenas um começo. Não é mais do que uma promessa dum porvir. Nem mesmo na sua maior alegria, quando se cobre de todas as suas flores e mostra os seus tesouros escondidos da forma mais atrativa, mesmo então isso não nos basta. Sabemos que há nela muito mais coisas do que as que conseguimos ver. [...]

Um «Mundo de Santos e de Anjos» (Ef 2,19), um «Mundo Glorioso» (2Cor 3,11), o «Palácio de Deus» (2Ts 2,4), a «Montanha do Senhor dos Exércitos» (Is 2,3), a «Jerusalém Celeste» (Hb 12,22), o «Trono de Deus e de Cristo» (Ap 22,3): todas essas maravilhas eternas, preciosíssimas, misteriosas e incompreensíveis se escondem por detrás do que vemos. O que vemos não é senão a camada exterior do Reino Eterno e é nesse Reino que fixamos os olhos da nossa fé. 

Mostra-Te, Senhor, como no tempo da Tua Natividade, em que os Anjos visitaram os pastores; que a Tua Glória se expanda como as flores e a folhagem se desenvolvem nas árvores. Pelo Teu Poder, transforma o mundo visível nesse Mundo mais divino que ainda não vemos. Que aquilo que vemos seja transformado naquilo em que cremos. Por mais brilhantes que sejam o sol, o céu, as nuvens, por mais verdejantes que sejam as folhas e os campos, por mais suaves que sejam os cantos dos pássaros, sabemos que isso não é tudo e que não queremos tomar a parte pelo todo.

Essas coisas procedem dum centro de amor e de bondade que é o próprio Deus, mas não são a Sua plenitude. Falam do céu, mas não são o Céu. São apenas, de certa forma, raios dispersos, um ténue reflexo da Sua imagem; são apenas migalhas que caem da Mesa.

Beato John Henry Newman
O Mundo Invisível, IV, 13


Colaboração: Robert - Duto Engenharia

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