Benção dos Ramos:
Mateus 21,1-11
Bendito o que vem em nome do Senhor!
Naquele tempo, Jesus e seus discípulos aproximaram-se de
Jerusalém e chegaram a Betfagé,
no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes:
"Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta
amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim! Se alguém
vos disser alguma coisa, direis: 'O Senhor precisa deles, mas logo os
devolverá"'.
Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: "Dizei
à filha de Sião: Eis que o teu
rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de
jumenta".
Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia
mandado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e
Jesus montou. A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto
outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.
As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam,
gritavam: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!
Hosana no mais alto dos céus!" Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade
inteira se agitou, e diziam: "Quem é este homem?" E as multidões
respondiam: "Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia". - Palavra
da Salvação!
Primeira Leitura: Isaías 50,4-7 Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas; sei que não serei
humilhado.
O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba
dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me
excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo.
O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei
atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba;
não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu
Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível
como pedra, porque sei que não sairei humilhado. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: O movimento profético do Segundo Isaías surtiu efeito junto ao povo
oprimido no exílio da Babilônia. Sua atuação se deu nos últimos anos do exílio,
ao redor de 550 a.C. Após um período de prostração e desesperança, o povo vai
recuperando o ânimo, especialmente com a perspectiva da volta para a terra
prometida. Os quatro cânticos do Servo sofredor refletem o rosto dos exilados
em seu processo de construção da esperança. Nessa caminhada, Deus manifesta sua
presença amiga e consoladora.
O texto de
hoje corresponde aos primeiros versículos do terceiro canto do Servo sofredor.
São palavras portadoras de muita fé e confiança em Deus. O Servo revela sua
disposição de ouvir os apelos divinos e demonstra ter consciência da missão
especial que Deus lhe dá. É a imagem do povo que não se sente abandonado, mas
protegido e conduzido pelo Senhor. Essa certeza o leva a manter a cabeça
erguida, resistir e perseverar mesmo no meio da incompreensão, das injúrias e
das agressões dos inimigos. Tem a profunda convicção do socorro que vem de
Deus. Por isso, tem a postura própria das pessoas pacíficas, a ponto de
oferecer as costas aos que batem e o rosto aos que arrancam a barba.
O povo
sofredor, Servo de Deus, está firme e confiante; manifesta total autonomia
perante os poderosos que o oprimem. Essa situação foi conquistada mediante a
intervenção divina. Foi Deus quem abriu os ouvidos do seu Servo amado a fim de
que pudesse ouvi-lo numa atitude de discípulo; foi Deus também quem lhe “deu a
língua de discípulo para que soubesse trazer ao cansado uma palavra de
conforto”. As pessoas servas de Deus, tanto ontem como hoje, demonstram firmeza
e determinação em profunda solidariedade com os abatidos e cansados. Elas
assumem, na liberdade e na confiança, a missão de espalhar no meio do povo o
fermento novo da justiça. Sua fidelidade à missão alicerça-se na escuta atenta
e renovada da palavra de Deus “de manhã em manhã”.
Salmo: 21 (22) Meu
Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: 'Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!'
Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!
Eles repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!
Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça
de Israel!
Segunda Leitura: Filipenses 2,6-11 Humilhou-se a si mesmo; por isso, Deus o exaltou acima de tudo
Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser
igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a
condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto
humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de
cruz.
Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que
está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu,
na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o
Senhor", para a glória de Deus Pai. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: Esse hino cristológico, que Paulo insere em sua
carta aos Filipenses, é uma das primeiras formulações de fé das comunidades
cristãs. Constitui um caminho essencial da espiritualidade cristã. O caminho,
na verdade, é o próprio Jesus, que desceu livremente até o ponto mais baixo,
tornando-se o último. O rebaixamento (quênose) se dá em quatro degraus: de sua
divindade assume a condição humana, torna-se escravo, sofre a morte e morte de cruz.
Esvazia-se totalmente de qualquer dignidade; reduz-se a nada.
