Oração
do Pai Nosso (Mateus 6,9-13)
Estamos
acostumados à oração de uma maneira tal, que fazemos as nossas preces quase que
de forma automática. Assim agindo não compreendemos que estamos assumindo sete
compromissos, - e nós sabemos que na
Bíblia o sete representa “totalidade” - e sem levar em conta que na outra
ponta está nada mais nada menos, que o Criador, aquele que tudo vê, que conhece
os nossos sentimentos e acima de tudo conhece as nossas intenções.
(CIC-2759) “Um dia, estava Jesus em oração, em
certo lugar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: "Senhor,
ensina-nos a orar, como João Baptista também ensinou os seus discípulos"” (Lc 11,1). Foi em resposta a este pedido que o
Senhor confiou aos seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental.
São Lucas apresenta-nos um texto breve dessa oração (cinco petições); São
Mateus, uma versão mais desenvolvida (sete petições). A tradição litúrgica da
Igreja reteve o texto de São Mateus (Mt 6,9-13):
2. santificado seja o vosso Nome,
3. venha a nós o vosso Reino,
4. seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
5. O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
6. perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
7. e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal.
A oração do Senhor
(CIC-2765)
A expressão tradicional “oração dominical” (isto é, “oração do Senhor”)
significa que a prece dirigida ao nosso Pai nos foi ensinada e legada pelo
Senhor Jesus. Tal oração, que nos vem de Jesus, é verdadeiramente única: é “do
Senhor”. Efetivamente, por um lado, nas palavras desta oração o Filho Único
dá-nos as palavras que o Pai Lhe deu (Jo 17,7): Ele é o mestre da nossa oração. Por outro lado, sendo o
Verbo encarnado, Ele conhece no seu coração de homem as necessidades dos seus
irmãos e irmãs humanos e revela-no-las: Ele é o modelo da nossa oração.
(CIC-2766)
Mas Jesus não nos deixa uma fórmula para ser repetida maquinalmente. Como em
toda a oração vocal, é pela Palavra de Deus que o Espírito Santo ensina os
filhos de Deus a orar ao seu Pai. Jesus dá-nos, não somente as palavras da
nossa oração filial, mas também, ao mesmo tempo, o Espírito pelo qual elas se
tornam em nós “espírito e vida” (Jo 6,63). Mais ainda: a prova e a possibilidade da nossa oração
filial é que o Pai “enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que
clama: “Abbá! ó Pai!" (Gl 4,6).
Uma vez que a nossa oração traduz os nossos desejos diante do Pai, é ainda “Aquele
que sonda os corações” o Pai, que “conhece o desejo do Espírito, porque é de
acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos” (Rm 8,27). A oração ao nosso Pai insere-se na
missão misteriosa do Filho e do Espírito.
Refletindo a oração:
- Pai-nosso,
que estais no céu,
Todas
as orações que conhecemos foram inspiração de Deus a pessoas santas e piedosas
para nos ajudar a refletir sobre a vida, para nos colocar na presença do
Criador. Já a oração do Pai-nosso, foi o próprio Jesus que nos ensinou, e Ele
começa dizendo “Pai-nosso”.
Por
que será que sendo Ele filho de Deus não usou o termo “Meu Pai”?
Fica
fácil entender a partir do momento que compreendemos que Deus não é nossa
propriedade, que Ele não existe para o meu uso particular, com certeza o termo
“Pai-nosso” foi utilizado por Jesus
para dizer que não somos ovelhas desgarradas, que Deus é Pai de todos.
Agora, se temos o mesmo Pai, significa que
somos irmãos, e que tipo de irmão eu estou sendo para o meu próximo? Será que
aceito o meu próximo como semelhante que tem os mesmos direitos, ou será que o
menosprezo pela sua cor, credo ou posição social.
- Santificado
seja o vosso nome;
Afirmo
que o nome de Deus é tão santo quanto o próprio Criador, mas você já parou para
pensar quantas vezes no nosso dia usamos esse nome para justificar atos que nós
mesmos não acreditamos, ou o que é pior, ações que na maioria das vezes sabemos
que não são verdadeiras.
