Sacramento da Penitência e da Reconciliação
Ao longo do tempo, a celebração deste Sacramento passou de
uma forma pública - porque no início era feita publicamente - para a pessoal,
para a forma reservada da Confissão. Contudo, isto não deve fazer-nos perder a
matriz eclesial, que constitui o contexto vital. Com efeito, a comunidade
cristã é o lugar onde o Espírito se torna presente, que renova os corações no
amor de Deus, fazendo de todos os irmãos um só em Cristo Jesus. Eis, então, por
que motivo não é suficiente pedir perdão ao Senhor na nossa mente e no nosso
coração, mas é necessário confessar humilde e confiadamente os nossos pecados
ao ministro da Igreja. Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não
representa apenas Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade
de cada um dos seus membros, que ouve comovida o seu arrependimento, que se
reconcilia com eles, os anima e acompanha ao longo do caminho de conversão e de
amadurecimento humano e cristão. Podemos dizer: eu só me confesso com Deus.
Sim, podes dizer a Deus «perdoa-me», e confessar os teus pecados, mas os nossos
pecados são cometidos também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isso, é
necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. «Mas
padre, eu tenho vergonha...». Até a vergonha é boa, é saudável sentir um pouco
de vergonha, porque envergonhar-se é bom. Quando uma pessoa não se envergonha,
no meu país dizemos que é um «sem-vergonha»: um «sin verguenza». Mas até a
vergonha faz bem, porque nos torna mais humildes, e o sacerdote recebe com amor
e com ternura esta confissão e, em nome de Deus, perdoa. Até do ponto de vista
humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas
coisas, que pesam muito no nosso coração. E assim sentimos que desabafamos
diante de Deus, com a Igreja e com o irmão. Não tenhais medo da Confissão!
Quando estamos em fila para nos confessarmos, sentimos tudo isto, também a
vergonha, mas depois quando termina a Confissão sentimo-nos livres, grandes,
bons, perdoados, puros e felizes. Esta é a beleza da Confissão! Gostaria de vos
perguntar - mas não o digais em voz alta; cada um responda no seu coração:
quando foi a última vez que te confessaste? Cada um pense nisto... Há dois
dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as
contas, mas cada um diga: quando foi a última vez que me confessei? E se já
passou muito tempo, não perca nem sequer um dia; vai, que o sacerdote será bom
contigo. É Jesus que está ali presente, e é mais bondoso que os sacerdotes,
Jesus receber-te-á com muito amor. Sê corajoso e vai confessar-te!
Através dos Sacramentos da iniciação cristã, do Baptismo, da
Confirmação e da Eucaristia, o homem recebe a vida nova em Cristo. Pois bem,
todos nós sabemos que trazemos esta vida «em vasos de barro» (2Cor 4,7), ainda
estamos submetidos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado,
até podemos perder a nova vida. Por isso, o Senhor Jesus quis que a Igreja
continuasse a sua obra de salvação também a favor dos próprios membros, em
particular com os Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos enfermos, que
podem ser unidos sob o nome de «Sacramentos de cura». O Sacramento da
Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando me confesso é para me curar, para
curar a minha alma, o meu coração e algo de mal que cometi. O ícone bíblico que
melhor os exprime, no seu vínculo profundo, é o episódio do perdão e da cura do
paralítico, onde o Senhor Jesus se revela médico das almas e, ao mesmo tempo,
dos corpos (cf. Mc 2,1-12; Mt 9,1-8; Lc 5,17-26).
