segunda-feira, 28 de abril de 2014

Liturgia Diária Comentada 04/05/2014 3º Domingo da Páscoa

Liturgia Diária Comentada 04/05/2014
3º Domingo da Páscoa- 3ª Semana do Saltério
Prefácio pascal - Ofício dominical pascal
Glória e Creio
Cor: Branco - Ano Litúrgico “A” - São Mateus

Antífona: Salmo 90,15-16 - Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias.

Oração do Dia: Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

LEITURAS:

Primeira Leitura: At. 2,14.22-33 Não era possível que a morte o dominasse

No dia de Pentecostes, Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: “Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis.

Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. Pois Davi dele diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção. Deste-me a conhecer os caminhos da vida, e a tua presença me encherá de alegria’.

Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção’.

Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas. E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo” - Palavra do Senhor.

Comentando a Liturgia: A primeira leitura apresenta o “querigma” apostólico, o anúncio – no discurso de Pedro em Pentecostes – da ressurreição de Jesus e de sua vitória sobre a morte. É o protótipo da pregação apostólica. Suprimida a introdução do discurso, por ser a leitura de Pentecostes (At 2,15-21), a leitura de hoje se inicia com o v. 22, anunciando que o profeta rejeitado ressuscitou, cumprindo as Escrituras (Sl 16[15],8-10).

Não se trata de ver aí uma realização “ao pé da letra”, mas de reconhecer nas Escrituras antigas a maneira de agir de Deus desde sempre, a qual se realiza num sentido “pleno” em Jesus Cristo. Ou melhor: naquilo que se vê em Jesus, aparece o sentido profundo e escondido das antigas Escrituras.

O importante nesse querigma é o anúncio da ressurreição como sinal de que Deus “homologou” a obra de Jesus e lhe deu razão contra tudo e todos. Isso é atestado não só por testemunhas humanas, mas também pelo testemunho de Deus mesmo, na Escritura.

O Salmo 16[15], por exemplo, originalmente a prece de quem sabe que Deus não o entregará à morte, encontra em Cristo sua realização plena e inesperada. Esse salmo é também o salmo responsorial de hoje e terá de ser devidamente valorizado.
                                                    
Salmo: 15(16),1-2a.5.7-8.9-10.11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto de vós felicidade sem limites!
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor: nenhum bem eu posso achar fora de vós!" Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos!

Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me adverte o coração. Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo.

Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranqüilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção.

Vós me ensinais vosso caminho para a vida junto a vós, felicidade sem limites,/ delícia eterna e alegria ao vosso lado!
                                                                    
Segunda Leitura: 1Pd. 1,17-21 Fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro sem mancha.

Caríssimos, se invocais como Pai aquele que sem discriminação julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vossa migração neste mundo. Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito.

Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós. Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus - Palavra do Senhor.

Comentando a Liturgia: Na segunda leitura, continua a leitura da 1Pd iniciada no domingo passado. Jesus Cristo é visto como aquele que nos conduz a Deus. Sua morte nos remiu de um obsoleto modo de viver. Por meio de Cristo, ou seja, quando reconhecemos e assumimos a validade do seu modo de viver e de morrer, chegamos a crer verdadeiramente em Deus e conhecemos Deus como aquele que ressuscita Jesus, aquele que dá razão a Jesus e “endossa” a sua obra. Isso modifica nossa vida.

Desde o nosso batismo, chamamos a Deus de Pai; mas ele é também o Santo que nos chama à santidade (1Pd 1,16; cf. Lv 19,2). O sacrifício de Cristo, Cordeiro pascal, obriga-nos à santidade. Os últimos versículos desta leitura (v. 19-21) constituem uma profissão de fé no Cristo, que desde sempre está com Deus: ele nos fez ver como Deus verdadeiramente é, e por isso podemos acreditar que Deus nos ama.

Evangelho segundo Lucas 24,13-35 Reconheceram-no ao partir o pão

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: "O que ides conversando pelo caminho?" Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: "Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?"

Ele perguntou: "O que foi?" Os discípulos responderam: "O que aconteceu com Jesus, o nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu".

Então Jesus lhes disse: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" E, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da escritura que falavam a respeito dele.

Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.

Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: "Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as escrituras?" Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram. para Jerusalém onde encontraram os onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: "Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão - Palavra da Salvação.

Comentando o Evangelho: O evangelho é preparado pela aclamação, que evoca o ardor dos discípulos ao escutar a palavra de Deus (cf. Lc 24,32). Trata-se da narrativa dos discípulos de Emaús (lida também na missa da tarde no domingo da Páscoa). A homilia pode sublinhar diversos aspectos.

