Primeira
Leitura: At 8,5-8.14-17 Impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o
Espírito Santo.
Naqueles dias,
Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. As multidões
seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam,
pois viam os milagres que ele fazia. De muitos possessos saíam os espíritos
maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram
curados. Era grande a alegria naquela cidade.
Os apóstolos, que
estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e
enviaram lá Pedro e João. Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria,
para que recebessem o Espírito Santo. Porque o Espírito ainda não viera sobre
nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. Pedro e
João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. - Palavra do Senhor.
Comentário (Vida
Pastoral nº 253, Paulus, 2007): A morte de Estêvão foi o estopim para que em
Jerusalém explodisse a perseguição contra os cristãos de cultura grega, à
frente dos quais estava o próprio Estêvão. Por causa dela, os fiéis se dispersaram.
Lucas vê nesse fato a chance providencial que a comunidade tem de levar o
anúncio da palavra de Deus aos que ainda não a conhecem. Se em Jerusalém o
anúncio provocou perseguição, na Samaria suscitará contentamento. Temos aqui
uma das grandes forças da palavra de Deus: a capacidade de confraternizar povos
inimigos (compare com Lc 9,51ss). De fato, judeus e samaritanos detestavam-se
mutuamente. Agora, a Samaria acolhe o anúncio da Palavra, feito por intermédio
de Filipe, um dos sete ministros (8,5; cf. 6,5).
Filipe é apresentado como modelo de evangelizador
que sai de Jerusalém para levar o testemunho a todos (cf. 1,8). Fica, assim,
caracterizado o tipo da comunidade evangelizadora: a que não põe fronteiras ao
trabalho pastoral. A missão do evangelizador é prolongamento do que Jesus disse
e fez. Consta de anúncio e de fatos. Filipe anuncia o Cristo (v. 5) e realiza
milagres (v. 6). As duas atividades estão unidas entre si. Anunciar o Cristo é
já mostrá-lo presente na ação concreta. Por isso, a pregação de Filipe é
acompanhada pela expulsão dos espíritos maus e pela cura de paralíticos e
aleijados (como fez o próprio Jesus). Em outras palavras, anunciar o Cristo é
eliminar tudo o que aliena e despersonaliza o ser humano (demônios), dando às
pessoas condições para que assumam responsavelmente a própria caminhada (cura
dos paralíticos e aleijados). O clima que esses acontecimentos suscita é o da
alegria messiânica (cf. 2,46; Lc 2,10), que contagia a quantos aceitam Jesus
como o Libertador e Senhor de suas vidas (v. 8).
A Igreja de Jerusalém toma conhecimento do que a
palavra de Deus realizou na Samaria. E envia para lá Pedro e João (v. 14). Sua
tarefa é completar a evangelização mediante a oração e a imposição das mãos. Os
samaritanos recebem o Espírito Santo. No plano de Lucas, realiza-se o
Pentecostes dos pagãos (os samaritanos eram considerados pagãos pelos judeus).
O Espírito vai conduzindo a evangelização, fazendo que muitos povos se integrem
ao único povo messiânico. O Espírito não é propriedade dos apóstolos. Estes,
sim, são servos do Espírito, pois ele os conduz e impulsiona. Assim, de acordo
com At 1,8, os discípulos de Jesus se tornam testemunhas na Judéia (Jerusalém),
na Samaria e até nos confins do mundo (o resto do livro dos Atos), pois o Espírito
da Verdade (cf. evangelho) é o dinamismo da comunidade cristã missionária.
Salmo:
65,1-3a.4-5.6-7a.16.20
(R.1.2a) Aclamai o Senhor Deus,
ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso!
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
cantai salmos a seu nome glorioso, dai a Deus a mais sublime louvação! Dizei a
Deus: Como são grandes vossas obras!
Toda a terra vos adore com respeito e proclame
o louvor de vosso nome! Vinde ver todas as obras do Senhor: seus prodígios
estupendos entre os homens!
O mar ele mudou em terra firme, e
passaram pelo rio a pé enxuto. Exultemos de alegria no Senhor! Ele domina para
sempre com poder!
Todos vós que a Deus temeis, vinde
escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Bendito seja o Senhor Deus que
me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o
seu amor!
Segunda
Leitura: 1Pd 3,15-18 Sofreu a morte na sua existência humana, mas
recebeu nova vida pelo Espírito.
Caríssimos: Santificai
em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da
vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e
respeito e com boa consciência.
Então, se em alguma
coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom
procedimento em Cristo. Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a
vontade de Deus, do que praticando o mal.
Com efeito, também
Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos,
a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas
recebeu nova vida pelo Espírito. -
Palavra do Senhor.