Esse
processo de aniquilamento, que Jesus livremente aceitou, denuncia toda espécie
de poder. Renunciou não somente à sua condição divina, mas também aos próprios
direitos naturais de uma pessoa comum. Como escravo, perdeu todas as
possibilidades de defender-se das acusações injustas e, por isso, foi condenado
e morto como “maldito”. Desse ponto mais baixo possível, é elevado pelo Pai ao
ponto mais alto. Por causa de sua obediência e humilhação até as últimas
consequências, foi exaltado por Deus, recebendo “o nome que está acima de todo
nome”.
O
rebaixamento de Jesus revela sua solidariedade radical com os últimos da
sociedade, com aquelas pessoas sem valor, desprezadas, excluídas e descartadas.
Conduziu sua vida não para a realização de seus interesses próprios. Não veio
em busca de honra e glória; veio, sim, como servidor voluntário das pessoas
necessitadas. Esse Jesus que se fez escravo nos convida ao seu seguimento. É o
nosso Mestre. Ele é Deus e Senhor de todas as coisas. A ele dobramos nossos
joelhos e prestamos homenagem, juntamente com toda a criação.
Evangelho segundo Mateus 26,14-27,66 Paixão de
Nosso Senhor Jesus Cristo
Naquele tempo, um
dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes
e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então,
trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para
entregar Jesus.
Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?
No primeiro dia da
festa dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram:
"Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" Jesus
respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre
manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto
com meus discípulos"'. Os discípulos fizeram como Jesus mandou e
prepararam a Páscoa.
Um de vós vai me trair.
Ao cair da tarde,
Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse:
"Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". Eles ficaram muito
tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou
eu?" Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão
no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito
dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca
tivesse nascido!" Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei
eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes".
Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue.
Enquanto comiam,
Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o, distribuiu-o aos discípulos,
e disse: "Tomai e comei, isto é o meu corpo". Em seguida, tomou um
cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo: "Bebei dele todos. Pois isto
é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para
remissão dos pecados. Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da
videira, até o dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu
Pai". Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras.
Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão.
Então Jesus disse
aos discípulos: "Esta noite, vós ficareis decepcionados por minha causa.
Pois assim diz a Escritura: 'Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se
dispersarão'. Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a
Galiléia". Disse Pedro a Jesus: "Ainda que todos fiquem decepcionados
por tua causa, eu jamais ficarei". Jesus lhe declarou: "Em verdade eu
te digo, que, esta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três
vezes". Pedro respondeu: "Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo
assim não te negarei". E todos os discípulos disseram a mesma coisa.
Começou a ficar triste e angustiado.
Então Jesus foi com
eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: "Sentai-vos aqui, enquanto eu
vou até ali para rezar!" Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de
Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. Então Jesus lhes disse:
"Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo!" Jesus
foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou: "Meu
Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como
eu quero, mas sim como tu queres". Voltando para junto dos discípulos,
Jesus encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: "Vós não fostes capazes de
fazer uma hora de vigília comigo? Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação;
pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca". Jesus se afastou pela
segunda vez e rezou: "Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o
beba, seja feita a tua vontade!" Ele voltou de novo e encontrou os
discípulos dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono. Deixando-os,
Jesus afastou-se e rezou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então
voltou para junto dos discípulos e disse: "Agora podeis dormir e
descansar. Eis que chegou a hora e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos
pecadores. 46Levantai-vos! Vamos! Aquele que me vai trair, já está
chegando".
Lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam.
Jesus ainda falava,
quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus.
Vinham a mandado dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. O traidor tinha
combinado com eles um sinal, dizendo: "Jesus é aquele que eu beijar;
prendei-o!" Judas, logo se aproximou de Jesus, dizendo: "Salve,
Mestre!" E beijou-o. Jesus lhe disse: "Amigo, a que vieste?"
Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. Nesse
momento, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada, e feriu o
servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus, porém, lhe disse:
"Guarda a espada na bainha! pois todos os que usam a espada pela espada
morrerão. Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai e ele me mandaria
logo mais de doze legiões de anjos? Então, como se cumpririam as Escrituras,
que dizem que isso deve acontecer?" E, naquela hora, Jesus disse à
multidão: "Vós viestes com espadas e paus para me prender, como se eu
fosse um assaltante. Todos os dias, no Templo, eu me sentava para ensinar, e
vós não me prendestes". Porém, tudo isto aconteceu para se cumprir o que
os profetas escreveram. Então todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram.
Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso.
Aqueles que
prenderam Jesus levaram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde estavam
reunidos os mestres da Lei e os anciãos. Pedro seguiu Jesus de longe até o
pátio interno da casa do Sumo Sacerdote. Entrou e sentou-se com os guardas para
ver como terminaria tudo aquilo. Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio
procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. E
nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim,
vieram duas testemunhas, que afirmaram: "Este homem declarou: 'posso
destruir o Templo de Deus e construí-lo de novo em três dias" Então o Sumo
Sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: "Nada tens a responder ao que
estes testemunham contra ti?" Jesus, porém, continuava calado. E o Sumo
Sacerdote lhe disse: "Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és
o Messias, o Filho de Deus". Jesus respondeu: "Tu o dizes. Além
disso, eu vos digo que de agora em diante vereis o Filho do Homem sentado à
direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu". Então o Sumo
Sacerdote rasgou suas vestes e disse: "Blasfemou! Que necessidade temos
ainda de testemunhas? Pois agora mesmo vós ouvistes a blasfêmia. Que vos
parece?" Responderam: "E réu de morte!" Então cuspiram no rosto
de Jesus e o esbofetearam. Outros lhe deram bordoadas, dizendo: "Faze-nos
uma profecia, Cristo, quem foi que te bateu?"
Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.
Pedro estava
sentado fora, no pátio. Uma criada chegou perto dele e disse: "Tu também
estavas com Jesus, o Galileu!" Mas ele negou diante de todos: "Não
sei o que tu estás dizendo". E saiu para a entrada do pátio. Então uma
outra criada viu Pedro e disse aos que estavam ali: "Este também estava
com Jesus, o Nazareno". Pedro negou outra vez, jurando: "Nem conheço
esse homem!" Pouco depois, os
que estavam ali aproximaram-se de Pedro e disseram: "É claro que tu também
és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia". Pedro começou a
maldizer e a jurar, dizendo que não conhecia esse homem! E nesse instante o
galo cantou. Pedro se lembrou do que Jesus tinha dito: "Antes que o galo
cante, tu me negarás três vezes". E saindo dali, chorou amargamente.
Entregaram Jesus a Pilatos, o governador.
De manhã cedo,
todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus,
para condená-lo à morte. Eles o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos,
o governador.
Não é lícito colocá-las no tesouro porque é preço de sangue.
Então Judas, o
traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as
trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
"Pequei, entregando à morte um homem inocente". Eles responderam:
"O que temos nós com isso? O problema é teu". Judas jogou as moedas
no santuário, saiu e foi se enforcar. Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes
disseram: "E contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço
de sangue". Então discutiram em conselho e compraram com elas o Campo do
Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. É por isso que aquele campo
até hoje é chamado de "Campo de Sangue". Assim se cumpriu o que tinha
dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço
do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram - e as deram em
troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou!"
Tu és o rei dos judeus?
Jesus foi posto
diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus
declarou: "É como dizes", e nada respondeu, quando foi acusado pelos
sumos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de
quanta coisa eles te acusam?" Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o
governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador
costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham
um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão
reunida: "Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus; a quem chamam
de Cristo?" Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto
Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: "Não te
envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa
dele". Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões
para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. O governador tornou a
perguntar: "Qual dos dois quereis que eu solte?" Eles gritaram:
"Barrabás". Pilatos perguntou: "Que farei com Jesus, que chamam
de Cristo?" Todos gritaram: "Seja crucificado!" Pilatos falou:
"Mas, que mal ele fez?" Eles, porém, gritaram com mais força:
"Seja crucificado!" Pilatos viu que nada conseguia e que poderia
haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão,
e disse: "Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um
problema vosso!" O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre
nós e sobre os nossos filhos". Então Pilatos soltou Barrabás, mandou
flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.
