O Monge e o Noviço
Um monge de idade bem avançada foi designado para apresentar
o mundo a um noviço. Saindo do mosteiro puseram-se a caminhar sem destino
certo. O noviço cheio da vitalidade gerada pela mocidade caminhava a passos
largos, como se tivesse urgência de chegar a algum lugar, andava apressado como
se aquele fosse seu ultimo dia de vida; já o monge, tendo a consciência de que
devagar se vai ao longe parecia ter todo tempo do mundo.
O jovem noviço caminhava a frente sem se dar conta do que
fazia o velho monge, tudo que via resolvia em dois tempos, sentia-se importante,
pois com suas mãos firmes e raciocínio rápido, tudo fazia quase que automaticamente,
é certo que vez por outra nem tudo saia como planejado, e irritado transferia a
culta para o velho monge, um lerdo e inútil. É logico que nada falava por
respeito, mas guardava toda a mágoa em seu coração, infelizmente isso fazia com
que a caminhada se tornasse um fardo muito pesado.
Seguiram caminhando um dia inteiro sem encontrar local para descanso,
já ao cair da tarde a beira de um lago, se depararam com uma pousada onde o
proprietário, por deboche ou simplesmente por pura falta de imaginação, deu-lhe
o nome de “entregue as moscas”, - vale ressaltar que a mesma fazia jus ao nome - um
local deplorável, caindo aos pedaços.
Avistando o local ainda de longe o jovem noviço gritou: “até
que enfim, pensei que ia morrer nesta floresta”, e saiu correndo não tendo
tempo para ouvir o velho monge dizer: “obrigado senhor pela tua misericórdia”.
Ao chegar à estalagem o jovem fica completamente
decepcionado com o que ver, ele esperava belas acomodações, tratamento cinco
estrelas, mas como a fome e o cansaço eram maior sentou-se a mesa e apressadamente
falou: “não quero nem saber se a comida está crua, eu quero é comer traga-me
qualquer coisa”.
Em seguida entra o monge, sentou-se, analisou calmamente o
ambiente, olhou o cardápio e vendo que havia vários tipos de sopa pediu: “por
favor, traga-me a sopa mais quente que você tiver.” O jovem noviço não entendeu
a ação do monge, mas também não ousou perguntar. O esperado é que após um dia
de fome se deseje comer um boi.
Passado algum tempo eis que as refeições são servidas, o
noviço tão logo começou a comer, também começou a reclamar, tinha de comer com
uma mão e com a outra evitar que as moscas pousassem em seu prato. Vendo que o
velho monge comia calmamente exclamou: “todas as moscas do restaurante resolveram
vir para o meu prato, olha o seu não tem nenhuma”. Serenamente o monge
transmite o ensinamento: “em prato quente não pousa mosca”.
Terminada a refeição o noviço em um tom eloquente diz: “quero
uma cama e nada mais”, em contrapartida o velho monge sai a caminhar, aprecia o
luar, maravilha-se com o brilho das estrelas, e após esse breve momento contemplando
a criação retorna ao seu quarto e dorme tranquilamente. Já o noviço, passou boa
parte da noite revirando-se de um lado para o outro da cama – é o que dá comer
demais e ir dormir. Precisa dizer quem amanheceu calmo e sereno e quem
despertou irritado e mal-humorado.
De volta ao mosteiro os amigos perguntaram ao noviço: “como
foi a experiência?”. O jovem respondeu: “o pior dia da minha vida, somente
coisas ruins aconteceram, não tirei proveito algum”.
Em outra sala o superior pergunta ao velho monge: “como foi
a experiência?”. O velho monge respondeu: “maravilhosa, nunca pensei que em um
único dia tantos ensinamentos pudessem ser transmitidos, espero que o jovem
noviço tenha se deixado contagiar pela misericórdia de Deus”.
Texto: Católicos com Jesus
Como é gostoso se deixar contagiar pela misericordia de Deus!
ResponderExcluirMuito bom, é preciso aprender apreciar e agradecer as maravilhas de Deus.
ResponderExcluirmuitas vezes precisamos que tudo dá errado em nossas vidas para valorizarmos tudo de bom que o quanto Deus é maravilhoso nós é que somos egoísta não queremos aprender com o velho mongi, obrigado senhor por ter me ensina tantas coisas maravilhosas no meu dia a dia. Amém
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