Buscai o Senhor,
enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto. Abandone o ímpio
seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá
piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão.
Meus pensamentos
não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos,
diz o Senhor. Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus
pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra. - Palavra do Senhor.
Comentário (deusunico.com): Numa sociedade dominada pelo
ídolo dinheiro, o povo gasta tudo o que tem e acaba na sede e fome. O profeta
convida a uma nova aliança com Deus que coloca a vida humana como supremo
valor, transformando todas as relações sociais e assegurando a todos alimento e
dignidade. A realização desse projeto atrairá os povos, porque verão que esse é
o verdadeiro projeto para a vida.
Deus
tem um projeto de verdadeira realização para a história: liberdade e vida para
todos. Esse projeto é revelado aos homens através da Palavra que, gerando
acontecimentos, concretiza o projeto de Deus. A sabedoria do homem consiste em
procurar Deus, isto é, converter-se para ele, ouvir a sua palavra e tornar-se
aliado seu na luta em prol da liberdade e vida para todos.
Salmo:
144,2-3.8-9.17-18
(R. 18a)
O Senhor está perto
da pessoa que o invoca!
Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de
louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.
Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é
amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua
ternura abraça toda criatura.
É justo o Senhor em seus caminhos, é santo
em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele
que o invoca lealmente.
Segunda
Leitura: Carta de São Paulo aos Filipenses 1,20c-24.27a
Irmãos: Cristo vai
ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte.
Pois, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na
carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que
escolher.
Sinto-me atraído
para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo - o que
para mim seria de longe o melhor - mas para vós é mais necessário que eu
continue minha vida neste mundo. Só uma coisa importa: vivei à altura do
Evangelho de Cristo. - Palavra do
Senhor.
Comentário (deusunico.com): Paulo provavelmente tem meios
para ser solto da prisão e escapar à morte. Mas encontra-se num dilema: viver
ou morrer? No contexto da sua fé, as duas coisas se equivalem: viver é estar em
função de Cristo, ou seja, da evangelização; e morrer é lucro, pois leva a
estar com Cristo. Paulo resolve o dilema, não levando em conta seu próprio
interesse, mas o que é melhor para a comunidade: continuar vivo, para ajudar os
filipenses a crescer e se realizar plenamente na fé.
Grande
exemplo de perseverança, mesmo que os planos de Deus se tornem
incompreensíveis, é-nos dado na leitura da epístola aos Filipenses. O cristão
vive unicamente para Deus, não em função de recompensas por méritos pessoais.
Qualquer que seja a situação, boa ou ruim, deve perseverar no bem e na busca de
agradar unicamente a Deus, seguindo em frente sem hesitar.
O
cristão não deve desanimar nunca, mesmo se, depois de repetidos esforços, sentir-se
fracassado ou mesmo perseguido, como o apóstolo Paulo. É necessário confiar
somente em Deus, pois só ele pode dar eficácia à atividade humana. Mesmo sem
entender o que acontece consigo, o cristão deve viver de modo digno do
evangelho (v. 27).
Evangelho
de Jesus Cristo segundo Mateus 20,1-16a
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus
discípulos: "O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de
madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os
trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha.
Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu
outros que estavam na praça, desocupados, e lhes disse: 'Ide também vós para a
minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo'. E eles foram. O patrão saiu de
novo ao meio-dia e às três da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez
pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes
disse: 'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?' Eles responderam: 'Porque
ninguém nos contratou'. O patrão lhes disse: 'Ide vós também para a minha
vinha'.
Quando chegou a tarde, o patrão disse ao
administrador: 'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos,
começando pelos últimos até os primeiros!' Vieram os que tinham sido
contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida
vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais.
Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. Ao receberem o
pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 'Estes últimos trabalharam
uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia
inteiro'.
Então o patrão disse a um deles: 'Amigo, eu não fui
injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta
para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a
ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me
pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?' Assim, os últimos serão
os primeiros, e os primeiros serão os últimos". - Palavra da Salvação.
Comentário (Padre Jaldemir
Vitório / Jesuíta): As parábolas narrativas são caracterizadas por sua extensão e por seus
detalhamentos. Esta de hoje é exclusiva de Mateus. No cenário aparecem o dono
da vinha, imagem característica na tradição de Israel, e os trabalhadores
desocupados na praça, cena característica de uma cidade grega.
Uma
parábola dá margem a uma pluralidade de interpretações. Estes
"desocupados" não eram indolentes, mas curtiam a amargura da busca de
um trabalho para a sobrevivência diária, excluídos pelo sistema social.
Comumente se vê na parábola a expressão da simples generosidade do proprietário
que convocou os operários. Com pena dos últimos, decidiu dar-lhes o mesmo que
aos outros.
Outra
interpretação pode ser a compreensão do significado do trabalho. O trabalho não
é mercadoria que se vende, avaliado pela eficiência do trabalhador que produz.
O trabalho é o meio de subsistência das pessoas e da família, bem como é serviço
à comunidade, pela partilha de seus frutos. Todos têm direito ao essencial para
a sua sobrevivência.
Na
parábola, a todos foi dado o necessário para a sobrevivência de um dia,
independentemente da quantidade de sua produção. O fruto do trabalho é uma
extensão do próprio trabalhador. A venda deste fruto por um salário é uma
alienação da dignidade do trabalhador e da trabalhadora. É vender uma parte do
seu ser, uma extensão de seu próprio corpo, para a acumulação de riqueza e
prazer de outro.
A
conversão da injustiça para a justiça é o seguimento do caminho de Deus
(primeira leitura) que leva à prática de uma cidadania no resgate da dignidade
humana e da vida (segunda leitura).
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada 21/09/2014
Domingo 25ª Semana Comum
Oração à Sagrada Família -
Papa Francisco
CATÓLICOS
COM JESUS: GRAÇA E PAZ
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