"Eu sei muito
bem que é assim. Como pode um homem ter razão diante de Deus? Se alguém
quisesse disputar com Deus, este não lhe responderia uma só vez entre mil. Qual
o sábio ou forte que se opôs a ele, e saiu ileso? Ele desloca as montanhas sem
que elas percebam e, na sua ira, as arranca do lugar. Ele abala os alicerces da
terra, e as colunas dela estremecem. Ele manda que o sol não se levante, e
esconde as estrelas. Ele sozinho estende o céu, e caminha sobre as ondas do
mar. Ele criou a Ursa e o Órion, as Plêiades e constelações do Sul. Ele faz
prodígios insondáveis e maravilhas sem conta. Ele passa junto a mim, e eu não o
vejo. Roça em mim, e eu nem sinto.
Se apanha uma
presa, quem a tirará dele? Quem poderá dizer-lhe: 'O que estás fazendo?' Deus não reprime a sua própria ira, e debaixo
dele se curvam as legiões de Raab. Muito menos eu lhe poderei responder, ou
escolher argumentos contra ele. Mesmo que eu tivesse razão, não receberia
resposta, e teria que implorar misericórdia ao meu juiz. Mesmo que eu o
convocasse e ele me respondesse, não creio que me daria atenção. - Palavra do Senhor.
Comentário (deusunico.com): Jó admite a justiça de Deus,
mas proclama que ela é um mistério. Quem poderá disputar com o Criador
Todo-Poderoso? Ele não somente cria, mas também modifica a sua criação,
inclusive dominando as forças do mal, que ameaçam destruí-la. Além disso, Deus
é inatingível: embora próximo do homem, escapa totalmente a uma percepção
sensível.
Acima
de tudo, Jó possui o senso de Deus, o senso da transcendência divina. Não pode
o homem discutir com Deus; a distância entre Deus e o homem é infinita. Como
poderia Jó descobrir o sentido do sofrimento, se Deus se cala? (v. 11). A
melhor sabedoria é o silêncio do homem, é aceitar o insondável mistério de
Deus. Nisto mesmo, porém, Deus se manifesta.
O
silêncio de Deus já é revelação, é um convite ao homem para se desfazer de suas
pretensões, para ter confiança em Deus; convite de abandono ao seu amor. É fé e
graça. Um dia, talvez próximo, na medida da profundeza da docilidade. Deus nos
enviará sua Palavra. Mas será então uma Palavra crucificada, promessa e
garantia de ressurreição.
Salmo:
87,10bc-11.
12-13. 14-15 (R. 3a)
Chegue a minha oração até a vossa presença!
Clamo a vós, ó Senhor sem cessar, todo o
dia, minhas mãos para vós se levantam em prece. Para os mortos, acaso, faríeis
milagres? poderiam as sombras erguer-se e louvar-vos?
No sepulcro haverá quem vos cante o amor
e proclame entre os mortos a vossa verdade? Vossas obras serão conhecidas nas
trevas, vossa graça, no reino onde tudo se esquece?
Quanto a mim, ó Senhor, clamo a vós na aflição,
minha prece se eleva até vós desde a aurora. Por que vós, ó Senhor, rejeitais a
minh'alma? E por que escondeis vossa face de mim?
Evangelho
de Jesus Cristo segundo São Lucas 9,57-62
Naquele tempo, Enquanto caminhavam, um homem lhe
disse: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás. Jesus replicou-lhe: As
raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde
reclinar a cabeça.
A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor,
permite-me ir primeiro enterrar meu pai. Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os
mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.
Um outro ainda lhe falou: Senhor, seguir-te-ei, mas
permite primeiro que me despeça dos que estão em casa. Mas Jesus disse-lhe:
Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.
- Palavra da Salvação.
Comentário (Padre Jaldemir
Vitório / Jesuíta): Cada uma das três cenas de encontro de Jesus com pessoas chamadas a
segui-lo, ilustra a radicalidade do seguimento. É preciso uma grande dose de
despojamento para dar o passo. Sem isto, essa experiência ficaria sem feito, já
nos seus inícios.
A
primeira cena aponta para o destino de pobreza e insegurança a que estão
fadados os seguidores de Jesus. Ele mesmo sabia-se desprovido de segurança
oferecida por uma estrutura familiar, ou qualquer outra. Não podia contar com
nada que lhe pudesse oferecer estabilidade. Sua existência era realmente
precária, sob o ponto de vista material. Estava sempre na dependência da
generosidade alheia.
A segunda
cena, sem pretender pôr em discussão as obrigações próprias da piedade filial,
indica estar o discípulo a serviço do Reino da vida. É inútil preocupar-se com
a morte física, pois esta é vista na perspectiva da ressurreição. Assim, não é
falta de piedade, no caso do discípulo em missão, estar ausente por ocasião do
enterro do próprio pai. A certeza da ressurreição permite-lhe manter-se em
comunhão com o ente querido, para além da morte física.
A
terceira cena mostra como o chamado do Reino não suporta delongas. Nada de
despedidas demoradas, adiamentos sem fim, desculpas sucessivas. Ao ser chamado,
o discípulo deve estar disposto a romper com o passado e lançar-se, de cheio,
no serviço do Reino.
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada
01/10/2014 Quarta-feira TERESINHA DO MENINO JESUS
Santa Teresinha do Menino
Jesus - Doutora da Igreja
Cristo, na cruz, ensina-nos a
amar - Papa Francisco
CATÓLICOS
COM JESUS: GRAÇA E PAZ
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