Dia de Finados: Porque orar pelos mortos?
Os nossos irmãos que se encontram no purgatório não têm mais como
santificar-se por si só, somos nós agora que devemos orar e interceder por eles
não só hoje neste dia instituído pela Igreja, mas em todos os dias do ano.
A Igreja ensina-nos que as almas em purificação podem ser
socorridas pelas orações dos fiéis. Assim, este dia é dedicado à memória dos
nossos antepassados e entes que já partiram. No sentido de fazer-nos solidários
para com os necessitados de luz e também para reflexão sobre nossa própria
salvação.
Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o
século V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois concílios importantes,
confirmou o culto no século VII. Tempos depois, em 998, por determinação do
abade Santo Odilo, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a
celebrar "o dia de todas as almas", que já ocorria na comunidade no
dia seguinte à festa de Todos os Santos. A partir de então, a data ganhou
expressão em todo o mundo cristão.
Em 1311, Roma incluiu, definitivamente, o dia 2 de novembro
no calendário litúrgico da Igreja para celebrar "Todos os Finados".
Somente no inicio do século XX, em 1915, quando a morte, a sombra terrível,
pairou sobre toda a humanidade, devido a I Guerra Mundial, o papa Bento XIV
oficiou o decreto para que os sacerdotes do mundo todo rezassem três missas no
dia 2 de novembro, para Todos os Finados.
O que diz a Palavra de Deus: (Tobias
12,12) - Pois bem, quando oravas, tu e Sara, eu apresentei o memorial da vossa
prece na presença da claridade do Senhor. Da mesma forma o fiz, quando
sepultavas os mortos. (II Macabeus
12,43-46) - Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de
duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um
sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a
ressurreição. De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que
tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. Mas,
considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para o que
adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis
por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que
fossem absolvidos do seu pecado.
Porque
orar pelos mortos? (Dom Anuar
Battisti)
Ao aproximar-se do dia de finados, quero partilhar com vocês algumas
reflexões bíblico-teológicas sobre este tema. A fé que nos anima, faz dar
sentido a tudo o que fazemos, desde um abraço, até o perdão por uma ofensa
grave. Tudo na vida de quem crê tem um sentido sobrenatural, que vai além de
uma visão puramente humana. Diante do enigma da morte, por maior que seja a
capacidade humana, nunca chegará a entender porque Deus escolheu este caminho.
O livro dos Salmos nos garante que não fomos feitos para a corrupção. “Disso se
alegra meu coração, exulta a minha alma; também meu corpo repousa seguro, pois
não vais abandonar minha vida no sepulcro, nem vais deixar que teu santo
experimente a corrupção. O caminho da vida me indicarás, alegria plena à tua
direita, para sempre”(Salmo 16,6-11). Para quem vive somente para este mundo,
não pode ver sentido na morte e nem mesmo encontrar razão para rezar por
aqueles que amamos na terra e que continuamos amando sempre.
Paulo apóstolo, escrevendo aos Coríntios afirma: “O mesmo se dá com a
ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível;
semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza,
ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual”(1Cor
15,41-42). As Escrituras também atestam que é uma obra de misericórdia sepultar
os mortos,(cf.Tb 1,15-20). “Puseram-se em oração, suplicando que o pecado
cometido fosse totalmente cancelado. Fizeram uma coleta individual, reuniram
duas mil moedas de prata e mandaram a Jerusalém, a fim de que fosse oferecido
um sacrifício pelos pecados. Se não tivesse esperança na ressurreição dos que
tinham morrido na batalha, seria coisa inútil rezar pelos mortos. Mas
considerando que existe uma bela recompensa guardada para aqueles que são fiéis
até a morte, então esse é um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou
oferecer um sacrifício pelos pecados dos que tinham morrido, para que fossem
libertados do pecado.(II Mac 12, 42-45).
Acreditamos que Jesus ressuscitado, nosso Senhor, é fonte de esperança
para todos os que depositam nele a sua fé: Ele nos faz participantes da sua
Vida. A tal ponto que, no fim da nossa vida, não é o nada o que nos espera, mas
a vida eterna na plenitude de Deus; Ele nos “chamou das trevas para a sua luz
maravilhosa”(1Pd 2,9). A razão de orar pelos que já partiram e por aqueles que
ainda ficaram só tem sentido se crermos na ressurreição, como disse o Mestre
Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja
morto, viverá” (Jo11,25). O apóstolo das nações entendeu profundamente esse
mistério que chega afirmar aos Romanos: “Se o espírito daquele que ressuscitou
Cristo dentre os mortos habita em vós, Aquele que ressuscitou Cristo dentre os
mortos vivificará também vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em
vós”(Rm, 8,11).
Jesus nos previne de um fato que é determinante para alcançar a glória e
a recompensa eterna. “Não fiqueis admirados com isso, pois vem a hora em que
todos os que estão nos túmulos ouvirão sua voz, e sairão. Aqueles que fizeram o
bem ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a
condenação”(Jo 5,28,29). Portanto somos co-responsáveis para alcançar a
recompensa, seja aqui na terra nos ajudando a corresponder ao amor de Deus,
como depois da separação, vale recordar, vale lembrar, vale orar, pois “para
Deus tudo é possível”. Orar é amar e para quem ama não existe separação
de tempo e nem de espaço. O céu começa aqui.
Fonte: Edições Paulinas -
CNBB - Dom Anuar Battisti
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