Salve, rei dos judeus! Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do
governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram
com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em
sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus
e zombaram, dizendo: "Salve, rei dos judeus!" Cuspiram nele e, pegando
uma vara, bateram na sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto
vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para
crucificar.
Com ele também crucificaram dois ladrões. Quando saíam, encontraram um homem chamado
Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E
chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer "lugar da caveira. Mi
deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber.
Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas
vestes. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de
Jesus puseram o motivo da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos
Judeus". Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à
esquerda de Jesus.
Se és o Filho de Deus, desce da cruz!
As pessoas que
passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: "Tu que ias
destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se
és o Filho de Deus, desce da cruz!" Do mesmo modo, os sumos sacerdotes,
junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: "A
outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da
cruz! e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o
ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus". Do mesmo modo, também os
dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam.
Eli, Eli, lamá sabactâni?
Desde o meio-dia
até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três
horas da tarde, Jesus deu um forte grito: "Eli, Eli, lamá
sabactâni?", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me
abandonaste?" Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: "Ele
está chamando Elias!" E logo um deles, correndo, pegou uma esponja,
ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. Outros,
porém, disseram: "Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!" Então
Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
E eis que a cortina
do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as
pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos
ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram
na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e os soldados que
estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia
acontecido, ficaram com muito medo e disseram: "Ele era mesmo Filho de
Deus!" Grande número de mulheres estava ali, olhando de longe. Elas haviam
acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. Entre elas estavam
Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
José colocou o corpo de Jesus em um túmulo novo.
Ao entardecer, veio
um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de
Jesus. Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou
que lhe entregassem o corpo. José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol
limpo, e o colocou em um túmulo novo, que havia mandado escavar na rocha. Em
seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo, e retirou-se. Maria
Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.
Tendes uma guarda. Ide, guardai o sepulcro como melhor vos parecer.
No dia seguinte,
como era o dia depois da preparação para o sábado, os sumos sacerdotes e os fariseus
foram ter com Pilatos, e disseram: "Senhor, nós nos lembramos de que
quando este impostor ainda estava vivo, disse: 'Depois de três dias eu ressuscitarei!'
Portanto, manda guardar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que
os discípulos venham roubar o corpo e digam ao povo: 'Ele ressuscitou dos
mortos!' pois essa última impostura seria pior do que a primeira". Pilatos
respondeu: "Tendes uma guarda. Ide e guardai o sepulcro como melhor vos
parecer". Então eles foram reforçar a segurança do sepulcro: lacraram a
pedra e montaram guarda. -
Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho: Esse longo texto nos introduz no clima espiritual da Semana Santa,
quando acompanhamos o processo de condenação e morte de Jesus. Ele é o Servo
sofredor por excelência, que, mesmo abandonado pelo seu grupo íntimo,
incompreendido e ultrajado, permanece fiel à sua missão.
O processo
envolve a traição de Judas, um dos doze. Ele negocia a entrega de Jesus por 30
moedas, o valor de um escravo naquela época. Apesar de Jesus conhecer a decisão
que Judas tomou, e sabendo também da tríplice negação de Pedro, não os exclui
da ceia em que institui a eucaristia, sinal de sua presença viva nas
comunidades e de sua plena doação pela vida do mundo. Judas vai arrepender-se
de seu ato, mas não consegue superar o remorso. Prefere dar fim à vida.
Diferente vai ser a atitude de Pedro, que, reconhecendo sua covardia, se
arrepende e “chora amargamente”.
O relato
ressalta a humanidade de Jesus em profundo sofrimento, no lugar do Getsêmani.
