Assim fala o Senhor: “Vou mostrar a santidade do meu grande
nome, que profanastes no meio das nações. As nações saberão que eu sou o Senhor
– oráculo do Senhor Deus –, quando eu manifestar minha santidade à vista delas
por meio de vós. Eu vos tirarei do meio das nações, vos reunirei de todos os
países, e vos conduzirei para a vossa terra.
Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados. Eu
vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos. Eu vos darei um
coração novo e porei um espírito novo dentro de vós. Arrancarei do vosso corpo
o coração de pedra e vos darei um coração de carne; porei meu espírito dentro
de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus
mandamentos. Habitareis no país que dei a vossos pais. Sereis o meu povo e eu
serei o vosso Deus”.
- Palavra do Senhor.
Comentando (Missal Cotidiano): Deus é santo e intervém para libertar os homens do
pecado, das falsas divindades que os próprios crentes veneram, quando elevam
ideais, coisas, meios, a valores absolutos. Diz Ezequiel que Deus lança fora
estas “sujeiras” (ídolos) para renovar internamente o homem, tornando “novos”
seu espírito e seu coração.
É como uma “nova criação” (cf Gn
2,7) na qual é comunicado ao homem um novo princípio de vida, uma nova
capacidade de pensar e viver, capacidade divina, porque verdadeiramente “humana”.
Muitas vezes o próprio povo de Deus, que somos nós, “desonra” o nome de Deus:
devemos todos bater no peito por nossas próprias infidelidades; do contrário
não nascerá um “renovado” povo de Deus, empenhado na salvação de todos, na
ajuda e perdão recíproco.
Salmo:
50,12-13.
14-15. 18-19 (R. Ez 36,25)
Eu hei de derramar
sobre vós uma água pura, e de vossas imundícies sereis purificados.
Criai em mim um coração que seja puro,
dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,
nem retireis de mim o vosso santo Espírito!
Dai-me de novo a alegria de ser salvo e
confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e
para vós se voltarão os transviados.
Pois não são de vosso agrado os
sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha
alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!
Evangelho:
Mt 22,1-14
Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas
aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: O Reino dos Céus é como a
história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os
seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir.
O rei mandou outros empregados, dizendo: Dizei aos convidados: já preparei o
banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto.
Vinde para a festa! Mas eles não fizeram caso: um foi para o seu campo, outro
para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os
mataram. O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles
assassinos e incendiar a cidade deles.
Em seguida, o rei disse aos empregados: A festa de
casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide às
encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes.
Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram,
maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados.
Quando o rei entrou para ver os convidados observou
ali um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: Amigo, como
entraste aqui sem o traje de festa? Mas o homem nada respondeu. Então o rei
disse aos que serviam: Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na
escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, e
poucos são escolhidos. - Palavra da
Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre
Jaldemir Vitório / Jesuíta):
A
parábola evangélica resulta numa releitura da história de Israel e da Igreja. O
convite para participar do banquete preparado pelo rei, por ocasião do
matrimônio de seu filho, expressa o amor de Deus por seu povo. O povo eleito
era o convidado especial para participar do lauto banquete. Nada mais natural
do que responder afirmativamente, pois ter sido objeto da deferência de um rei
é algo de extrema relevância.
Os
convidados, porém, recusam-se a comparecer, apesar da insistência do rei que,
por duas vezes, enviou seus emissários para convencê-los a vir. Estes não
fizeram caso. Cada um foi para os seus afazeres. Pior ainda, pegaram os servos,
maltrataram-nos, e os mataram. Simbolicamente aqui está retratada a atitude
insensata do povo de Israel que se recusou a ouvir os apelos à conversão, que
lhe foram dirigidos através dos séculos, por meio dos profetas. Por isso, foi
castigado com a destruição, pelas mãos dos romanos.
Estando
pronto o banquete e tendo os primeiros convidados sido indignos de participarem
dele, o rei mandou seus emissários pelos caminhos para reunirem maus e bons, de
forma que a sala do banquete ficou repleta. Em outras palavras, tendo Israel
recusado o convite divino, este foi dirigido aos pagãos que o acolheram, de
maneira a formar o verdadeiro povo de Deus, a Igreja.
LEIA NA ÍNTEGRA:
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