Primeira Leitura: Dn 9, 4b-10 Pecamos, temos praticado a injustiça e a impiedade.
Eu te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome, falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo povo do país.
A ti, Senhor, convém a justiça; e a nós, hoje, resta-nos ter vergonha no rosto: seja ao homem de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo Israel, seja aos que moram perto e aos que moram longe, de todos os países, para onde os escorraçaste por causa das infidelidades cometidas contra ti.
A nós, Senhor, resta-nos ter vergonha no rosto: a nossos reis e príncipes, e a nossos antepassados, pois que pecamos contra ti; mas a ti, Senhor, nosso Deus, cabe misericórdia e perdão, pois nos temos rebelado contra ti, e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, indicando-nos o caminho de sua lei, que nos propôs mediante seus servos, os profetas - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: O estado de culpa invade o povo de Deus, mas como sempre na Bíblia, apesar da culpa dos homens prevalece a esperança, porque é fundada em Deus misericordioso e fiel. A Escritura, história do amor de Deus, é também uma história do pecado.
Como Israel, o homem moderno descobre grande incapacidade coletiva de amar e reconhecer que o pecado reina no mundo. Todos fomos contagiados por ele e contribuímos para isso. Também os males físicos que nos afligem têm alguma conexão com o nosso pecado. Em vez de nos unirmos para “sujeitar a Terra” ao bem de todos, por causa do pecado que está em nós, subjugamos, exploramos e fazemos o mal uns aos outros.
Entretanto a misericórdia de Deus, a graça, a vida que Jesus nos traz, são mais fortes do que o pecado. Reconhecendo-nos pecadores, tenhamos confiança na misericórdia do Pai, que nos ama mesmo quando estamos fora do caminho.
Salmo: 78, 8. 9. 11. 13 (R. 102,10a) O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas.
Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo.
Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!
Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer!
Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.
Evangelho: Lc 6,36-38 Perdoai e sereis perdoados.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos". - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): A reconciliação foi um tema fundamental do ministério de Jesus. Tudo quanto fazia visava restaurar os laços de amizade dos seres humanos entre si e com Deus. Ele foi, por excelência, um construtor de reconciliação. Portanto, um bem-aventurado!
No seu ensinamento, o Mestre mostrou a transcendência do perdão que rompe os limites do puro relacionamento humano para levar ao relacionamento das pessoas com Deus. No ato de perdoar, o discípulo do Reino decide seu destino eterno.
A ordem de Jesus – "Perdoai, e sereis perdoados!" – não expressa a reciprocidade do perdão no nível puramente humano, como se ele dissesse: na medida em quem vocês perdoarem o próximo, serão perdoados por ele. Pelo contrário, o perdão oferecido ao próximo tem, como contrapartida, o perdão recebido de Deus. Quem abre o coração e oferece o perdão a seu semelhante, restabelecendo o relacionamento fraterno encontrará no Pai um coração aberto para perdoá-lo e acolhê-lo.
Conclui-se da ordem de Jesus que, quem não perdoa, não receberá o perdão do Pai, pois a falta de comunhão com o semelhante é indício de ruptura com o Pai. Assim, o discípulo do Reino busca construir um relacionamento sólido com o Pai, por meio da comunhão com o seu semelhante. É ilusório querer trilhar um caminho diferente.
Leia na íntegra:
Liturgia
Diária Comentada 17/03/2014
“Com
os Jovens no Ano da Esperança” - Dom José Antonio Aparecido
Pe.
Raniero Cantalamessa “Precisamos de um retorno à interioridade”
II
Domingo da Quaresma ano “A” - Pe. Cesar Augusto dos Santos

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