É justo, irmãos, celebrar a Vinda do Senhor com a máxima
devoção possível, tanto o Seu conforto nos deleita […] e tanto o Seu amor nos
abrasa.
Mas não penseis apenas na Sua primeira Vinda, quando Ele
veio para «buscar e salvar o que estava perdido» (Lc 19,10); pensai também
neste outro Advento, quando Ele vier para nos levar Consigo. Quereria ver-vos
constantemente ocupados a meditar nesses dois Adventos […] repousando entre
estes dois abrigos, porque estes são os dois braços do Esposo nos quais
repousava a Esposa do Cântico dos Cânticos: «a Sua Mão esquerda descansa sobre
a minha cabeça, e a Sua direita abraça-me» (Ct 2,6). […]
Mas há uma terceira Vinda entre as duas que mencionei, e os
que a conhecem podem descansar para seu deleite. As outras duas são visíveis;
esta não o é. Na primeira, o Senhor «apareceu sobre a Terra, onde permanece
entre os homens» (Br 3,38) […]; na última, «toda a criatura verá a Salvação de
Deus» (Lc 3,6; Is 40,5). […] A do meio é secreta; é aquela em que só os eleitos
veem o Salvador dentro de si próprios, e em que a sua alma é salva.
Na Sua primeira Vinda, Cristo veio na nossa carne e na nossa
fraqueza; na Sua Vinda intermédia, vem em Espírito e Poder; na Sua última
Vinda, virá na Sua Glória e Majestade.
Mas é pela força das virtudes que chegamos à Glória, como
está escrito: «O Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória» (Sl 23,10); e no
mesmo Livro: «para ver o Vosso Poder e a Vossa Glória» (Sl 62,3). Portanto, a
segunda Vinda é como o caminho que leva da primeira à última.
Na primeira, Cristo foi nossa Redenção; na última, aparecerá
como nossa Vida; na Sua Vinda intermédia, é nosso repouso e nossa consolação.
(São Bernardo de Claraval, "Sermões para o
Advento", 4-5)
Colaboração: Robert - Duto Engenharia

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