Primeira
Leitura: Profecia de Miquéias 5,1-4a
Assim diz o Senhor: 'Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os
mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua
origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade.
Deus deixará seu povo ao abandono, até o tempo em que a mãe
der a luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. EIe
não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do
Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até
os confins da ferra, e ele mesmo será a paz - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia (Comentário Bíblico, Edições Loyola, 1999):
A
dinastia tem de resgatar seus humildes começos; não Sião, mas Belém, chamada
também de Éfrata (1Sm 17, 12; Sl 132, 6). A “origem antiga” pode remontar à
genealogia do final de Rute. Quando Mateus aplica este versículo ao
Messias, muda ou lê “não és a menor” (Mt 2,6), sem contradizer o que implica o
original. A tradição cristã, prolongando a sugestão de Mateus, leu neste
versículo a origem eterna do Messias.
A
restauração anunciada tem um momento previsto, que o profeta só pode propor num
enigma. Suas duas peças se referem ao crescimento do povo por dois fatores:
porque as mulheres voltam a dar à luz, porque os desterrados voltam a reunir-se
com seus irmãos (cf. Is 7,14; 9, 5 e 10, 21s). Aquela que dá à luz é qualquer
mulher judia, e também a capital personificada como matrona. Os que voltam
podem ser os israelitas do reino do Norte ou os judeus depois de um desterro
previsto. “Mãe” e “irmãos” imprimem a esta profecia um tom familiar.
Os
falsos profetas rejeitam a visão humilde de Miquéias, aplicando o esquema de Is
14, 24-27. Os pastores serão capitães, a vitória será obtida pelas armas e a
Assíria será submetida à vassalagem, mesmo que encarne o legendário Nemrod, caçador
e guerreiro. (Gn 10, 8-12)
Salmo:
70(71),6;
Sl 12(13),6 (R. Is 61,10)
Exulto de alegria no
Senhor.
Sois meu apoio desde antes que eu
nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo: para vós o meu louvor
eternamente!
uma vez que confiei no vosso amor, meu
coração, por vosso auxílio, rejubile, e que eu vos cante pelo bem que me
fizestes!
Evangelho
de Jesus Cristo segundo Mateus 1,1-16.18-23
Abraão gerou lsaac; lsaac gerou Jacó; Jacó gerou
Judá e seus irmãos. Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou
Esrom; Esrom gerou Aram; Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson
gerou Salmon; Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe
era Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, daquela
que tinha sido mulher de Urias. Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias
gerou Asa; Asa gerou Josafá, Josafá gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; Ozias gerou
Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias;
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo
do exílio da Babilônia. Depois do exílio
na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim;
Eliaquim gerou Azor; Azor gerou Sadoc;
Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud;
Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matá; Matá gerou Jacó. Jacó gerou
José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo.
A origem de Jesus foi assim: Maria, sua mãe, estava
prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida
pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo
denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. Enquanto José pensava nisso,
eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: "José, filho
de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu
pela ação do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de
Jesus, pois ele vai salvar seu povo dos seus pecados". Tudo isso aconteceu
para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: "Eis que a virgem
conceberá e dará à luz um filho, ele será chamado pelo nome de Emanuel, que
significa: Deus está conosco. - Palavra
da Salvação.
Comentando o Evangelho (Antônio
Carlos Santini / Com. Católica Nova Aliança):
A
Liturgia escolheu este Evangelho para a festa da Natividade de Nossa Senhora.
Nele, temos o registro da genealogia de Jesus Cristo, de Abraão a José, esposo
de Maria, seguida da cena da "Anunciação a José". E é neste episódio
que o Anjo do Senhor esclarece o justo José sobre a natureza da gravidez de Maria:
"É obra do Espírito Santo".
Ora,
a obra do Espírito não começa por aí. Desde o início, quando "pairava
sobre as águas" (Gn 1, 2), Deus já agia simultaneamente em dois campos: a
Criação e a Salvação. E o Espírito Santo sempre trabalhou em ambas as
"obras". É neste sentido que devemos prestar atenção à fastidiosa
relação de nomes, desde Abraão até José: enquanto passa o tempo, ao longo da
história humana, Deus se "prepara" para agir. As promessas feitas a
Abraão, renovadas a Davi, hão de cumprir-se em José, da tribo de Davi, do povo
de Abraão, da raça de Noé. Afunilando-se, "especializando-se", Deus
se vale de mediações humanas para cumprir a promessa de Aliança com os homens.
Mas
Deus decidira que o próprio homem devia colaborar e participar em sua obra. Nas
conhecidas palavras de Santo Agostinho, "o Deus que te criou sem ti, não
te salvará sem ti". Por isso mesmo, os Padres da Igreja
"dataram" a missão de Maria - a missão de gerar o Filho de Deus na
carne dos homens - desde toda a eternidade. Isto é, nos desígnios de Deus,
Maria estava eternamente em seu pensamento. Como disse o poeta, falando em nome
de Maria, "a Criação estava por nascer / e o Senhor se agradou de
mim..."
Na
festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria, devemos recordar o seu
especial privilégio: desde sua concepção, tendo em conta sua futura missão de
acolher no próprio ventre o Filho de Deus, Cordeiro sem mancha, Maria foi
preservada de todo pecado. "Em vista dos méritos de seu Filho, foi
redimida de um modo mais sublime." (LG, 53.)
Conforme
comenta o Catecismo da Igreja Católica, "Os Padres da tradição oriental
chamam a Mãe de Deus ‘a toda santa' (Panhaghia), celebram-na como ‘imune de
toda mancha de pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo, e formada como
nova criatura'. Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado
pessoal ao longo de toda a sua vida." (CIC. 493)
À
imitação de Maria, abramos todo o nosso ser à ação do Espírito de Deus.
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada
08/09/2014 Segunda-feira NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA
Natividade de Nossa Senhora –
Festa
Setembro o mês da bíblia
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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