Liturgia Diária Comentada 16/03/2014 Domingo
2ª Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério
Prefácio da Quaresma - Ofício do dia do Tempo da Quaresma
Cor: Roxo - Ano Litúrgico “A” - São Mateus
Antífona:
Salmo
26,8-9 Meu coração disse: Senhor, buscai a vossa face. É vossa face,
Senhor, que eu procuro, não desvieis de mim o vosso rosto!
Oração do Dia: Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai
nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé,
nos alegremos com a visão da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Livro do Gênesis 12,1-4a Vocação de Abraão, pai do povo de Deus
Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: “Sai da tua terra, da
tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar. Farei
de ti um grande povo e te abençoarei; engrandecerei o teu nome, de modo que ele
se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te
amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!”. E Abrão
partiu, como o Senhor lhe havia dito. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: A Bíblia nos apresenta a figura de Abraão
como o pai do povo de Israel. Sua fé e confiança em Deus tornam-se a principal
herança para as futuras gerações. Abraão é representativo de grupos
seminômades, em torno de 1500 a.C. Esses grupos, por natureza, não se submetem
à dominação do poder político, como o exercido naquela época pelas
cidades-estado. São caminhantes, sempre em busca de terra fértil que
proporcione pastagens para a sobrevivência dos seus rebanhos e, consequentemente,
de suas famílias e clãs. A
experiência que Abraão possui de Deus está intimamente ligada ao estilo de vida
dos pastores. A garantia da terra e o senso de liberdade são fundamentais.
A presença
de Deus se dá onde se encontram as famílias. Ele caminha com os pastores,
conduz os seus passos e lhes dá a terra de que necessitam. A terra é promessa e
dom de Deus, porém é necessário que Abraão esteja disposto a romper com as
seguranças que impedem a caminhada na direção que Deus lhe aponta.
Confiar no
Deus da promessa é ter a certeza de um mundo sem exploração e sem fome. Essa
promessa é motivadora para os movimentos populares, especialmente em época de
opressão, como aquela exercida pelo Egito e, posteriormente, pela monarquia
israelita.
Abraão
torna-se a “memória perigosa” que desacomoda os oprimidos, proporcionando-lhes
inspiração para a resistência e a mobilização em vista de uma nova sociedade. (Celso Loraschi, Vida
Pastoral nº 277, Paulus)
Salmo:
32 (33) Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, venha
a vossa salvação!
Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o
direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.
Mas o Senhor pousa
o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da
morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.
No Senhor nós
esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha,
Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
Segunda
Leitura: 2ª Carta de São Paulo a Timóteo 1,8b-10 Deus nos chama e ilumina
Caríssimo: Sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo
poder de Deus. Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido
às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi
dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade. Esta graça foi revelada agora,
pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte,
como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho. -
Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: A segunda carta a Timóteo faz parte das
tradicionalmente conhecidas “cartas pastorais” (junto com 1Tm e Tt). São
dirigidas aos animadores de Igrejas cristãs, num tom pessoal. Os autores
atribuem essas cartas a Paulo. Foram escritas algum tempo depois de sua morte,
no intuito de iluminar e fortalecer a missão desses “pastores” junto às
comunidades.
Timóteo
havia sido um companheiro de Paulo. Participou da segunda e terceira viagens
missionárias. Pessoa de confiança e dedicado à evangelização. Paulo podia
contar com ele para enviá-lo às comunidades a fim de levar instruções e animar
a fé dos cristãos. Após a morte de Paulo, continuou a missão de ministro da
Palavra, revelando-se como importante liderança. A tradição o venera como bispo
de Éfeso. Etimologicamente, Timóteo significa “aquele que honra a Deus”.
