Consistório ordinário público para a criação de novos
cardeais
Homilia do Papa Francisco
Também neste momento Jesus caminha à nossa frente. Ele está
sempre à nossa frente. Precede-nos e abre-nos o caminho... E esta é a nossa
confiança e a nossa alegria: ser seus discípulos, estar com Ele, caminhar atrás
d’Ele, segui-Lo...
Quando eu e os Cardeais concelebrámos juntos a primeira
santa Missa na Capela Sistina, «caminhar» foi a primeira palavra que o Senhor
nos propôs: caminhar e, em seguida, construir e confessar.
Hoje volta aquela palavra, mas como um ato, como a ação de
Jesus que continua: «Jesus caminhava…» Isto é uma coisa que impressiona nos
Evangelhos: Jesus caminha muito e instrui os seus discípulos ao longo do
caminho. Isto é importante. Jesus não veio para ensinar uma filosofia, uma
ideologia... mas um «caminho», uma estrada que se deve percorrer com Ele; e
aprende-se a estrada, percorrendo-a, caminhando. Sim, queridos Irmãos, esta é a
nossa alegria: caminhar com Jesus.
E isso não é fácil, não é cómodo, porque a estrada que Jesus
escolhe é o caminho da cruz. Enquanto estão a caminho, fala aos seus discípulos
do que Lhe acontecerá em Jerusalém: preanuncia a sua paixão, morte e
ressurreição. E eles ficam «surpreendidos» e «cheios de medo». Surpreendidos,
sem dúvida, porque, para eles, subir a Jerusalém significava participar no
triunfo do Messias, na sua vitória – como se vê em seguida pelo pedido de Tiago
e João; e cheios de medo, por causa daquilo que Jesus haveria de sofrer e que
se arriscavam a sofrer eles também.
Mas nós, ao contrário dos discípulos de então, sabemos que
Jesus venceu e não deveríamos ter medo da Cruz; antes, é na Cruz que temos
posta a nossa esperança. E, contudo, sendo também nós humanos, pecadores,
estamos sujeitos à tentação de pensar à maneira dos homens e não de Deus.
E quando se pensa de maneira mundana, qual é a consequência?
Diz o Evangelho: «Os outros dez indignaram-se com Tiago e João» (cf. Mc 10,
41). Indignaram-se. Se prevalece a mentalidade do mundo, sobrevêm as
rivalidades, as invejas, as facções…
Assim, esta palavra que o Senhor nos dirige hoje, é muito
salutar! Purifica-nos interiormente, ilumina as nossas consciências e ajuda a
sintonizarmo-nos plenamente com Jesus; e a fazê-lo juntos, no momento em que
aumenta o Colégio Cardinalício com a entrada de novos Membros.
Então «Jesus chamou-os...» (Mc 10, 42). Aqui temos o outro
gesto do Senhor. Ao longo do caminho, dá-Se conta que há necessidade de falar
aos Doze, pára e chama-os para junto de Si. Irmãos, deixemos que o Senhor Jesus
nos chame para junto de Si! Deixemo-nos “convocar” por Ele. E ouçamo-Lo, com a
alegria de acolhermos juntos a sua Palavra, de nos deixarmos instruir por ela e
pelo Espírito Santo para, ao redor de Jesus, nos tornarmos cada vez mais um só
coração e uma só alma.
E, enquanto nos encontramos assim convocados pelo nosso
único Mestre, «chamados para junto d’Ele», digo-vos aquilo de que a Igreja
precisa: precisa de vós, da vossa colaboração e, antes disso, da vossa comunhão
comigo e entre vós. A Igreja precisa da vossa coragem, para anunciar o
Evangelho a tempo e fora de tempo, e para dar testemunho da verdade. A Igreja
precisa da vossa oração pelo bom caminho do rebanho de Cristo; a oração – não o
esqueçamos! – que é, juntamente com o anúncio da Palavra, a primeira tarefa do
Bispo. A Igreja precisa da vossa compaixão, sobretudo neste momento de
tribulação e sofrimento em tantos países do mundo. Exprimamos juntos a nossa
proximidade espiritual às comunidades eclesiais, e a todos os cristãos que
sofrem discriminações e perseguições. Devemos lutar contra toda a
discriminação! A Igreja precisa da nossa oração em favor deles, para que sejam
fortes na fé e saibam reagir ao mal com o bem. E esta nossa oração estende-se a
todo o homem e mulher que sofre injustiça por causa das suas convicções
religiosas.
A Igreja precisa de nós também como homens de paz, precisa
que façamos a paz com as nossas obras, os nossos desejos, as nossas orações.
Fazer a paz! Artesãos da paz! Por isso invocamos a paz e a reconciliação para
os povos que, nestes tempos, vivem provados pela violência, a exclusão e a
guerra.
Obrigado, Irmãos muito amados! Obrigado! Caminhemos juntos
atrás do Senhor e deixemo-nos cada vez mais convocar por Ele, no meio do povo
fiel, do santo povo fiel de Deus, da Santa Mãe Igreja. Obrigado!
Consistório ordinário público
para a criação de novos cardeais
Homilia do Papa Francisco
Basílica Vaticana
Sábado, 22 de Fevereiro de
2014
Fonte: Libreria Editrice
Vaticana
http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2014/documents/papa-francesco_20140222_omelia-concistoro-nuovi-cardinali_po.html

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