Na sua total solidão, derrama sua alma diante do Pai, em quem pode confiar
plenamente. Manifesta-lhe toda sua fraqueza, pede-lhe socorro e dobra-se à
vontade divina, mantendo-se firme na decisão de concluir sua tarefa com todas
as consequências. Os discípulos, que deveriam vigiar com Jesus e apoiá-lo nessa
hora de extrema dor, preferem abandonar-se ao sono.
Jesus passou a
vida fazendo o bem, fiel à missão que recebera do Pai. Sua fidelidade
confronta-se com os grupos de poder, concentrados na capital, Jerusalém. O
grupo da elite religiosa pertencente ao Sinédrio mantinha seu poder à custa da
exploração do povo empobrecido, legitimando suas posturas com interpretações
interesseiras da Sagrada Escritura. Apesar de anunciarem a vinda do Messias,
conforme as Escrituras, não podiam conceber que essa promessa se cumpriria na
figura de alguém despojado de poder e solidário com os fracos e pequeninos. Não
só isso: Jesus não adotou a mesma maneira dos rabinos de interpretar a palavra
de Deus e toda a tradição de Israel. Seu lugar social era outro. E, por isso,
era outro o modo de conceber as coisas. Enquanto a teologia oficial, com base
no sistema de pureza, excluía da salvação as pessoas “impuras”, Jesus revela
aos “impuros” o seu amor prioritário e oferece-lhes a salvação divina.
O Sinédrio, a
instância religiosa judaica central para julgamento das pessoas suspeitas de
crimes e de violações da Lei, procura achar um motivo convincente para condenar
Jesus. Após muitos falsos depoimentos, apresentaram-se duas testemunhas (número
mínimo necessário para a condenação de uma pessoa suspeita) que, também
falsamente, depõem contra Jesus, dizendo que ele pregava a destruição do
Templo. Foi motivo suficiente: Jesus mexera com o que havia de mais sagrado.
Era por meio do Templo que o Sinédrio alimentava o seu poder.
As autoridades
judaicas, porém, não tinham o poder de condenar uma pessoa à morte. Por isso,
Jesus é levado à instância política ligada ao império romano. Pilatos é o seu
representante. Nada percebe em Jesus que possa condená-lo. Até sua mulher lhe
manda dizer que, em sonho (considerado o meio pelo qual Deus se manifesta), lhe
fora revelado que Jesus era uma pessoa justa. Enfim, o inocente Jesus, por
pressão da elite judaica, vai ser condenado. Pilatos lava as mãos e, no lugar
de Jesus, solta Barrabás, acusado de assassinato.
A partir daí,
Jesus vai sofrer toda espécie de humilhação. É a figura de um escravo sem
defesa, entregue às mãos dos zombadores. É desnudado, vestido com um manto
vermelho, coroado de espinhos, com um caniço em sua mão direita, e cuspido no
rosto; enquanto lhe batem na cabeça, é saudado como “rei dos judeus”, uma das
acusações que o levarão à condenação. Simão Cireneu é requisitado para ajudar
Jesus a carregar a cruz, pois ele se encontra muito enfraquecido. Quando
crucificado, lançam-lhe injúrias, pedindo-lhe que salve a si próprio, já que anunciou
a destruição do Templo, outra acusação no seu julgamento.
Eis o Servo na cruz, considerado “maldito de Deus”,
conforme declara o texto do Deuteronômio (21,23). Porém, em seu sofrimento e em
sua morte, paradoxalmente, manifesta-se a total solidariedade com os sofredores
e realiza-se a redenção da humanidade. O véu do Templo se rasga de cima a
baixo: o Santo dos Santos fica exposto. A morte de Jesus “liberta” a Deus,
aprisionado pelo sistema religioso excludente. A morte de Jesus ressuscita os
mortos. Sua morte resgata a vida de todos. Nessa mesma hora, é reconhecido pelo
centurião e pelos guardas como “Filho de Deus”. (Celso Loraschi, Vida
Pastoral nº 277, Paulus)
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada 13/04/2014

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