quinta-feira, 6 de março de 2014

Evangelho do dia 06.03.2014 Lc 9,22-25

Primeira Leitura: Dt 30,15-20 Hoje te proponho a vida e a felicidade. (Dt 11,26)
Moisés falou ao povo dizendo: “Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se obedeceres aos preceitos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que vais entrar, para possuí-la.

Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, e se, deixando-te levar pelo erro, adorares deuses estranhos e os servires, eu vos anuncio hoje que certamente perecereis. Não vivereis muito tempo na terra onde ides entrar, depois de atravessar o Jordão, para ocupá-la.

Tomo hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele — pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias —, a fim de que habites na terra que o Senhor jurou dar a teus pais Abraão, Isaac e Jacó”. - Palavra do Senhor. 
Comentando a Liturgia (Missal Cotidiano): Não são muitos os caminhos a escolher, mas apenas dois: o da vida e o da morte. Parece, pois, que não há escolha: nossa sorte necessária, inelutável, é a morte. Ela vem, mesmo que ninguém a queira. Por outro lado, também o nosso espírito, o intimo de nós mesmos, parece não ter possibilidade de escolha: opta pela bênção, a felicidade, a vida.


Tratar-se-á, porém, de possibilidade real de escolha, ou de ilusão?

A proposta de Deus ao homem para aceitar a aliança é propriamente a escolha entre a vida e a morte. Não nos pertence definir a vida e a felicidade, porque isto cabe a Deus; é-nos dada apenas a possibilidade de aceitar o dom de Deus. Ninguém por si próprio escolhe a morte.

Mas quem recusa a obediência, quem não aceita aquele tipo de morte que consiste em renunciar à vontade de definir a própria felicidade e não entrega nas mãos de Deus a própria vida, entra, de fato, no domínio da morte. É importante, portanto, descobrir que Deus quer nossa felicidade, e aceitar-lhe a proposta.

Salmo: 1, 1-2. 3. 4.6 (R. Sl 39,5a) É feliz quem a Deus se confia!
Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

Evangelho: Lc 9,22-25 Quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.

Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se perde e se destrói a si mesmo?” - Palavra da Salvação.

Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): Quem se propõe a seguir Jesus, não pode escusar-se de refazer o caminho do Mestre. Este caminho tem uma dinâmica bem definida. Jesus começa recusando-se a se apegar à sua igualdade com Deus, e, por consequência, dispondo-se a assumir, plenamente, a condição humana. Passa pelo testemunho radical do Pai e de seu Reino, sem se importar com a opinião de quem o critica. E se consuma na morte de cruz, como desfecho natural de uma vida de total renúncia de si mesmo.

Também do seguidor de Jesus exige-se a disposição de abrir mão de seus projetos pessoais, escolhendo somente os que são compatíveis com o Reino, sem poupar-se ou estabelecer limites, quando se trata de executá-los. Põe em risco a própria salvação, quem se deixa levar pela prudência humana, e procura salvaguardar certas dimensões de sua vida, temendo colocá-las em jogo.

À imitação de Jesus, seu seguidor tem um coração desapegado, livre dos ideais mesquinhos de ganhar o mundo inteiro, ao preço da própria condenação. Esta liberdade capacita-o a trilhar o caminho de Jesus, embora tendo de enfrentar a cruz, com seu componente de rejeição e de morte.

O seguimento exige disposição e coragem para não nos determos na metade do caminho. Como seguidores do Mestre, somos desafiados a concluir, com ele e como ele, a sua mesma caminhada.

Leia a liturgia na íntegra:
Liturgia Diária Comentada 06/03/2014

Um comentário:

  1. A doutrina dos espíritas pretende que a morte de Jesus seja apenas uma consequencia de sua pregação mas não faz parte, não era necessária, na obra sua. Passagens como a de hoje (Lc) e outras como Jo 12,27 e Mt 16,21-23 desautorizam a doutrina que ensinam, especialmente quando Jesus diz: "ninguém me tira a vida, tenho poder para dá-la e para retomá-la. Então o sacrificio de vida tem um efeito transcedental misterioso para nossa lógica. Segundo A.Comte o que não cabe na nossa lógica é porque não existe.

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