Papa Francisco aos catecúmenos: “Caminhar em alegria com
Jesus”
Queridos catecúmenos. Este momento conclusivo do “Ano da Fé”
conta com a presença de vocês, aqui reunidos com seus catequistas e familiares,
que representam também tantos outros homens e mulheres que, em diversas partes
do mundo, estão fazendo este mesmo percurso de fé. Vocês vieram de vários
países, de tradições culturais e de experiências diferentes. Entretanto, nesta
tarde, sentimos ter tantas coisas em comum, sobretudo uma: o desejo de Deus.
Este desejo é evocado pelas palavras do Salmista: “Como o
cervo anseia pelos cursos de água, assim a minha alma anseia por vós, ó Deus. A
minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a face de Deus?” (Sal
42,2-3). Como é importante manter vivo este desejo, este anseio de encontrar o
Senhor e fazer experiência Dele, do Seu amor, da Sua misericórdia! Se faltar
esta sede do Deus vivo, a fé arrisca se tornar costumeira, arrisca se apagar,
como o fogo que não é fomentado.
A narração do Evangelho (cf. Jo 1,35-42) nos apresenta João
Batista que indica Jesus aos seus discípulos como o Cordeiro de Deus. Dois
deles seguem o Mestre e depois, por sua vez, se tornam “mediadores”, que
permitem aos outros encontrarem o Senhor, conhecê-lo e segui-lo.
Há três momentos nesta narração que se referem à experiência
do catecumenato: em primeiro lugar, a escuta. Os dois discípulos ouviram o
testemunho de Batista. Vocês também, queridos catecúmenos, escutaram aqueles
que lhes falaram sobre Jesus e lhes propuseram segui-Lo, tornando-se, assim,
seus discípulos por meio do Batismo. No tumulto de tantas vozes que ressoam em
torno de nós e dentro de nós, vocês ouviram e aceitaram a voz que lhes indicava
Jesus como o único que pode dar pleno sentido às suas vidas.
O segundo momento é o encontro. Os dois discípulos encontram
o Mestre e permanecem com Ele. Depois de encontrá-Lo, sentem logo uma coisa
nova em seus corações: a exigência de transmitir a sua alegria também aos
outros, para que todos O possam encontrar. De fato, André encontra seu irmão
Simão e o conduz a Jesus. Quanto faz bem contemplar esta cena!
Recorda-nos que Deus não nos criou para ficarmos sós,
fechados em nós mesmos, para poder encontrá-Lo e para nos abrir ao encontro com
os outros. Deus vem primeiramente junto a cada um de nós; e isto é maravilhoso!
Na Bíblia, aparece sempre como aquele que toma a iniciativa do encontro com o
homem: é Ele que procura o homem, e normalmente o procura justamente enquanto o
homem vive a amarga e trágica experiência de trair Deus e fugir Dele. Deus não
espera pra ir procurá-lo: vai imediatamente. É um descobridor paciente o nosso
Pai! Ele nos precede e nos espera sempre. Não se afasta de nós, mas tem a
paciência para aguardar o momento favorável ao encontro com cada um de nós. E
quando o encontro acontece, nunca é apressado, porque Deus quer ficar muito
tempo conosco para nos apoiar, consolar, para doar-nos a sua alegria. Como nós rumamos
a Ele e o desejamos, Ele também tem desejo de estar conosco porque pertencemos
a Ele, somos uma sua “coisa”, somos suas criaturas. Ele também, podemos dizer,
tem sede de nós, de nos encontrar.
O último trecho da narração é o caminhar. Os dois discípulos
caminham rumo a Jesus e depois percorrem um pouco da estrada junto com Ele. É
um ensinamento importante para todos nós. A fé é um caminho com Jesus... e dura
toda a vida. No fim, estará lá. Certo, em alguns momentos deste caminho, nós
nos sentimos cansados e confusos. A fé, porém, nos dá a certeza da presença
constante de Jesus em toda situação, até mesmo na mais dolorosa ou difícil de
entender. Somos chamados a caminhar para entrar sempre mais no profundo do
mistério do amor de Deus, que é maior que nós, e nos permite viver com
serenidade e esperança.
Queridos catecúmenos, vocês hoje iniciam o caminho do
catecumenato. Espero que o percorram com alegria, certos do apoio de toda a
Igreja, que deposita em vocês tanta confiança. Maria, a discípula perfeita, os
acompanha: é bonito sentir que ela é a nossa Mãe na fé! Convido vocês a
manterem o entusiasmo dos momentos que os fizeram abrir os olhos à luz da fé; a
recordar, assim como o discípulo amado, o dia e a hora em que pela primeira vez
vocês sentiram Jesus, Seu olhar sobre vocês. E assim, terão sempre certeza do
amor fiel do Senhor. Ele nunca os trairá!
Fonte: News.va
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