A lei moral natural - Pe. Brendan Coleman
Não há dúvida de que nós estamos vivendo numa época de
desenvolvimento extraordinário na capacidade humana de decifrar as regras e as
estruturas da matéria e no consequente domínio do homem sobre a natureza. Todos
nós vemos as grandes vantagens deste progresso, e vemos cada vez mais também as
ameaças de uma destruição da natureza pela força da nossa ação. Nossa
capacidade de ver as leis do ser material, às vezes, torna-nos incapazes de ver
a mensagem ética contida no ser, mensagem tradicionalmente chamada a lei moral
natural. (cf. Bento XVl, no Congresso sobre a lei moral natural na Universidade
Lateranense, 12/2/2007). Segundo o Catecismo da Igreja Católica a lei moral
natural confere ao homem “o domínio de seus atos e a capacidade de se governar
em vista da verdade e do bem” (cf. CIC No. 1954).
O Papo emérito Bento XVl falou várias vezes sobre sua
preocupação com o relativismo ético. Externou sua preocupação acerca dos
efeitos negativos que resultariam se as sociedades continuassem a ignorar a lei
moral natural, e baseassem decisões éticas em teorias de normas flutuadas como
o relativismo ético. Acredito que é necessário mobilizar as consciências de
todas as pessoas de boa vontade, secularistas e membros das diferentes igrejas
cristãs, para que, juntos, e de uma maneira concreta, possamos criar nas
culturas e nas sociedades políticas as condições necessárias para tomar
conhecimento do inestimável valor da lei natural. A Lei Natural exprime o
sentido moral original, que permite ao homem discernir, pela razão, o que é o
bem e o mal, a verdade e a mentira. Esta lei exprime a dignidade da pessoa e
determina a base de seus direitos e de seus deveres fundamentais (cf. CIC
1956). A Lei Natural em si é acessível a todas as criaturas, firmando as bases
para o diálogo entre todas as pessoas de boa vontade e com a sociedade civil em
geral. É importante lembrar que a lei moral natural não é exclusiva ou
predominantemente confessional mesmo que a Revelação cristã e a realização do
homem no mistério de Cristo a iluminem e a desenvolvam em plenitude. É de vital
importância que católicos e evangélicos adquiram uma consciência bem formada,
que é reta e verídica. A lei moral natural oferece as primeiras e essenciais
normas da moralidade à pessoa humana. Tomar consciência da lei moral natural é o
melhor caminho que devemos seguir na vida. Saber ouvir, saber falar e
principalmente saber refletir, a fim de não desprezarmos os deveres da
consciência impostos por nós mesmos no íntimo de nosso coração.
Pe. Brendan Coleman Mc Donald
Redentorista e Assessor da
CNBB Reg. NE1
Fonte: Arquidiocese de
Fortaleza
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