Liturgia Diária Comentada 12/04/2014 Sábado
5ª Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério
Prefácio da Paixão I - Ofício do dia do Tempo da Quaresma
Cor: Roxo - Ano Litúrgico “A” - São
Mateus
Antífona:
Salmo 21,20.7 Ó Senhor, não fiques longe de mim! Ó minha força, correi
em meu socorro! Sou um verme, e não um homem, opróbrio dos homens e rebotalho
da plebe.
Oração do Dia: Ó Deus, vós sempre cuidais da salvação dos homens e, nesta Quaresma, nos
alegrais com graças copiosas. Considerai com bondade aqueles que escolhestes,
para que a vossa proteção paterna acompanhe os que se preparam para o batismo e
guarde os que já foram batizados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Ez 37,21-28 Farei deles uma nação única.
Assim diz o
Senhor Deus: “Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde
foram, vou recolhê-los de toda parte e reconduzi-los para a sua terra. Farei
deles uma nação única no país, nos montes de Israel, e apenas um rei reinará
sobre todos eles. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em
dois reinos. Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão
infames abominações. Eu os libertarei de todo o pecado que cometeram em sua
infidelidade, e os purificarei. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus.
Meu servo
Davi reinará sobre eles, e haverá para todos eles um único pastor. Viverão
segundo meus preceitos e guardarão minhas leis, pondo-as em prática. Habitarão
no país que dei a meu servo Jacó, onde moraram vossos pais; ali habitarão para
sempre, também eles, com seus filhos e netos, e o meu servo Davi será o seu
príncipe para sempre.
Farei com
eles uma aliança de paz, será uma aliança eterna. Eu os estabelecerei e
multiplicarei, e no meio deles porei meu santuário para sempre. Minha morada
estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Assim as
nações saberão que eu, o Senhor, santifico Israel, por estar o meu santuário no
meio deles para sempre”. - Palavra
do Senhor.
Comentando a Liturgia: A utopia de Ezequiel permitiu
ao povo de Deus não desesperar e depois reconstruir o templo. Paulo VI, na
Octogésima adveniens (n.37), reconhece que o apelo à utopia é "muitas
vezes um cômodo pretexto para quem quer encobrir as tarefas concretas e
refugiar-se em um mundo imaginário... porém, às vezes, estimula a imaginação em
perspectiva, apta a perceber no presente as possibilidades ignoradas aí
inscritas e orientá-las a um futuro novo".
"O
Espírito do Senhor - continua - que anima o homem renovado em Cristo subverte
sem descanso os horizontes em que sua inteligência gosta de encontrar
segurança, e desloca os limites nos quais de preferência se encerraria sua
ação; esse homem é habitado por uma força que solicita a ultrapassar todo sistema
e toda ideologia... Animado pelo poder do Espírito de Jesus Cristo, Salvador
dos homens, e sustentado pela esperança, o cristão se entrega à construção de
uma cidade humana, pacifica, justa e fraterna, que seja uma oferta agradável a
Deus".
Em
que se transformaria o mundo, se não possuísse homens capazes de acolher esta
mensagem e de crer seriamente que este nosso mundo é chamado a uma
transfiguração? O verdadeiro nome da utopia cristã é "esperança".
Salmo:
Jr 31, 10.
11-12ab. 13 (R. Cf. 10d) O Senhor
nos guardará qual pastor a seu rebanho.
Ouvi, nações, a palavra do Senhor e
anunciai-a nas ilhas mais distantes: 'Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e
o guardará qual pastor a seu rebanho!'
Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e
o libertou do poder do prepotente. Voltarão para o monte de Sião, entre brados
e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor:
Então a virgem dançará alegremente, também
o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e
conforto após a guerra.
Evangelho:
Jo 11,45-56 E também para reunir na unidade os filhos de
Deus dispersos.
Naquele
tempo, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus
fizera, creram nele. Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que
Jesus tinha feito. Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho
e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. Se deixamos que ele
continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o
nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
Um deles,
chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis
nada. Não percebeis que é melhor um só homem morrer pelo povo do que perecer a
nação inteira?” Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em
função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela
nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos.
A partir
desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. Por
isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma
região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os
seus discípulos. A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha
subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. Procuravam Jesus e, ao
reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não
vem para a festa?” - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre
Jaldemir / Jesuíta): O testemunho de Jesus e a adesão que
ele suscitava colocavam em risco a estrutura religiosa de sua época. O contexto
religioso de rígido tradicionalismo, de hierarquias e privilégios, de conflitos
de facções, de jogos de interesses tornava-se vulnerável diante da postura do
Mestre. Não que Jesus fosse respaldado pelo prestígio de uma escola rabínica ou
de famílias ou grupos importantes. O perigo consistia no fato de muitas pessoas
darem crédito às suas palavras e aderirem ao grupo, sempre crescente, que se
formava ao redor dele.
As autoridades religiosas
demonstravam ter uma preocupação política. O movimento de Jesus poderia ser entendido
pelos romanos como uma provocação. E as consequências disto seriam trágicas
para a nação. Se não fosse contido a tempo, haveria o perigo de
"todos" crerem nele, e os romanos virem e destruírem o templo e a
nação.
A solução apresentada por Caifás
parecia ser bastante prudente: "É melhor um só homem morrer pelo povo, do
que a nação inteira perecer!". Acolhida esta sugestão, decretou-se a morte
de Jesus. Com esta finalidade, iniciou-se uma verdadeira caçada para prendê-lo.
Todavia, o motivo verdadeiro da
condenação à morte foi de caráter religioso. Isto ficará patente no fato de
Pilatos, autoridade romana, não se mostrar interessado em condenar Jesus. A
verdade é que a liderança religiosa já não podia mais suportar o comportamento
do Mestre por ser religiosamente perigoso.
INTENÇÕES PARA O MÊS DE ABRIL:
Intenção Universal: Ecologia
e justiça - Para que os governantes promovam o respeito pela criação e uma
justa distribuição dos bens e dos recursos naturais.
Intenção para a Evangelização: Esperança para quem sofre - Para que o Senhor Ressuscitado encha
de esperança o coração daqueles que experimentam a dor e a doença.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo da Quaresma (CNBB-DL/2011): Vai da quarta-feira de Cinzas até a
missa da Ceia do Senhor, exclusive. É o tempo para preparar a celebração da Páscoa.
“Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla
índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou preparação do
Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a
Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério
pascal” (SC 109).
- Durante
este tempo, é proibido ornar o altar com flores, o toque de instrumentos
musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem
como as solenidades e festas.
- A cor do
tempo é roxa. No Domingo Laetare,
pode-se usar cor-de-rosa. (IGMR nº308f)
- Em todas as
Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.
- Nas
solenidades e festas somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.
- As memórias
obrigatórias que ocorrem neste dia podem ser celebradas como memórias
facultativas. Não são permitidas missas votivas (devoção particular).
- Na
celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a
bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos que se abstenham de demasia pompa.
Cor Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência
ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

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