Profecia de Daniel
3,14-20.24.49a.91-92.95 Enviou seu anjo e libertou seus servos
Naqueles
dias, o rei Nabucodonosor tomou a palavra e disse: “É verdade, Sidrac, Misac e
Abdênago, que não prestais culto a meus deuses e não adorais a estátua de ouro
que mandei erguer? E agora, quando ouvirdes tocar trombeta, flauta, cítara,
harpa, saltério e gaitas, e toda espécie de instrumentos, estais prontos a
prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Mas, se não fizerdes
adoração, no mesmo instante sereis atirados na fornalha de fogo ardente; e qual
é o deus que poderá libertar-vos de minhas mãos?”
Sidrac, Misac
e Abdênago responderam ao rei Nabucodonosor: “Não há necessidade de
respondermos sobre isto: se o nosso Deus, a quem rendemos culto, pode
livrar-nos da fornalha de fogo ardente, ele também poderá libertar-nos de tuas
mãos, ó rei. Mas, se ele não quiser libertar-nos, fica sabendo, ó rei, que não
prestaremos culto a teus deuses e tampouco adoraremos a estátua de ouro que
mandaste fazer”.
A estas
palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a
ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com
sete vezes mais fogo que de costume; e encarregou os soldados mais fortes do
exército para amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de
fogo ardente.
Os três
jovens andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e
bendizendo ao Senhor. Mas o anjo do Senhor tinha descido simultaneamente na
fornalha para junto de Azarias e seus companheiros.
O rei
Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou a seus
ministros: “Porventura, não lançamos três homens bem amarrados no meio do fogo?”
Responderam ao rei: “É verdade, ó rei”. Disse este: “Mas eu estou vendo quatro
homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto
do quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus”.
Exclamou
Nabucodonosor: “Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago que enviou seu
anjo e libertou seus servos, que puseram nele sua confiança e transgrediram o
decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro
Deus que não fosse o seu Deus.” - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: Nesta narração, como aliás,
em todas as outras do livro de Daniel a intenção do autor sagrado é oferecer
encorajamento e auxílio a seus compatriotas oprimidos pela perseguição.
A
proteção de Deus não é sempre visivelmente maravilhosa e magnífica como na
história dos três jovens, mas é necessário dar tempo ao desígnio de Deus, a fim
de poder vê-lo em seu conjunto, quer com relação a nós pessoalmente, quer na
vida da Igreja.
Então,
também de nossos corações pode prorromper, sincero e festivo, o cântico de
louvor a Deus. Às vezes Deus “manda seu anjo”, ou seja, faz perceber
exteriormente sua intervenção, mas sempre e em toda parte os acontecimentos, em
seu impulso fundamental, procedem Dele e a Ele conduzem por caminhos misteriosos.
Esta foi a fé dos três jovens e de todos os mártires. Esta deve ser a nossa fé.
Salmo:
Dn 3, 52. 53. 54. 55. 56 (R. 52b) A vós louvor, honra e glória eternamente!
Sede bendito, Senhor Deus de nossos
pais. A vós louvor, honra e glória eternamente! Sede bendito, nome santo e
glorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!
No templo santo onde refulge a vossa
glória. A vós louvor, honra e glória eternamente! E em vosso trono de poder
vitorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente!
Sede bendito, que sondais as
profundezas. A vós louvor, honra e glória eternamente! E superior aos querubins
vos assentais. A vós louvor, honra e glória eternamente!
Sede bendito no celeste firmamento. A
vós louvor, honra e glória eternamente!
Evangelho:
João 8,31-42 Se o Filho
vos libertar, sereis verdadeiramente livres
Naquele
tempo, Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: “Se permanecerdes na
minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade,
e a verdade vos libertará”. Responderam eles: “Somos descendentes de Abraão, e
nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis
livres’?”
Jesus
respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é
escravo do pecado. O escravo não permanece para sempre numa família, mas o
filho permanece nela para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, sereis
verdadeiramente livres. Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto,
procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. Eu falo o
que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai”.
Eles
responderam então: “Nosso pai é Abraão”. Disse-lhes Jesus: “Se sois filhos de
Abraão, praticai as obras de Abraão! Mas agora, vós procurais matar-me, a mim,
que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. Vós fazeis as
obras do vosso pai”.
Disseram-lhe,
então: “Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus”. Respondeu-lhes
Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, certamente me amaríeis, porque de Deus é que
eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou”. - Palavra da
Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): No
confronto com os judeus, Jesus apresentou-se como a única verdade que pode
trazer libertação. Com isto, punha em xeque a prática religiosa judaica na qual
fora educado e que era a base da fé de seus discípulos e de seus
interlocutores. Em que sentido o ensinamento de Jesus era diferente, a ponto de
proporcionar uma libertação impossível de ser alcançada por outras vias?
A
força libertadora da verdade ensinada pelo Mestre está ligada à sua origem: ele
ensinava o que havia visto junto do Pai. Suas palavras tinham uma força única
de colocar os discípulos em contato com o desígnio do Pai e estabelecer uma profunda
comunhão de amor com ele. A libertação resultava da presença amorosa do Pai no
coração do discípulo. Presença capaz de banir toda forma de egoísmo
escravizador e estabelecer relações fraternas com o próximo. Presença
suficientemente forte para arrancar o discípulo das trevas do pecado e
introduzi-lo no reino da luz. Presença humanizadora e plenificadora.
Jesus
considerava a doutrina dos judeus demasiadamente contaminada por elementos
espúrios, nem sempre compatíveis com o querer divino. De fato, de tanto se
intrometer na Lei de Deus, os judeus acabaram por desvirtuar-lhe o sentido.
As
palavras de Jesus serviam de alerta para quem desejava tornar-se discípulo.
Urgia deixar-se libertar pela verdade proclamada por ele.
Leia na íntegra:
Liturgia Diária Comentada 09/04/2014
São José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil
São Leão Magno e a fé em Jesus Cristo
Oração do Pai Nosso (Mateus 6,9-13)
Intercessão diante do Santíssimo
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja
Católica

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