11,1-14 – O Reino de Deus está próximo
A chegada de Jesus em Jerusalém gera muitas expectativas, tantos sinais, tantas coincidências, a época do ano, tudo acontecendo em um clima de euforia, com certeza preocupava os discípulos e chamava a atenção de todos os grupos que se encontravam na cidade. Vamos analisar?
Primeiro vamos nos situar, Jerusalém a cidade de Davi, cidade sagrada considerada como o local que Deus escolheu para morar, local de encontro entre Deus e os homens, onde se localiza o Templo, lugar de onde jorram as bênçãos, a salvação, e onde a Lei é revelada.
Jesus chegou numa época bem próxima da páscoa, donde podemos deduzir que a cidade estava fervilhando de peregrinos. Muitos eram os sentimentos que habitavam em Jerusalém acerca do Messias, já falamos anteriormente sobre eles, mas não custa relembrar.
Os fariseus queriam um Messias que impusesse a Lei, o povo e acredito que os discípulos também, esperavam um Deus triunfante, os zelotas se contentavam com um messias que destituísse o poder romano, já os sacerdotes, bem, esses tinham uma posição muito confortável junto aos romanos, como diz o ditado, para que mexer em time que está ganhando.
Acontece que inesperadamente adentra Jesus em Jerusalém, montado em um jumento e sendo aclamado pelo povo. O fato de vir em uma monta tão humilde tranquilizou os romanos, pois se fosse um guerreiro estaria em um cavalo, mas o que foi sinal de tranquilização para uns, foi inquietação para outros. Os judeus conheciam as escrituras, o profeta Zacarias já tinha falado acerca do Messias: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento” (Zc 9,9). E agora, qual será o próximo passo de Jesus?
Os sacerdotes com certeza não gostaram da visão, o agitador, o impuro, o que se sentava a mesa com os pecadores, aquele que perdoou pecados, agora estava dentro de seus domínios e sendo aclamado pelo povo.
Jesus ao entrar em Jerusalém dirigiu-se direto ao Templo, não se detém em lugar algum, uma forma de dizer que tinha chegado o momento de denunciar todos os escândalos que estavam sendo cometidos contra Deus.
Põe-se a porta do Templo, observa calmamente a que ponto chegou à degradação do sagrado, dando meia volta (ele que tanto falava), vai embora sem pronunciar uma palavra, ou seja, entra mudo e sai calado. Estranha a atitude de Jesus!
Estranha sim, mas carregada de simbolismo, existem momentos em que uma ação vale mais que mil palavras. Então vejamos: a parte central do Templo o local onde Deus estava, era reservado só aos sacerdotes, o fato do Messias não entrar significava dizer que ele não comungava com a atitude deles, que não avalizava a maneira como conduziam o povo. Retirar-se sem entrar no Templo (ele que estava sendo aclamado como Messias), era dizer ao povo que no que se refere a Deus, nada mais esperassem dos sacerdotes. E para os discípulos ficava a mensagem de que Jesus não seria um Messias majestoso e triunfante.
11,11-14.20-26 – O Poder da oração e do perdão
Obs.: Ler os dois textos como um só.
Aparentemente Jesus comete uma injustiça, amaldiçoou uma planta que não tinha frutos mesmo sabendo que não era época de figos. Certo? Claro que não! A figueira foi o instrumento para denunciar o contra testemunho do Templo.
Jesus visita o Templo e o que encontra é apenas muita pompa, muito luxo e nenhum fruto, não vê a semente da esperança, o tempo em que vivia os judeus era de espera, aguardavam a vinda do Messias, os sacerdotes tinham a obrigação de alimentar a fé do povo, infelizmente o que faziam era condenar e excluir.
Os discípulos ao verem a figueira seca, ficam perplexos com o poder da palavra de seu Mestre. Jesus como sempre não perde a chance de catequizar, esclarece que se nos entregamos completamente à ação de Deus, se confiamos sem reservas, seremos capazes de realizar prodígios. Finaliza advertindo que todas as graças de Deus são operadas através da oração e do perdão. Somente um coração contrito e puro está apto a ser mensageiro da Boa Nova.
11,15-19 – Minha casa é uma casa de oração.
Vamos primeiro colocar ordem na casa para que você entenda a reação de Jesus.
Pessoas de diversas classes sociais vinham de todos os lugares para apresentar sacrifícios e oferendas no Templo. A moeda romana era considerada impura, portanto não se podia oferta esmola com dinheiro romano, então era necessário alguém para fazer a troca do dinheiro por um que fosse puro.
Com relação aos sacrifícios as pessoas de maior posse ofereciam ovelhas, já os pobres ofertavam pombas. Devido à grande distância que alguns percorriam tornava-se difícil transportar os animais, assim, tendo uma pessoa vendendo era uma coisa boa, como também se fazia necessário o vendedor de comida, entre outros. Acontece que devido à ambição dos que prestavam esses serviços a coisa saiu de controle e o que era bom, tornou-se ruim.
O pátio externo do Templo (que também é um local sagrado) transformou-se em um verdadeiro mercado, e como se não bastasse a ganância e a exploração chegou a um patamar insuportável.
Observe as atitudes de Jesus: “expulsou os que vendiam e compravam”, o Templo é local de oração. “Derrubou a mesa dos cambistas”, o motivo é simples, o ágio que era cobrado pela troca das moedas era assustador, uma verdadeira extorsão. “Acabou com a venda de pombas”, porque as pombas se eram a oferta dos pobres. O valor exorbitante cobrado justamente de quem não tem quase nada, não condiz com a casa de Deus.
11,27-33 – A fraqueza espiritual
"Com que direito fazes isto? Quem te deu autoridade para fazer essas coisas?" (v.28). A pergunta dos sacerdotes não estava restrita aos últimos acontecimentos, mas a tudo que ele tinha feito e falado. Jesus não só falava com autoridade, mas transformava sua palavra em ação, e isso era assustador, pois nunca tinham visto algo parecido.
Jesus tendo consciência de sua missão e por falar em nome de Deus, não estava preocupado com o que poderia lhe acontecer, já a fraqueza espiritual dos sacerdotes faz com que recuem do confronto por temerem a reação do povo.
Texto: Ricardo e Marta
Revisão: Padre Rivaldo
Fontes de Pesquisa:
· Atlas Bíblico (Wolfgang Zwicket - Ed. Paulinas)
· Bíblia Tradução Ecumênica (Ed. Loyola)
· Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas)
· Bíblia Sagrada Pastoral (Ed. Paulus)
· Bíblia Ave-Maria (Ed. Ave-Maria)
· Dicionário Bíblico (Ed. Paulus)
· Dicionário de Símbolos (Ed. Paulus)
· Coleção como ler (Ed. Paulus)

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