Comentário (Vida
Pastoral nº 253, Paulus, 2007): Os vv. 13-14, apesar de não constarem no texto
lido hoje, ajudam na compreensão do contexto. 'Quem lhes fará mal, se vocês se
esforçam em fazer o bem? Se sofrem por causa da justiça, felizes de vocês! Não
tenham medo deles, nem fiquem assustados'. Pedro escreve a cristãos que sofrem
(cf. II leitura do domingo passado). Os sofrimentos daquelas comunidades da
Ásia Menor tinham duas causas: em primeiro lugar, a situação social em que
viviam – eram migrantes, trabalhadores, escravos; em segundo lugar, a luta que
sustentavam – queriam que fosse feita justiça, que seus direitos e dignidade
fossem reconhecidos. Por causa disso eram vistos como subversivos.
Pedro lhes diz que, se sofrem por causa da justiça,
são felizes (v. 14). É a concretização da bem-aventurança anunciada por Jesus
(cf. Mt 5,10). Não são bem-aventurados pelo sofrimento em si. O sofrimento não
faz ninguém feliz! São bem-aventurados por causa da motivação profunda que
anima sua luta: a justiça que visa criar o reino de Deus, o projeto de Deus.
Pedro anima as comunidades, dizendo-lhes que não
devem ter medo dos que as consideram subversivas e arrastam seus membros aos
tribunais. Pelo contrário, devem 'santificar em seus corações o Senhor Jesus
Cristo', ou seja, reconhecer de coração (plena e absolutamente) que o único
Senhor é Jesus! Essa motivação deve estar sempre presente e animar todas as
esperanças e anseios das pessoas (v. 15).
Bons modos, respeito e consciência limpa são os
instrumentos para a conquista da justiça (v. 16a), resposta que desarma a
grosseria, a violência e a corrupção dos que fomentam a injustiça. Temos aqui o
ideal da não-violência ativa (cf. Mt 5,38-40), capaz de fazer ruir a sociedade
injusta (v. 16b).
A norma de comportamento cristão é a prática de
Jesus (v. 18). O justo morreu pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus.
Contudo, a morte de Jesus não quer dizer que a injustiça tenha vencido. Pelo
contrário, da morte nasceu a vida nova do Espírito Santo. Esse mesmo Espírito é
que age agora nos fiéis, levando-os à prática de Jesus. Fazendo o que ele fez,
os cristãos oferecem sua colaboração indispensável na construção do reino de
Deus. Esse reino é o ideal proposto por Deus, que coincide com os profundos
anseios da humanidade sedenta de justiça, liberdade e dignidade reconhecida.
O v. 17 não pretende atribuir a Deus a vontade de
fazer sofrer as pessoas. De fato, ele não sente prazer no sofrimento humano. O
próprio Jesus o demonstrou. O sofrimento diminui o ser de Deus presente nas
pessoas. Contudo, o projeto de Deus sabe valorizar o sofrimento. Do sofrimento
nasce o desejo de liberdade e vida. E Deus o transforma em energia que supera
as injustiças que o provocam.
Evangelho:
Jo 14,15-21 Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro
Defensor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Se
me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará
um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: O Espírito da Verdade,
que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o
conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós.
Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco
tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e
vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em
vos. Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me
ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele. - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): Num
contexto de ódio e de perseguição, a promessa feita por Jesus de dar aos
discípulos o Espírito da Verdade reveste-se de suma importância. Foi a forma de
protegê-los contra o erro e a mentira, ciladas montadas pelo mundo para
desviá-los do bom caminho. Sem esta ajuda salutar, com muita probabilidade,
deixar-se-iam levar pelas sugestões do falso espírito, chegando a renegar sua
condição de discípulos. Pois, enquanto o Espírito da Verdade conduz ao Deus
verdadeiro, o espírito da mentira conduz aos falsos deuses, aos ídolos.
O
Espírito é designado como Paráclito, ajudante dos discípulos de Jesus. Assim,
não seriam deixados à própria sorte, numa espécie de perigosa orfandade. A
presença do Espírito de Verdade junto deles daria continuidade à de Jesus. Eles
teriam sempre a quem recorrer, pois o Espírito estaria neles e "com eles
para sempre".
A
comunidade cristã sempre correria o sério risco de ser levada pelo espírito da
mentira. Por isso, precisava da presença constante do Espírito da Verdade para
manter-se sempre no bom caminho. Quanto maior esse risco, tanto mais necessária
fazia-se a presença desse Espírito que conduz à verdade e à vida. Ele haveria
de ser uma luz a expulsar as trevas, de modo a permitir aos discípulos caminhar
com segurança rumo à casa do Pai.
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja
Católica

Leia diariamente pelo menos um capítulo da Sagrada Escritura e espera no Senhor uma grande transformação na tua vida.
ResponderExcluirBom domingo a todos(as)
Deus os abençoe pela palavra de hoje! Muito esclarecedoras e úteis para os cristãos. Paz e bem!!!
ResponderExcluirQuem caminha pelos os caminhos da verdade é do amor com um coração de perseverança é sabedoria é semeando paz é alegria caridade, Deus não esqueceras de suas promessas.
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