sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dia de Finados: Porque orar pelos mortos?

Dia de Finados: Porque orar pelos mortos?

Os nossos irmãos que se encontram no purgatório não têm mais como santificar-se por si só, somos nós agora que devemos orar e interceder por eles não só hoje neste dia instituído pela Igreja, mas em todos os dias do ano.

A Igreja ensina-nos que as almas em purificação podem ser socorridas pelas orações dos fiéis. Assim, este dia é dedicado à memória dos nossos antepassados e entes que já partiram. No sentido de fazer-nos solidários para com os necessitados de luz e também para reflexão sobre nossa própria salvação.

Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o século V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois concílios importantes, confirmou o culto no século VII. Tempos depois, em 998, por determinação do abade Santo Odilo, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a celebrar "o dia de todas as almas", que já ocorria na comunidade no dia seguinte à festa de Todos os Santos. A partir de então, a data ganhou expressão em todo o mundo cristão.



Em 1311, Roma incluiu, definitivamente, o dia 2 de novembro no calendário litúrgico da Igreja para celebrar "Todos os Finados". Somente no inicio do século XX, em 1915, quando a morte, a sombra terrível, pairou sobre toda a humanidade, devido a I Guerra Mundial, o papa Bento XIV oficiou o decreto para que os sacerdotes do mundo todo rezassem três missas no dia 2 de novembro, para Todos os Finados.

O que diz a Palavra de Deus: (Tobias 12,12) - Pois bem, quando oravas, tu e Sara, eu apresentei o memorial da vossa prece na presença da claridade do Senhor. Da mesma forma o fiz, quando sepultavas os mortos. (II Macabeus 12,43-46) - Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. Mas, considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para o que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado.

Porque orar pelos mortos? (Dom Anuar Battisti)

Ao aproximar-se do dia de finados, quero partilhar com vocês algumas reflexões bíblico-teológicas sobre este tema. A fé que nos anima, faz dar sentido a tudo o que fazemos, desde um abraço, até o perdão por uma ofensa grave. Tudo na vida de quem crê tem um sentido sobrenatural, que vai além de uma visão puramente humana. Diante do enigma da morte, por maior que seja a capacidade humana, nunca chegará a entender porque Deus escolheu este caminho. O livro dos Salmos nos garante que não fomos feitos para a corrupção. “Disso se alegra meu coração, exulta a minha alma; também meu corpo repousa seguro, pois não vais abandonar minha vida no sepulcro, nem vais deixar que teu santo experimente a corrupção. O caminho da vida me indicarás, alegria plena à tua direita, para sempre”(Salmo 16,6-11). Para quem vive somente para este mundo, não pode ver sentido na morte e nem mesmo encontrar razão para rezar por aqueles que amamos na terra e que continuamos amando sempre.

Paulo apóstolo, escrevendo aos Coríntios afirma: “O mesmo se dá com a ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual”(1Cor 15,41-42). As Escrituras também atestam que é uma obra de misericórdia sepultar os mortos,(cf.Tb 1,15-20). “Puseram-se em oração, suplicando que o pecado cometido fosse totalmente cancelado. Fizeram uma coleta individual, reuniram duas mil moedas de prata e mandaram a Jerusalém, a fim de que fosse oferecido um sacrifício pelos pecados. Se não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria coisa inútil rezar pelos mortos. Mas considerando que existe uma bela recompensa guardada para aqueles que são fiéis até a morte, então esse é um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou oferecer um sacrifício pelos pecados dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado.(II Mac 12, 42-45).

Acreditamos que Jesus ressuscitado, nosso Senhor, é fonte de esperança para todos os que depositam nele a sua fé: Ele nos faz participantes da sua Vida. A tal ponto que, no fim da nossa vida, não é o nada o que nos espera, mas a vida eterna na plenitude de Deus; Ele nos “chamou das trevas para a sua luz maravilhosa”(1Pd 2,9). A razão de orar pelos que já partiram e por aqueles que ainda ficaram só tem sentido se crermos na ressurreição, como disse o Mestre Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo11,25). O apóstolo das nações entendeu profundamente esse mistério que chega afirmar aos Romanos: “Se o espírito daquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos habita em vós, Aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós”(Rm, 8,11). 

Jesus nos previne de um fato que é determinante para alcançar a glória e a recompensa eterna. “Não fiqueis admirados com isso, pois vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão sua voz, e sairão. Aqueles que fizeram o bem ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação”(Jo 5,28,29). Portanto somos co-responsáveis para alcançar a recompensa, seja aqui na terra nos ajudando a corresponder ao amor de Deus, como depois da separação, vale recordar, vale lembrar, vale orar, pois “para Deus tudo é possível”.  Orar é amar e para quem ama não existe separação de tempo e nem de espaço. O céu começa aqui.


Fonte: Edições Paulinas - CNBB - Dom Anuar Battisti

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