Liturgia Diária Comentada 20/12/2013
3ª Semana do Advento - 3ª Semana do Saltério
Prefácio do Advento I - Ofício do dia
Cor: Roxo - Ano Litúrgico “A” - São
Mateus
Antífona:
Isaías
11,1; 40,5; Lucas 3,6 - Um ramo brotará da raiz de Jassé; a glória do Senhor
encherá a terra inteira, e toda criatura verá a salvação de Deus.
Oração do Dia: Senhor Deus, ao
anúncio do anjo, a virgem imaculada acolheu o Verbo inefável e, como habitação
da divindade, foi inundada pela luz do Espírito Santo. Concedei que, a seu
exemplo, abracemos humildemente a vossa vontade. Por Nosso Senhor Jesus
Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Is 7,10-14 Eis que uma
virgem conceberá
Naqueles dias, o Senhor falou com Acaz, dizendo: “Pede ao
Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra,
quer venha das alturas do céu”. Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o
Senhor”.
Disse o profeta: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que
achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? Pois
bem, o próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à
luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia:
O oráculo do Emanuel situa-se em torno do ano 734 a.C. Acaz é rei de Judá. O
povo, sobretudo a população de Jerusalém, passa por graves dificuldades. A
cidade havia sido cercada por Facéia, rei de Israel, e Rason, rei de Aram,
naquela que se costumou chamar de “guerra siro-efraimita”. A coligação entre o
rei de Israel e o de Aram tinha como objetivo tomar a cidade de Jerusalém,
depor Acaz e estabelecer aí, como rei, o filho de Tabeel (cf. Is 7,6). Desse
modo, terminaria a dinastia davídica, truncando a promessa que Deus fizera a
Davi de conservar-lhe sempre um descendente no trono de Judá (cf. 2Sm 7,12-16).
Não se trata, portanto, de simples disputa pelo poder. Lido com os olhos da fé,
o episódio levanta esta questão: até quando Deus continuará sendo aliado do
povo que escolheu?
O povo vive um clima de
perplexidade, sem que o rei se importe com isso. Diante do perigo externo,
recorre a alianças perigosas com a Assíria (cf. 2Rs 16,7), gesto que Isaías
condena, pois a esperança do povo está em Javé. Além disso, ele se comporta
como idólatra, queimando seu filho único (o herdeiro ao trono) aos ídolos (cf.
2Rs 16,3).
É por isso que ele não pede
nenhum sinal a Deus, com a desculpa de não querer tentar o Senhor (Is 7,12).
Sua aparente religiosidade esconde a idolatria, e é exatamente isso que o
profeta reprova. O sinal tem por objetivo confirmar a proteção de Deus sobre o
rei e o povo, mostrando que ele permanece fiel às suas promessas. Contudo, a
fidelidade divina arrisca se tornar estéril por causa do descaso do líder.
Apesar de o rei não pedir um
sinal “desde as profundidades do reino dos mortos até as alturas lá em cima”
(v. 11), Deus se adianta e, por meio de Isaías, dá um sinal de que sua
fidelidade perdura para sempre: “A jovem concebeu e dará à luz um filho e lhe
dará o nome de Emanuel” (v. 14). O sinal é uma criança, provavelmente Ezequias,
o filho de Acaz. Ele não vai garantir a salvação para Acaz, mas devolverá
esperança ao povo. Porém, o sinal não possui espaço e tempo determinados; ele
se projeta no horizonte da esperança, rompendo as barreiras do tempo. Foi assim
que o povo, depois de Isaías, entendeu o oráculo, sonhando com a vinda do
Messias. E os primeiros cristãos, à luz das promessas de Deus, descobriram que
em Jesus a esperança do povo se realizou e a fidelidade divina atingiu sua
expressão máxima.
Mateus cita esse texto a partir
da versão grega chamada Septuaginta. Ela – não sabemos o motivo – em vez de
“jovem”, como está no hebraico (almá), traz “virgem” (parténos). (Vida Pastoral
nº 257 Paulus 2007).
