Santa Luzia ou
Lúcia - Mártir
HAGIOGRAFIA: Luzia pertencia a uma rica família
napolitana de Siracusa. Nasceu no ano 283 na Sicília, sua mãe, Eutíquia, ao
ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a
moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse
adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia,
então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de
santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha
mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote
milionário com os pobres, como era seu desejo.
Entretanto quem não
se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como
cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta
pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como
dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à
força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora
Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do
chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu
corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de
espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.
Somente em 1894 o
martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado,
quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro,
em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a
tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.
Mas a devoção à
santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de
"luz"), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório
Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no
cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa
das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas
orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.
Diz a antiga
tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que
ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo
isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade
cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico
escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a
santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou
através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.
Para proteger as
relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general
bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas
voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos
soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é
celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de
Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de
Siracusa, que a venera no mês de maio também. Morreu no ano de 304 em Siracusa,
é considerada padroeira dos oftalmologistas.
ORAÇÃO: Santa
Luzia, Virgem e Mártir, que tanto agradastes ao Senhor, preferindo sacrificar a
vida a lhe ser infiel, vinde em nosso auxílio e por meio de vossa intercessão
livrai-nos de toda a enfermidade dos olhos e do perigo de perdê-los. Possamos
por vossa intercessão passar a vida na paz do Senhor chegando um dia a vê-lo
com os olhos transfigurados na eterna pátria dos céus. Amém! Santa Luzia, rogai por nós!
Fonte: Edições Paulinas - afamiliacatolicaoracoes.blogspot.com
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