Assim diz o Senhor: “Vós andais dizendo: ‘A conduta do
Senhor não é correta’. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é
correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?
Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre,
é por causa do mal praticado que ele morre. Quando um ímpio se arrepende da
maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se
de todos os seus pecados, com certeza viverá, não morrerá”.- Palavra do Senhor.
Comentário (deusunico.com): Ezequiel fala ao grupo dos
exilados que está na Babilônia. Por que foram exilados? A ideia de moral grupal
dizia que uma geração acaba pagando pelos erros de gerações anteriores. Nesse
modo de pensar os exilados estariam fatalmente pagando pelo acúmulo de erros
antepassados. O profeta, porém, vai contra essa concepção, e demonstra o
seguinte: cada pessoa e cada geração é responsável por sua conduta, tanto em
nível individual como coletivo. Cada pessoa e geração tem a possibilidade de se
converter, mudando completamente a orientação da própria vida.
Ezequiel
não nega que uma geração possa sofrer consequências de atos da geração
anterior. Embora a culpa seja das gerações anteriores, aquela que sofre as
consequências deverá tomar posição e mudar o rumo dos acontecimentos. Ezequiel
levanta um problema candente: o problema da responsabilidade em lace do pecado
e do sofrimento que dele resulta. Existe certamente um pecado coletivo: a
Bíblia fala especialmente do pecado do povo.
Jesus
é "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). O mal da
humanidade é considerado como uma só e enorme pecaminosidade. Mas o profeta
acautela contra o perigo que se pode esconder nesta visão: o risco de lançar
sobre a coletividade ou sobre Deus toda a responsabilidade, ficando surdo a
todo apelo à conversão individual; o risco de esquecer que a luta profunda
entre o bem e o mal se trava no coração do homem.
Afirmam
os bispos latino-americanos que, no contexto de injustiça institucionalizada
que gera uma "situação de pecado social", "não teremos um
continente novo sem novas estruturas, mas sobretudo não existirá ali um
continente novo sem homens novos que, à luz do Evangelho, saibam ser
verdadeiramente livres e responsáveis".
Salmo:
24,4bc-5.6-7.8-9
(R. 6a)
Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e
fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação; em vós espero, ó Senhor, todos os dias!
Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão que são eternas! Não recordeis os meus pecados quando
jovem, nem vos lembreis de minhas faltas e delitos! De mim lembrai-vos, porque
sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!
O Senhor é piedade e retidão, e reconduz
ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres
ele ensina seu caminho.
Segunda Leitura: Carta de São Paulo aos
Filipenses 2,1-11
Irmãos: se existe consolação na vida em Cristo, se existe
alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e
compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos
no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por
competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais
importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. Tende
em vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.
Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser
igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de
escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se
a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que
está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu,
na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!” para
a glória de Deus Pai. - Palavra do Senhor.
Comentário (deusunico.com): Paulo convida a comunidade a
evitar as divisões causadas pelo espírito de competição, pelo desejo de receber
elogios e pela busca dos próprios interesses. Tais vícios denotam o fechamento
egoísta e a autopromoção à custa dos outros. A comunidade deve zelar pela
harmonia interna e, para isso, é necessário que haja humildade, cada um
considerando os outros superiores a si, e que o empenho tenha sempre em vista o
bem comum.
Citando
um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da cruz, o Evangelho
autêntico, e apresenta em Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma
condição de Deus, Jesus apresentou entre os homens como simples homem. E mais:
abriu mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas homem que obedece a Deus e
serve aos homens. Não bastasse isso, Jesus serviu até o fim, perdendo a honra
ao morrer na cruz, como se fosse criminoso.
Por
Deus o ressuscitou e o colocou no posto mais elevado que possa existir, como
Senhor do universo e da história. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo:
abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a
serviço dos outros, até o fim.
Evangelho:
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 21,28-32
Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo:
“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele
disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’.
Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a
mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois
fez a vontade do Pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O
primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade eu vos digo que os cobradores de
impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até
vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os
cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo
isso, não vos arrependestes para crer nele”. - Palavra da Salvação.
Comentário (Padre Jaldemir
Vitório / Jesuíta): Jesus, tendo sido questionado pelos chefes religiosos, membros do
Sinédrio (cf. 15 dez), passa à ofensiva e lhes propõe uma parábola simples, sem
grandes detalhes.
Na
parábola, um dos filhos, de início, rejeitou o pedido do pai para ir trabalhar
na vinha, porém depois fez conforme o pai pedira. O outro filho concordou logo,
mas, efetivamente, não o fez. Agora é Jesus quem pergunta aos chefes judeus:
"Qual dos dois fez a vontade do pai?".
Diante
da resposta dos chefes, reconhecendo que foi o primeiro filho quem fez a
vontade do pai, Jesus volta a colocar em evidência o testemunho de João
Batista: os chefes religiosos judeus não fizeram a vontade do Pai ao rejeitarem
o caminho da justiça anunciado por João. Porém os excluídos, publicanos e
prostitutas, que eram considerados pecadores, fizeram a vontade do Pai quando
creram e aderiram a João.
O
próprio João Batista, dirigindo-se a estes chefes, proclamara: "Raça de
víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, então
frutos de arrependimento e não penseis que basta dizer: ´Temos por pai a
Abraão´"... (Mt 3,7b-9). É contundente e profundamente subversiva a
sentença final de Jesus: "Em verdade vos digo que os publicanos e as
prostitutas vos precedem no Reino de Deus". Porque os publicanos e as
prostitutas acreditaram em João, mas os chefes de Israel, não.
Os
marginais acolhem Jesus e as elites o rejeitam. É a expressão de uma sociedade
fundada em valores e estruturas equivocados. Suas elites se afirmam em torno do
poder e do dinheiro e humilham, exploram e excluem os humildes, fracos,
pequenos e pobres. Estes se unem em torno de Jesus que se fez igual a eles
(segunda leitura).
Para
Deus o essencial é a prática atual da justiça e do amor, independentemente do
passado ou de pretensos direitos religiosos adquiridos (primeira leitura).
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada
28/09/2014 Domingo 26ª Semana Comum
26º Domingo do Tempo Comum -
Pe. Cesar Augusto
Novena de São Miguel Arcanjo –
21 a 29 de Setembro
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