Imaculada
Conceição - Pe. Dr. Brendan
No dia 8 de
dezembro, os católicos celebram a festa da Imaculada Conceição de Maria. O
privilégio da Imaculada Conceição não se refere ao fato de Maria de Nazaré ter
sido virgem antes, durante e depois do parto de Jesus. Não se refere ao fato de
ter ela concebido seu filho Jesus sem ter relacionamento sexual com José seu
esposo, mas por obra e graça do Espírito Santo. Não se refere ao fato de Maria
não ter cometido nenhum dos pecados que nós costumamos cometer. A Imaculada
Conceição de Maria se refere ao dogma da Igreja Católica que declara a isenção
da Virgem Maria de toda mancha do pecado original.
A teologia
católica preocupa-se em esclarecer a realidade do pecado original, para melhor
compreender a fé e a moral. Para a Igreja, a culpa não é um pecado pessoal, mas
um estado culpável, que é intimamente ligado à natureza humana, sendo-lhe
transmitido em sentido espiritual e moral. Suas consequências são a perda da
vida sobrenatural e dos dons preternaturais. Os dons preternaturais são os que
Deus concedeu aos nossos primeiros pais: integridade, que é a perfeita sujeição
dos sentidos à razão; imunidade de todas as dores e doenças; imortalidade do
corpo, e ciência moral infusa proporcionada ao seu estado (cf. CIC 374-421).
Todos os homens são implicados no pecado de Adão. São Paulo o afirma: “Pela
desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores” (Rm 5, 19).
Um fato
curioso é que nas Igrejas Orientais Maria sempre foi exaltada com expressões
que a colocou acima do pecado original, por exemplo, “a mais pura que os anjos”
ou “intemerata” etc. Na Igreja Ocidental, a doutrina da Imaculada Conceição
encontrou certa resistência para salvaguardar a doutrina da redenção operada
por Cristo em favor de todas as criaturas. Foi o teólogo Duns Scoto que
encontrou no século Xlll, uma solução para o problema. Ele disse que Maria era
preservada do pecado original, “em previsão dos méritos de Cristo, com
antecipada aplicação da redenção universal de Jesus”. Com essa sutil
argumentação os teólogos concordaram em aceitar esta doutrina. Obviamente era
conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois ela era
destinada a ser a mãe de seu Filho.
A Imaculada
Conceição de Maria foi declarada dogma de fé pelo papa Pio IX em 1854. Em 1830
Nossa Senhora havia pedido a Catarina Labouré para cunhar uma medalha com a
efígie da Imaculada e as palavras: “Maria concebida sem pecado, rogai por nós”.
Esta medalha, conhecida como “a medalha milagrosa” foi difundida aos milhões em
todo o mundo, causando uma incrível devoção a Imaculada Conceição.
Pe. Dr.
Brendan Coleman Mc Donald
Redentorista
e Assessor da CNBB Reg.NE1
Fonte:
Arquidiocese de Fortaleza
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