Ezequiel
servirá para vós como sinal: fareis exatamente o que ele fez.
A palavra do Senhor
foi-me dirigida nestes termos: “Filho do homem, vou tirar de ti, por um mal
súbito, o encanto de teus olhos. Mas não deverás lamentar-te nem chorar ou
derramar lágrimas. Geme em silêncio, sem fazer o luto dos mortos. Põe o
turbante na cabeça, calça as sandálias nos pés, sem encobrir a barba, nem comer
o pão dos enlutados”.
Eu tinha falado ao
povo pela manhã, e à tarde minha esposa morreu. Na manhã seguinte, fiz como me
foi ordenado. Então o povo perguntou-me: “Não nos vais explicar o que têm a ver
conosco as coisas que tu fazes?” Eu respondi-lhes: “A palavra do Senhor foi-me
dirigida nestes termos: Fala à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Vou
profanar o meu santuário, o objeto do vosso orgulho, o encanto de vossos olhos,
o alento de vossas vidas.
Os filhos e as
filhas, que lá deixastes, tombarão pela espada. E fareis assim como eu fiz: Não
cobrireis a barba, nem comereis o pão dos enlutados, levareis o turbante na
cabeça, as sandálias nos pés, sem vos lamentar nem chorar. Definhareis por
causa de vossas próprias culpas, gemendo uns para os outros. Ezequiel servirá
para vós como sinal: Fareis exatamente o que ele fez; quando isso acontecer,
sabereis que eu sou o Senhor Deus”. -
Palavra do Senhor.
Comentário (Missal Cotidiano):
Um
drama familiar torna-se símbolo vivo do drama nacional. A própria vida do
profeta é anúncio de uma imensa dor. Muitas vezes a dor do coração petrifica;
externamente isto pode parecer insensibilidade, entretanto a dor é tão profunda
e opressiva, que não vem à tona. É o caso de quem sofre intimamente pelos seus
e não pode sequer exprimir-se porque seria incompreendido, desprezado, talvez
causa de piores males.
Neste
caso, resta apenas falar com Deus, esperar nele. Mas Deus não é indiferente,
insensível às nossas dores? Não. Deus é amor, e não conseguimos compreender a
força desse amor. Deus vive as nossas dores em seu profeta e vivê-las-á ao
máximo em Jesus, o maior dos profetas, filho de Deus e homem entre os homens.
Deus não se alegra com nossos males, chama-nos à conversão para nos libertar
deles (Ez 18, 23.32; 33,11). E Jesus dirá que Deus se rejubila com a conversão
do pecador (Lc 15)
Salmo:
Dt
32,18-19. 20. 21 (R. Cf. 18a) Esqueceram o Deus que os gerou.
Da Rocha que te deu à luz te esqueceste,
do Deus que te gerou não te lembraste. Vendo isto, o Senhor os desprezou,
aborrecido com seus filhos e suas filhas.
E disse: Esconderei deles meu rosto e
verei, então, o fim que eles terão, pois, tornaram-se um povo pervertido, são
filhos que não têm fidelidade.
Com deuses falsos provocaram minha ira,
com ídolos vazios me irritaram; vou provocá-los por aqueles que nem povo são,
através de gente louca hei de irritá-los.
Evangelho:
Mt 19,16-22
Se tu queres ser
perfeito, vai, vende tudo o que tens, e terás um tesouro no céu.
Naquele tempo, alguém aproximou-se de Jesus e
disse: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Jesus
respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é o Bom. Se queres
entrar na vida, observa os mandamentos”. O homem perguntou: “Quais
mandamentos?”
Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás
adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua
mãe, e ama teu próximo como a ti mesmo”. O jovem disse a Jesus: “Tenho
observado todas essas coisas. Que ainda me falta?”
Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai,
vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu.
Depois, vem e segue-me”. Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de
tristeza, porque era muito rico. - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre
Jaldemir Vitório / Jesuíta):
O
apego exagerado aos bens materiais é um terrível empecilho para o seguimento de
Jesus. A dinâmica deste seguimento vai exigindo rupturas sempre mais radicais.
Quem não está livre para fazê-las, ficará na metade do caminho.
Na
piedade judaica tradicional, a observância dos mandamentos da Lei mosaica era o
primeiro passo a ser dado pelo fiel. Muitos se contentavam com este primeiro
passo. Outros, como era o caso de uma tendência do farisaísmo, reduzia a
observância do Decálogo a pura exterioridade. Os mestres da Lei, por sua vez,
detinham-se em interpretações minuciosas dos mandamentos, complicando ainda
mais a observância deles.
O
mero cumprimento dos mandamentos não é suficiente para tornar alguém discípulo
do Reino e herdeiro da vida eterna.
Jesus
desafiou um jovem a desfazer-se de tudo quanto possuía, distribuindo seus bens
entre os pobres, para fazer-se discípulo do Reino e tornar-se herdeiro da vida
eterna. O rapaz, que havia sido fiel em guardar os mandamentos, não se sentiu
preparado para fazer o que lhe faltava. O apego aos seus bens impediu-o de
aceitar a sugestão de Jesus. E foi-se embora todo perturbado! Quem talvez
esperasse um elogio acabou desiludido por ter sido incapaz de optar pela
liberdade radical.
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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