No dia de Pentecostes, Pedro disse aos judeus: “Que todo
povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a
este Jesus que vós crucificastes”. Quando ouviram isso, eles ficaram com o
coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que
devemos fazer?”
Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja
batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E vós
recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos,
e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus
chamar para si”.
Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os
exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” Os que aceitaram as
palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil
pessoas se uniram a eles. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: A salvação está na aparição
histórica de Jesus, em sua mensagem provocadora, em suas palavras benéficas e
críticas, em seu estilo de vida fiel até a morte. Sob um aspecto puramente
histórico, Jesus malogrou em seu projeto de vida. Por isso, sua mensagem e
estilo de vida não podem ser por si sós a última palavra, ao menos para ser
fundamento de nossa salvação e esperança real.
Na
ressurreição é que o Crucificado se torna Senhor e Messias, nosso Salvador.
Esta é a mensagem explosiva de Pedro na manhã de Pentecostes. O Crucificado,
aquele que foi rejeitado pelo povo, foi constituído “Senhor” com a
ressurreição. Cristo é o Messias, é o rei davídico, esperado que restaura o
povo, dá cumprimento a todo desejo de vida e amor do coração do homem,
ressuscitando da morte.
Eis a
profissão de fé do novo povo de Deus: a história de Israel consumou-se no
Cristo. É um acontecimento que revoluciona a vida; uma verdade “concreta”, não
abstrata, que faz cada um de nós perguntar: “Que devemos fazer?”
Salmo:
32, 4-5.
18-19. 20.22 (R. 5b)
Transborda em toda a terra a bondade do Senhor.
Pois reta é a palavra do Senhor, / e
tudo o que ele faz merece fé. / Deus ama o direito e a justiça, / transborda em
toda a terra a sua graça.
Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que
o temem, / e que confiam esperando em seu amor, / para da morte libertar as
suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria.
No Senhor nós esperamos confiantes, /
porque ele é nosso auxílio e proteção! / Sobre nós venha, Senhor, a vossa
graça, / da mesma forma que em vós nós esperamos!
Evangelho:
Jo 20,11-18 'Eu vi o Senhor!'; e eis o que ele me disse.
Naquele tempo, Maria estava do lado de fora do túmulo,
chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. Viu,
então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de
Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela
respondeu: ”Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. Tendo dito isto,
Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus.
Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem
procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que
o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”. Então Jesus disse:
“Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer:
Mestre).
Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do
Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu
Deus e vosso Deus”. Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o
Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito. - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): O
pranto de Maria Madalena revela que seu relacionamento com Jesus era pouco
consistente. A morte do Mestre significou para ela a perda de uma pessoa
querida. Ele soube valorizá-la, ajudando-a a recompor sua existência esfacelada
por experiências negativas. Isto bastou para ela nutrir por Jesus um amor cheio
de gratidão.
Uma
sensação de vazio tomou conta do coração de Maria Madalena, quando veio a
faltar-lhe este apoio humano. Diante do amigo morto, só lhe restava debulhar-se
em lágrimas.
Maria
Madalena, contente com o que Jesus representava para ela, só deu um passo
adiante na sua compreensão, quando defrontou-se com o Ressuscitado. A
humanidade do amigo querido era apenas um aspecto de sua verdade. Ele era
também o Filho enviado pelo Pai, cuja missão, na Terra, havia sido concluída.
Agora, estava de volta para junto de quem o enviara. Ele era o Senhor.
Discípulo algum tinha o poder de retê-lo para si, ou de apossar-se dele. O
Mestre estaria junto dos seus discípulos, mas sem a limitação de tempo e
espaço.
Por
conseguinte, Maria Madalena não tinha por que chorar. Ela teria para sempre
consigo o Senhor ressuscitado. A ressurreição devolveu-lhe, novamente, a
alegria. O Ressuscitado preencheu o vazio que a morte tinha deixado no coração
dessa mulher. E o sentimento de perda foi superado por uma forma nova de
presença do Mestre, mais interior e consistente.
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada 22/04/2014
Novena da Divina Misericórdia
Páscoa a Festa da Vida e da Liberdade -
Dom Roberto Francisco
Páscoa - Liturgia do Tempo Pascal
Sacramento da Ordem (Catequeses sobre os
Sacramentos)

Por que será que o comentarista não se lembrou de dizer que as palavras de Jesus parecem comunicar que estes homens acabavam de ser promovidos de filhos deserdados para filhos verdadeiros quando Ele diz: "o meu Pai e vosso Pai, o meu Deus e vosso Deus" ficou claro que a condição nossa acabava de ficar igual à condição de Jesus: irmão.
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