O Sacramento da Penitência e da Reconciliação brota diretamente
do mistério pascal. Com efeito, na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos
discípulos, fechados no cenáculo e, depois de lhes dirigir a saudação: «A paz
esteja convosco!», soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo! A
quantos perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20,21-23). Este
trecho revela a dinâmica mais profunda contida neste Sacramento. Antes de tudo,
a constatação de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar-nos
a nós mesmos. Não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão é pedido a
outra pessoa, e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos
nossos esforços, mas uma dádiva, um dom do Espírito Santo, que nos enche do
lavacro (Banho/Batismo) de misericórdia e de graça que brota incessantemente do
Coração aberto de Cristo Crucificado e Ressuscitado. Em segundo lugar,
recorda-nos que só se nos deixarmos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com
os irmãos, conseguiremos verdadeiramente alcançar a paz. E todos nós sentimos
isto no coração, quando nos confessamos com um peso na alma, com um pouco de
tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus, alcançamos a paz, aquela paz da
alma tão boa que somente Jesus nos pode dar, só Ele!
Ao longo do tempo, a celebração deste Sacramento passou de
uma forma pública - porque no início era feita publicamente - para a pessoal,
para a forma reservada da Confissão. Contudo, isto não deve fazer-nos perder a
matriz eclesial, que constitui o contexto vital. Com efeito, a comunidade
cristã é o lugar onde o Espírito se torna presente, que renova os corações no
amor de Deus, fazendo de todos os irmãos um só em Cristo Jesus. Eis, então, por
que motivo não é suficiente pedir perdão ao Senhor na nossa mente e no nosso
coração, mas é necessário confessar humilde e confiadamente os nossos pecados
ao ministro da Igreja. Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não
representa apenas Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade
de cada um dos seus membros, que ouve comovida o seu arrependimento, que se
reconcilia com eles, os anima e acompanha ao longo do caminho de conversão e de
amadurecimento humano e cristão. Podemos dizer: eu só me confesso com Deus.
Sim, podes dizer a Deus «perdoa-me», e confessar os teus pecados, mas os nossos
pecados são cometidos também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isso, é
necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. «Mas
padre, eu tenho vergonha...». Até a vergonha é boa, é saudável sentir um pouco
de vergonha, porque envergonhar-se é bom. Quando uma pessoa não se envergonha,
no meu país dizemos que é um «sem-vergonha»: um «sin verguenza». Mas até a
vergonha faz bem, porque nos torna mais humildes, e o sacerdote recebe com amor
e com ternura esta confissão e, em nome de Deus, perdoa. Até do ponto de vista
humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas
coisas, que pesam muito no nosso coração. E assim sentimos que desabafamos
diante de Deus, com a Igreja e com o irmão. Não tenhais medo da Confissão!
Quando estamos em fila para nos confessarmos, sentimos tudo isto, também a
vergonha, mas depois quando termina a Confissão sentimo-nos livres, grandes,
bons, perdoados, puros e felizes. Esta é a beleza da Confissão! Gostaria de vos
perguntar - mas não o digais em voz alta; cada um responda no seu coração:
quando foi a última vez que te confessaste? Cada um pense nisto... Há dois
dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as
contas, mas cada um diga: quando foi a última vez que me confessei? E se já
passou muito tempo, não perca nem sequer um dia; vai, que o sacerdote será bom
contigo. É Jesus que está ali presente, e é mais bondoso que os sacerdotes,
Jesus receber-te-á com muito amor. Sê corajoso e vai confessar-te!
Caros amigos, celebrar o Sacramento da Reconciliação
significa ser envolvido por um abraço caloroso: é o abraço da misericórdia
infinita do Pai. Recordemos aquela bonita parábola do filho que foi embora de
casa com o dinheiro da herança; esbanjou tudo e depois, quando já não tinha
nada, decidiu voltar para casa, não como filho, mas como servo. Ele sentia
muita culpa e muita vergonha no seu coração! Surpreendentemente, quando ele
começou a falar, a pedir perdão, o pai não o deixou falar mas abraçou-o,
beijou-o e fez uma festa. E eu digo-vos: cada vez que nos confessamos, Deus
abraça-nos, Deus faz festa! Vamos em frente por este caminho. Deus vos abençoe!
Papa Francisco / Audiência Geral
Praça de São Pedro
Fonte: Libreria Editrice
Vaticana
Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014
http://www.vatican.va/holy_father/francesco/audiences/2014/documents/papa-francesco_20140219_udienza-generale_po.html

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