A última semana do Tempo Pascal, entre as solenidades da
Ascensão do Senhor e Pentecostes, é marcada em todas as Igrejas no Hemisfério
Sul da Terra pela Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. No Hemisfério
Norte esta mesma semana se realiza no mês de janeiro de cada ano. Neste ano,
entre nós, a Semana de 1º. a 7 de junho é toda dedicada a esta Oração pela
Unidade dos Cristãos. Uma palavra de São Paulo motiva este ano a Semana de
Oração para a Unidade dos Cristãos: “Acaso Cristo está dividido?“ (1Cor 1, 13)
Poderíamos perguntar: Por que esta semana de oração pela
unidade dos cristãos?
A resposta nos vem não apenas de um preceito dado por Jesus,
mas por um exemplo pessoal seu.
Tomemos o Evangelho segundo São João no seu capítulo 17. O
que aí encontramos? Uma oração de Jesus, a última no final de sua Santa Ceia de
despedida dos discípulos antes da Paixão e Morte, da Ressurreição e Ascenção ao
Céu, como Seu verdadeiro Testamento.
Jesus reza ao Pai pela unidade, pela comunhão de seus
discípulos. E coloca como medida desta unidade, Sua própria comunhão com o Pai
Celeste no Espírito Santo que lhes será dado.
Jesus tinha dado o Mandamento Novo e Seu: “Isto é que vos
mando: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo 15,12. 17.)
Já neste mandamento Jesus coloca uma medida de amor que será
pedida de seus discípulos: como eu vos amei.
Agora, em sua oração voltada ao Pai, Jesus já não pede aos
discípulos que obedeçam ao Seu Mandamento, mas pede ao Pai que realize a medida
do Amor entre os discípulos – unidade divina.
E ainda, como Jesus tinha mostrado aos seus a condição de
reconhecimento de seu discipulado, na vivência do amor na medida de Jesus (cf.
Jo 13, 35), agora pede ao Pai que os una no Seu Amor, para que o mundo creia
(cf. Jo 17, 21).
O amor que une os discípulos de Jesus é seu distintivo, é
sua característica, é seu testemunho diante do mundo.
E os cristãos estamos divididos!
Poderemos nos conformar com isso?
Como Jesus rezou no momento supremo para que seus discípulos
não ficassem sós, mas amparados pelo Pai e sob a ação do Espírito Santo superem
todas as barreiras e divisões. Assim se manifestará plenamente a obra de Jesus,
obra pela qual se doou totalmente até a última gota de sangue e de água de Seu
Coração traspassado pela lança do soldado que conferia sua morte. (cf. Jo 19,
34).
Para que se realize a unidade dos cristãos em plena comunhão
no Senhor, será necessário mais que os esforços humanos de superação de suas
diferenças. Para que a unidade se realize será preciso que a faça acontecer o
próprio Deus, encontrando corações realmente disponíveis a Ele. E quanto mais
formos autênticos discípulos de Cristo, mais estaremos unidos entre nós, de
união verdadeira, na mesma vida divina da qual o Senhor nos faz participar.
Por isso somos chamados a rezar pela unidade dos cristãos,
semente e instrumento para a unidade de todo o gênero humano.
E é esse o desejo de Deus!
Rezamos para estarmos disponíveis à ação divina que nos
arrebata em Seu Amor e faz de toda a humanidade Sua Família.
Neste ano, somos chamados a rezar pessoalmente, em nossas
famílias e em nossas comunidades, Igrejas, com a oração do próprio Jesus (cf.
Jo 17), abrindo-nos à superação de todas as divisões, em verdadeira comunhão de
vida e de fé.
Rezamos sintonizados todos nesta semana, mas esta oração
penetrará em nossa vida e continuará sempre a nos chamar ao exercício do amor
comunhão dos discípulos de Cristo.
E assim será aberto o caminho para nos unirmos em nossa
própria comunidade de fé, entre todos, sem distinção de pessoas, como irmãos em
Cristo. Assim os cristãos todos, encontraremos mais o que nos une em Cristo do
que nos divide. Assim a paixão do próprio Cristo pela unidade de todos nos fará
viver a fraternidade universal além que qualquer distinção que tenhamos.
E o grande milagre, que só poderá ser realizado por Deus,
acontecerá: “Haverá um só rebanho e um só Pastor”. (Jo 10, 16)
Dom José Antonio
Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano
de Fortaleza
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza

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