Basta
uma pequena duvida que já vem prontinha aquela manjada frase: “Juro por Deus que foi assim” ou “Juro
por Deus que não sabia”. “...Não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem
empregueis qualquer outra fórmula de juramento. Que vosso sim, seja sim; que
vosso não, seja não...”. (Tiago 5,12)
- Venha
a nós o vosso Reino;
Pedimos
que o Reino de Deus faça parte do nosso dia, que a paz esteja presente no lar,
na empresa, na rua, mas quantas vezes, movido pelo stress do trânsito, pela
competição que o mercado de trabalho impõe esquecemos a cortesia, a união e o
que impera é o “EU”.
Queremos
viver no Reino de Deus, na paz que brota do amor de Deus, mas ai vem à
pergunta: “E nós”, será que estamos
levando está paz aos outros, que tipo de céu eu estou construindo para o
próximo, ou o que é pior, será que estou semeando discórdia e implantando
inferno na vida do meu irmão.
- Seja
feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
“Seja
feita a Vossa vontade”, estamos entregando a nossa viva nas mãos de Deus, o que
é muito bom. O problema é que na maioria das vezes falamos isso, mas na
realidade estamos pensando: “Senhor que
seja feita a Tua vontade, desde que ela seja igual a minha”.
Sim, só interessa se sai do meu jeito, o
jeito das coisas fáceis, rápidas e indolor. A maneira como Deus resolve as coisas é muito complicada,
sempre exige muita oração, muita renuncia, partilha, algumas vezes exige até
uma mudança radical, sem contar o tempo de espera.
O
que nós realmente não levamos em conta é que Deus está nos preparando não para
o tempo presente, e sim, para a eternidade. Esquecemos que Deus não escuta as
nossas palavras, Ele houve o nosso coração. Pedimos que Deus seja o “Deus de
nossa vida”, será que estamos dispostos a nos comprometer com esta vontade.
- O
pão nosso de cada dia nos dai hoje;
É
uma pena que quando falamos “o pão”,
estamos nos referindo única e exclusivamente ao alimento do corpo, sempre nos
preocupamos com o sustento da família, com o nosso trabalho, com a garantia da
tranquilidade material. Esquecemos do alerta de Jesus: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que
procede da boca de Deus”. (Mt 4,4), Tão importante quanto alimentar o corpo é
alimentar a alma.
E qual é o alimento da alma: A
Palavra - A Confissão - A Eucaristia
- perdoaí-nos
as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;
Aqui
vem a maior advertência feita por Jesus, só contemplaremos a face de Deus, se
antes podermos olhar no olho do nosso semelhante e nos enxergar, só poderemos
desfrutar do amor do Pai, se tivermos em paz com o nosso irmão, só entraremos
no Reino de Deus se a estrada tiver sido construída aqui na terra.
“Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares
de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do
altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua
oferta”. (Mt 5,23-24)
- E
não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Agora
começa a parte que considero mais dolorosa, “a tentação”. Vivemos cercados de ilusões e prazeres, - e se é
ilusão não precisaria dizer que é falso – que põem a prova todo instante, nossa
fé, nosso caráter, nosso compromisso com Deus. Temos que dar testemunho quase
que a todo o momento, de que ser cristão é não ceder ao “jeitinho”, ao “tudo pode,
ninguém está vendo”, engano eu irmão, “Deus
está vendo”. (Jeremias 7,11 Este Templo, onde o meu nome é invocado, será
por acaso esconderijo de ladrões? Estejam atentos, porque eu estou vendo tudo
isso - oráculo de Javé).
Como
verdadeiros seguidores de Jesus, e se queremos dar a Ele o nosso “Amém”, o
nosso sim, é preciso vestir a armadura que vai nos fortalecer para vencer o
inimigo, e quais são os componentes desta armadura: a “Oração”, a “Palavra”, a
“Confissão”, e a “Eucaristia”. Amém!
Fique com Deus e sob a
proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que
crê e ensina a Santa Igreja Católica
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