Aos nossos personagens vou dar o nome de Joãozinho e
Mariazinha, dois irmãos bem conhecidos. Que Joãozinho é um menino travesso
todos nós sabemos, mas o que as estorinhas não contam é que Mariazinha é bem
mais.
Os dois estavam a brincar na sala quando Joãozinho
desequilibrou e sem querer derrubou o vaso herança de sua avó. Desesperado pelo
alto valor afetivo do mesmo e sabendo que ninguém iria acreditar que foi um
acidente, juntou os cacos e jogou fora antes que a mãe retornasse do trabalho.
O que Joãozinho não sabia é que sua mãe tinha instalado um sistema de segurança
que monitorava todo o apartamento.
Mariazinha que presenciou o ocorrido nada relatou a mãe, mas
em contrapartida todas as suas tarefas domesticas foram transferidas para o
irmão em troca do seu silêncio, e assim todas as vezes que a mãe convocava
Mariazinha, Joãozinho se oferecia para substitui-la.
O tempo foi passando e Joãozinho já não aguentava mais, não
pelo fato de estar sendo chantageado pela irmã, mas por está enganando sua mãe,
e por ver o quanto ela andava triste. Não suportando mais o remorso decidiu
contar tudo, assumir as consequências, e acabar com o seu tormento; mesmo
correndo o risco de entristecer mais ainda sua mãe, mesmo correndo o risco de
magoa-la ao ponto de perder o seu amor, Joãozinho prostrou-se diante da mãe e
chorando tudo confessou.
Espantado ficou Joãozinho quando sua mãe o tomou pela mão,
levanto-o e lhe deu um forte abraço, e declarou que tinha visto tudo, mas que o
amor que sentia por ele era maior do que todos os erros que ele pudesse
cometer.
Mesmo tendo visto tudo – falou a mãe – por respeito a sua decisão
de calar, eu também calei, mas digo que isso me entristeceu, doía-me a alma não
saber até quando você seria escravo do seu medo.
A estória de Joãozinho é também a nossa, com uma única diferença,
a nossa é real. Muitas vezes nos afastamos da misericórdia de Deus e preferimos
mesmo que inconscientemente, sermos instrumentos de vingança na mão do inimigo.
O inimigo utilizando-se da nossa fraqueza, do nosso medo, achata nossa
dignidade, nos afunila em um mundinho imperfeito, cheio de falsos valores, nos
tornando dependentes de nós mesmo.
Tornamo-nos prisioneiros dos nossos erros ao ponto de
esquecermos que temos um Pai que tem como sobrenome “amor incondicional”; sim, Aquele que nos amou primeiro, que nos ama
desde sempre e que nos amará por todo o sempre. Independente de quem somos ou
do que fazemos, Ele sempre estará de mãos estendidas para nos levantar e de
braços abertos para nos confortar, basta que tomemos a firme decisão de deixarmos
de ser bonecos na mão do diabo que nos condena, para sermos filhos e filhas nas
mãos do Deus que nos perdoa.
Texto Ricardo e Marta
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