Salmo:
23 (24) 1-2.
3-4ab. 5-6 (R. 7c.10b) O Senhor vai entrar, é o Rei glorioso
Ao Senhor pertence a terra e o que ela
encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme
sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.
“Quem subirá até o monte do Senhor, quem
ficará em sua santa habitação? Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não
dirige sua mente para o crime.
Sobre este desce a bênção do Senhor e a
recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do
Deus de Israel buscam a face.”
Evangelho:
Lc 1,26-38 Eis que conceberás e
darás à luz um filho
No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a
uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a
um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era
Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o
Senhor está contigo!” Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a
pensar qual seria o significado da saudação.
O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria,
porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um
filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do
Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para
sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. Maria
perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?”
O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o
poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer
será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um
filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril,
porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do
Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se. - Palavra da Salvação.
Comentário: Maria ocupou um lugar de
destaque no advento da salvação, aceitando acolher a proposta de Deus de
assumir a maternidade do Messias Jesus. A escolha de Maria não se explica, no
plano humano. Era uma jovem, já prometida em casamento a um descendente da casa
de Davi. Não pertencia a nenhuma família nobre e rica, e habitava numa cidade
escondida e mal afamada. Não passava por sua mente ligar-se, de algum modo, ao
Messias. Humanamente falando, ela não possuía os requisitos necessários para
ser mãe do Salvador.
O
diálogo de Maria com o anjo revelou a imagem que ela fazia de si mesma, bem
como o que Deus pensava a respeito dela. Da parte de Deus, era considerada
repleta de graça, amada por ele, bendita entre todas as mulheres. Em outras
palavras, possuidora dos requisitos necessários para ser colaboradora de seu
plano de salvação. Este requeria alguém totalmente disponível para Deus,
despojado de si mesmo e dos próprios interesses, e disposto a assumir uma
missão superior a tudo que se possa imaginar. Maria, por sua vez, tinha
consciência de suas limitações. Não podia imaginar que Deus a tivesse em tão
alta conta. Não conseguia conciliar a concepção do Messias com o fato de não
ter conhecido homem algum. Estava longe de compreender o que significa conceber
por obra do Espírito Santo. Contudo, como se sabia serva, não receou aceitar
cegamente o projeto de Deus. - (Padre Jaldemir
Vitório)
INTENÇÕES PARA O MÊS DE DEZEMBRO:
Geral – Crianças abandonadas: Que as crianças abandonadas ou
vítimas de qualquer forma de violência encontrem o amor e a proteção de que
necessitam.
Missionária – Preparação da vinda do
Salvador: Que nós,
cristãos, iluminados pela luz do Verbo Encarnado, preparemos a vinda do
Salvador.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo do Advento: O Advento é um tempo de preparação com dupla
finalidade: 1 - Recordar a primeira vinda de Jesus trazendo a salvação para a
humanidade, por isso Advento é tempo de alegria. 2 - Anunciar a segunda vinda
gloriosa de Jesus, por isso, Advento é também tempo de expectativa, é tempo de
redobrarmos a oração, de exercitarmos a nossa fé para não nos desviarmos do
caminho de Deus.
Advento é tempo de
conversão, devemos nos fazer pequenos e pobres, para podermos reconhecer Jesus
como único Senhor e devemos nos esvaziar de tudo que nos afasta de Deus para poder
nos encher com sua misericórdia.
O Tempo do Advento
começa nas primeiras Vésperas do domingo que sucede ao dia 30 de novembro - ou
o mais próximo desta data - e termina antes das primeiras Vésperas do Natal.
Devido a variação na data de início do Tempo do Advento a duração do mesmo pode
ser de 3 ou 4 semanas. O período de 17 a 24 de dezembro estabelece uma maior
preparação para o Natal.
Cor Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência
ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Fique com Deus e sob a proteção da
Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

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