O texto da
leitura de hoje indica uma situação difícil pela qual está passando Timóteo. O
intuito é confortá-lo e animá-lo à perseverança. Timóteo é convidado a
participar solidariamente dos sofrimentos pelos quais Paulo também passou por
causa do evangelho. Quem assumiu a missão de servir à Palavra não pode sucumbir
às dificuldades nem manifestar-se timidamente. A tribulação é inerente ao
anúncio do evangelho quando feito com autenticidade. Como aconteceu com Jesus,
também acontece com os seus discípulos. Nessa mesma carta, encontramos o
alerta: “Todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão
perseguidos” (3,12).
A
confiança plena na graça de Deus deve ser característica da pessoa que
evangeliza. Deus nos salvou gratuitamente em Jesus Cristo. Ele nos chama com
uma santa vocação para servi-lo e amá-lo. A santidade nos faz andar
cotidianamente na intimidade divina, como o fez Jesus. A pessoa santa é
portadora da graça e irradiadora da boa notícia de Jesus, o Salvador, que
venceu a morte e fez brilhar a vida. A missão de Timóteo e de toda pessoa
seguidora de Jesus é anunciar, de modo permanente e corajoso, esse projeto
salvador de Deus, concebido desde toda a eternidade e revelado plenamente em
Jesus Cristo. (Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 277, Paulus)
Evangelho
segundo Mateus 17,1-9 O seu rosto brilhou como o sol
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu
irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi
transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas
ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando
com Jesus.
Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos
aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e
outra para Elias”. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os
cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no
qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!”
Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e
caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos
e não tenhais medo”. Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém,
a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não
conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos
mortos”. - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): A
contemplação de Jesus transfigurado foi uma experiência fascinante na vida dos
três discípulos escolhidos pelo Mestre para subirem com ele ao alto monte.
Neste lugar carregado de simbolismo (a montanha era tida como o lugar
privilegiado de encontro com Deus) puderam contemplar Jesus transfigurado,
revestido de glória e majestade, e "vê-lo" no fulgor de sua
santidade.
A
transfiguração foi, de certo modo, uma antecipação da ressurreição. Depois de
ressuscitado, o esplendor de sua glória já não fulguraria, por pouco tempo,
para um grupo seleto de discípulos. Pelo contrário, não só poderia ser
contemplada por todos os discípulos, como também deveria ser proclamada a todos
os povos da Terra. A ordem de guardar segredo ("não dizer a ninguém a
respeito da visão") perderia sua razão de ser.
Contudo,
a contemplação do Ressuscitado haveria de ser precedida por uma experiência
aterradora: a de ver o Messias Jesus pendente na cruz. O fascínio daria lugar
ao pavor e à estupefação, porque a morte de cruz não encontraria explicação,
uma vez que o Mestre sempre dera mostras de ser um homem justo e, em sua
pregação, falara de Deus como um Pai amoroso e fiel.
Só
quem fosse capaz de superar o impacto da cruz e reconhecer no Crucificado o
Filho de Deus, chegaria a reconhecê-lo fascinantemente ressuscitado.
INTENÇÕES PARA O MÊS DE MARÇO:
Geral – Direitos da mulher: Para que todas as culturas respeitem
os direitos e a dignidade da mulher.
Missionária – Jovens evangelizadores: Para que muitos jovens acolham o
convite do Senhor a consagrar a vida ao anúncio do Evangelho.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo da Quaresma (CNBB-DL/2011): Vai da quarta-feira de Cinzas até a
missa da Ceia do Senhor, exclusive. É o tempo para preparar a celebração da
Páscoa. “Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a
dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou
preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência
a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério
pascal” (SC 109).
- Durante
este tempo, é proibido ornar o altar com flores, o toque de instrumentos
musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem
como as solenidades e festas.
- A cor do
tempo é roxa. No Domingo Laetare,
pode-se usar cor-de-rosa. (IGMR nº308f)
- Em todas as
Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.
- Nas
solenidades e festas somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.
- As memórias
obrigatórias que ocorrem neste dia podem ser celebradas como memórias
facultativas. Não são permitidas missas votivas (devoção particular).
- Na
celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a
bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos que se abstenham de demasia pompa.
Cor Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência
ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

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