Primeira
Leitura: Sb 2,1a.12-22 Vamos condená-lo à morte vergonhosa.
Dizem entre
si os ímpios, em seus falsos raciocínios: Armemos ciladas ao justo, porque sua
presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as
transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina.
Ele declara
possuir o conhecimento de Deus e chama-se Filho de Deus. Tornou-se uma censura
aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito
diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis. Somos comparados por
ele à moeda falsa e foge de nossos caminhos como de impurezas; proclama feliz a
sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai.
Vejamos,
pois, se é verdade o que ele diz, e comprovaremos o que vai acontecer com ele.
Se, de fato, o justo é filho de Deus, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos
seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua
serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa,
porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro.
Tais são os
pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, não
conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão
valor ao prêmio reservado às vidas puras. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: Os ímpios acusam o justo de
construir para eles uma contínua censura: ficam chocados por suas expressões de
sabedoria e declarações de ser filho de Deus. Por isso propõem-se a persegui-lo
e até matá-lo, para ver se Deus intervirá em seu auxilio.
Os
ímpios de que fala a leitura são israelitas de Alexandria, que assimilaram uma
mentalidade materialista e hedonista (o prazer e o objetivo da vida) que os
levou a apostasia (abandono da crença). Assim se explica o escárnio contra o
justo, cuja vida é para os ímpios uma censura insuportável.
Também
na Igreja esta página tem sua atualidade. As perseguições mais ou menos
cruentas a as oposições sistemáticas que ela sempre encontra tem sua verdadeira
explicação no fato de ela constituir uma reprovação para seus opositores, a
quem resta apenas o recurso à violência e às afrontas.
Salmo:
33(34), 17-18.
19-20. 2l.23 (R. 19a) Do coração
atribulado está perto o Senhor
O Senhor volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua
lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias
os liberta.
Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos
males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.
Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, e nenhum deles haverá de
se quebrar. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será
quem nele espera.
Evangelho:
Jo 7,1-2.10.25-30 Queriam prendê-lo, mas ainda não tinha
chegado a sua hora.
Naquele
tempo, Jesus andava percorrendo a Galiléia. Evitava andar pela Judéia, porque
os judeus procuravam matá-lo. Entretanto, aproximava-se a festa judaica das
Tendas. Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a
festa, não publicamente, mas sim como que às escondidas.
Alguns
habitantes de Jerusalém disseram então: "Não é este a quem procuram matar?
Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades
reconheceram que ele é o Messias? Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo,
quando vier, ninguém saberá donde é".
Em alta voz,
Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Vós me conheceis e sabeis de onde sou;
eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o
conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me
enviou". Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque
ainda não tinha chegado a sua hora. - Palavra da
Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): A
vida de Jesus estava toda colocada nas mãos do Pai. Com esta consciência, ele
enfrentava os desafios do ministério, sem se deixar abater pelos
mal-entendidos, pelas hostilidades evidentes ou veladas ou mesmo pela ameaça de
morte que pairava sobre a sua cabeça. Sua coragem manifestava-se na maneira
aberta com que proclamava sua doutrina, em plena Jerusalém – no Templo –, mesmo
sabendo que os judeus buscavam matá-lo.
Importava-lhe
unicamente manter-se fiel a quem o enviou, pois não tinha vindo por si mesmo,
nem proclamava uma doutrina de sua autoria e propriedade. As hostilidades
contra ele provinham do desconhecimento do Pai. Logo, fruto da ignorância!
Bastava que se abrissem para o Pai, para estarem em condições de compreender a
veracidade do testemunho de Jesus.
A
vida do Filho estava nas mãos do Pai. Isto impedia que os adversários
assumissem o controle do destino de Jesus. Por isso, em vão, procuravam detê-lo
e infligir-lhe a pena capital. "Sua hora ainda não chegara".
A
coragem do Mestre serviu de exemplo para os discípulos, sobretudo nos momentos
difíceis de seu ministério apostólico. Também a vida deles estava nas mãos do
Pai. Sendo assim, nenhum inimigo, por pior que fosse, haveria de se transformar
em senhor de seus destinos. Somente o Pai pode determinar a hora de cada um!
LEIA NA ÍNTEGRA:
Liturgia Diária Comentada 04/04/2014
O Sacramento da Eucaristia - Prof. Felipe Aquino
Poema à Virgem - Padre José de Anchieta
Qual é o destino do espírito daquele que é condenado ao inferno?
Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Crendo e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja
Católica

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