Quando falamos em pastoreio, logo duas imagens nos vêm à
mente: a do pastor e da ovelha. A figura do pastor nos ajuda a entender melhor
as habilidades necessárias para se exercer a função de pastorear. Já a figura
da ovelha, com suas características e demandas específicas, nos faz refletir
sobre o ato do pastoreio. Com isso, compreendemos que para mergulhar no tema do
ano da RCC, não podemos esquecer que nosso chamado ao pastoreio é aquele que
nos coloca ora como pastores, ora como ovelhas.
I – Figura do pastor
Encontramos na Sagrada Escritura diversas citações
referindo-se a pastores e ao trabalho do pastoreio. Desde o Antigo Testamento há o chamado para o
pastoreio das ovelhas do Senhor como no livro do profeta Ezequiel 34,11 -16.
Nessa referência bíblica, aprendemos que o pastor cuida de suas ovelhas
conforme as necessidades dela. Isso nos ajuda a entender que, antes de fazermos
o pastoreio como um ato prático, precisa cair em nosso coração o chamado a ser
pastores segundo aquilo que Deus sonhou para nós.
E esse modelo de pastoreio apresentado pelo profeta no
Antigo Testamento se tornou concreto em Jesus, como podemos perceber em João
10, 11 “Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a vida pelas suas
ovelhas”. Na pessoa de Jesus,
encontramos duas maneiras distintas de ensinar as pessoas. Ele ensinava
multidões e a pessoa de forma individual. A multidão que seguia Jesus pedia por
cura, milagres, prodígios e as pregações poderosas do Senhor manifestavam o que
aquele povo precisava ver e sentir. Ele pregou para multidões, mas seu trabalho
mais importante foi formar discípulos. Tomou os doze para acompanhá-lo,
formá-los, fazê-los crescer. Dos doze, Jesus escolhe três e ainda dos três,
escolheu um para ser o líder: Pedro! Nós também seremos chamados a trabalhar
dessa forma: em certos momentos ensinar multidões e em outros, formar
discípulos.
Outro ponto importante é nos darmos conta que se hoje
podemos conhecer, viver e proclamar a Palavra, foi porque antes de nós vieram
discípulos que foram fieis aos ensinamentos de Jesus. Então, nós, mesmo na qualidade de pastores ,
não podemos esquecer de sentar aos pés do mestre. Viver o pastoreio é viver aos pés de Jesus.
Ainda no capítulo 10 do Evangelho de João, Jesus nos ensina
“Eu sou a porta das ovelhas”(v 7). Naquela época, pastores diferentes e
rebanhos diferentes se encontravam nos prados para passar a noite. As ovelhas
passavam pelo portão. Era comum que ficasse naquele espaço mais de um pastor e,
em algumas situações, os pastores podiam contratar vigias para auxiliar no
trabalho. Entretanto, quando aparecia um lobo e o vigia se via em perigo,
muitas vezes ele fugia e deixava a vida das ovelhas expostas. “Por isso Jesus
vem dizer que é a porta, pois Ele protege as ovelhas de qualquer perigo e está
sempre vigilante. Este é o papel que nós ,lideres, deveríamos exercer,
remetendo-se sempre a Jesus que cuida das ovelhas contra o lobo e o ladrão. O
verdadeiro pastor não dá só o aconchego para as ovelhas, dá defesa. Eu sou a
porta também significa eu defendo as ovelhas”[1]. O pastor se expõe pelas
ovelhas, não parando diante dos sofrimentos e das tribulações, mas dando a vida
pelo rebanho.
II – A quem
pastoreamos
Ao assumirmos uma coordenação, não estamos apenas assumindo
um trabalho, mas uma missão linda e exigente: pastorear filhos amados de
Deus. Nesse ponto, a figura da ovelha
nos auxilia a entender melhor algumas coisas importantes. Sabemos que as
ovelhas, são animais ingênuos que não sabem diferenciar entre as boas e más
pastagens. Aqui, podemos ver como Deus
confia em nós ao nos dar essa missão. Isso porque pastorear, muitas vezes, é
cuidar das ovelhas que estão feridas, machucadas, distantes. Pessoas que, antes
de se encontrarem com Jesus, se encontraram com os vícios, com as suas
realidades todas desordenadas. Como pastores, podemos ser os primeiros a ajudar
esses irmãos a ordenarem suas histórias de vida para o amor.
Além disso, a ovelha é impulsiva, principalmente em relação
à comida. Quando encontra boas pastagens, ela come de forma descontrolada ao
ponto de correr o risco de cair e, por não conseguir levantar, morrer por
asfixia. Para evitar que isso aconteça, o pastor precisa andar no meio das
ovelhas e erguê-las caso estejam caídas. Podemos comparar essa característica
da ovelha com a empolgação de muitas pessoas no início da sua caminhada de fé.
Muitos irmãos ficam tão animados que querem fazer tudo, participar de tudo, ao
ponto de descuidarem de outros aspectos da vida como família, trabalho,
estudos. O pastor precisa direcionar para que a pessoa não pule etapas em sua
caminhada de forma a incentivar um amadurecimento sólido e evitar grandes
decepções e feridas.
Outra característica marcante da ovelha é ser medrosa.
Quando a ovelha não ouve a voz conhecida do seu pastor, ela fica muito
amedrontada e se torna presa fácil para o lobo. Sendo assim, a presença e a voz
do pastor precisam dar segurança para a ovelha. O que falamos dentro das
instâncias que coordenamos, tem um peso muito grande para o povo. Mais que telefonar, mandar e-mail, ver se
está tudo bem, precisamos ter uma voz de comando e assumir uma posição de risco
para defender o rebanho. Sendo assim, se tem fofoca no meio do nosso Grupo,
precisamos pontuar. Se as pessoas estão sem comprometimento, precisamos ir
atrás. Se alguém está doente ou afastado, vamos visitar. Precisamos aprender a
ser vínculo de unidade. Viver o pastoreio é promover a unidade e defender o
nosso povo, nosso Movimento, o nosso ministério.
III – Como deve
pastorear?
Toda profissão apresenta características próprias de sua
função, isso não é diferente com o pastor. Uma das primeiras características,
se não a mais importante, se refere à pergunta que Jesus faz a Pedro: “Amas-me
mais que esses?”(cf Jo 21,15). O amor é
essencial para exercer o ofício do pastor.
Toda a visão do líder também precisa partir do amor, pois a
postura que se espera do pastor é se seja sempre ele quem vá a busca das
ovelhas. Para tanto, é importante que os líderes saibam formar equipes de
pastoreio para auxiliá-los nessa missão e que conheçam bem o Movimento ao qual
pertencem a fim de que possam conduzir todo rebanho às boas pastagens e às
águas refrescantes.
Com visão ampla e conduta de zelo que proporcione o contato
fraterno entre todos que faz parte do rebanho, o pastor deve expor a sua vida
por amor. Aquele que vive o amor espalha a fragrância de Cristo, o perfume da
santidade e reflete que é pessoa de
oração e que vive orientado pela Palavra de Deus. É com uma vida cheia de
frutos do Espírito Santo que se legitima um pastor.
Lucimar Maziero
Grupo de Oração Javé
Chammá
Núcleo Nacional do
Ministério de Formação – RCCBRASIL
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