1) “Não era necessário que o Cristo padecesse tudo isso para entrar na glória?” (Lc 24,26). Cabe parar um momento junto ao termo “o Cristo”. Não é apenas de Jesus como pessoa que se trata, mas de Jesus enquanto Cristo, Messias, libertador e salvador enviado e autorizado por Deus. Não se trata apenas de reconhecer a vontade divina a respeito de um homem piedoso, mas do modo de proceder de Deus no envio de seu representante, o “Filho do homem” revestido de sua autoridade (cf. Dn 7,13-14), que deve levar a termo o caminho do sofrimento e da doação da vida (cf. Lc 9,22.31).

2) Jesus “lhes explicou, em todas as Escrituras, o que estava escrito a seu respeito” (Lc 24,27). Em continuidade com a primeira leitura, podemos explicitar o tema do cumprimento das Escrituras. As Escrituras fazem compreender o teor divino do agir de Jesus. Enquanto os discípulos de Emaús estavam decepcionados a respeito de Jesus, fica claro agora que, apesar da aparência contrária, Jesus agiu certo e realizou o projeto de Deus. As Escrituras testemunham isso. Jesus assumiu e levou a termo a maneira de ver e de sentir de Deus que, embora de modo escondido, está representada nas antigas Escrituras. Ele assumiu a linha fundamental da experiência religiosa de Israel e a levou à perfeição, por assim dizer. Mas só foi possível entender isso depois de ele ter concluído a sua missão. Só à luz da Páscoa foi possível que as Escrituras se abrissem para os discípulos (cf. também Jo 20,9; 12,16).

3) Reconheceram-no ao partir o pão (cf. Lc 24,31 e 35). A experiência de Emaús nos faz reconhecer Cristo na celebração do pão repartido. Na “última ceia”, o repartir o pão fora reinterpretado, “ressignificado”, pelo próprio Jesus como dom de sua vida pelos seus e pela multidão (Lc 22,19); e à comunhão do cálice que acompanhava esse gesto, Jesus lhe dera o sentido de celebração da nova e eterna aliança (Lc 22,20). Assim puderam reconhecê-lo ao partir do pão. Mas o gesto de Jesus na casa dos discípulos significava também a rememoração do gesto fundador que fora a Última Ceia, a primeira ceia da nova aliança. Desde então, esse gesto se renova constantemente e recebe de cada momento histórico significações novas e atuais. Que significa “partir o pão” hoje? Não é apenas o gesto eucarístico; é também o repartir o pão no dia a dia, o pão do fruto do trabalho, da cultura, da educação, da saúde... Os discípulos de Emaús, decerto, não pensavam num mero rito “religioso”, mas em solidariedade humana. Ao convidarem Jesus, não pensaram numa celebração ritual, mas num gesto de solidariedade humana: que o “peregrino” pudesse restaurar as forças e descansar, sem ter de enfrentar o perigo de uma caminhada noturna. O repartir o pão de Jesus é situado na comunhão fraterna da vida cotidiana. Esse é o “aporte” humano que Jesus ressignifica, chamando à memória o dom de sua vida.

INTENÇÕES PARA O MÊS DE MAIO:

Intenção Universal: Meios de comunicação - Para que os meios de comunicação sejam instrumentos ao serviço da verdade e da paz.

Intenção para a Evangelização: Maria guia para a missão - Para que Maria, Estrela da Evangelização, guie a missão da Igreja no anúncio de Cristo a todos os povos.

TEMPO LITÚRGICO:

Tempo Pascal: Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, “como um grande Domingo” (Santo Atanásio; conforme NALC 22).

Os Domingos deste tempo sejam tidos como Domingos da Páscoa e, depois do Domingo da Ressurreição, sejam chamados 2º, 3º, 4º, 5º, 6º e 7º Domingos da Páscoa. Os oito primeiros dias do Tempo Pascal formam a Oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor (NALC 24). O oitavo dia é constituído pelo domingo seguinte a Páscoa. A oitava da Páscoa tem precedência sobre quaisquer outras celebrações.

Qualquer solenidade que coincida com um dos domingos da Páscoa tem sua celebração antecipada para o sábado; se, porém, ocorrer durante a oitava da Páscoa, fica transferida para o primeiro dia livre que se seguir a oitava. As festas celebram-se segundo a data do calendário; quando ocorrerem em domingo do Tempo Pascal, omitem-se nesse ano.

Diz-se o Glória durante a Oitava da Páscoa, nas solenidades e festas, já o Credo só nas solenidades. O Círio Pascal permanece junto ao altar por todo o Tempo Pascal, isto é, da noite de Páscoa ao Domingo de Pentecostes, e acende-se em todas as Missas dominicais.

O Domingo de Pentecostes encerra este tempo sagrado de cinquenta dias (NALC 23). No Brasil, celebra-se no 7º Domingo da Páscoa e solenidade da Ascensão do Senhor.

Cor Litúrgica: BRANCO - Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.

Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
www.catolicoscomjesus.com – catolicoscomjesus@gmail.com
Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica

Comentários: Padre Johan Konings, sj, Vida Pastoral, n.278, Paulus
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

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