Primeira
Leitura: Eclo 33,3-7.14-17a (gr.2-6.12-14) Quem teme o Senhor, honra
seus pais
Deus honra o Pai nos filhos e confirma, sobre eles, a
autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita
cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como
alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus
próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai,
terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe.
Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes
desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura
ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida:
a caridade feita ao teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os
teus pecados e, na justiça, será para tua edificação - Palavra do Senhor.
Comentando o Evangelho: O livro do Eclesiástico é
tradução de um original hebraico, de autoria de Jesus Ben Sirac. Seu neto
empreendeu a obra de tradução com o objetivo de mostrar aos judeus que moravam
fora do país a riqueza da tradição do seu povo. É, portanto, um livro que ajuda
a recuperar as raízes e identidade de um povo ameaçado de perder o sentido da
vida. Vivendo em terra estranha, facilmente os judeus assimilavam a cultura e a
ideologia do país em que estavam, perdendo de vista a herança cultural e
espiritual dos antepassados, baseada na experiência de Deus em família. De
fato, o Deus de Israel foi se revelando na vida das pessoas, e essa revelação
passou de boca em boca, de pai para filho, desde os tempos mais antigos.
Os versículos que compõem a leitura de hoje são uma explicação de Ex 20,12:
“Honre seu pai e sua mãe: de modo que você prolongará sua vida na terra que
Javé seu Deus dá a você”. O mandamento está ligado à promessa de vida longa. O
Eclesiástico vai mais longe, acrescentando à vida longa (v. 6) mais duas
promessas: a de ver atendidas as orações (v. 5) e o perdão dos pecados (vv.
3.14).
Para quem vivia longe do Templo, lugar onde eram feitos os sacrifícios pelas
culpas cometidas, há agora um horizonte novo: o perdão dos pecados acontece não
por meio de um rito externo, mas de uma atitude traduzida em amor pelos pais,
sobretudo quando estes se encontram em estado de carência, como a perda do uso
da razão (v. 13). O texto se aproxima bastante da novidade trazida por Jesus de
Nazaré, que disse: “O que eu quero é a misericórdia, e não o sacrifício” (cf.
Mt 9,13) e afirmou que o Pai rejeita as ofertas sagradas que deveriam ser
empregadas na preservação da vida dos pais (cf. Mc 7,8-13).
Amar, obedecer e respeitar a fonte da vida que são os pais é amar, respeitar e
obedecer a Deus, origem de toda vida. Os pais reproduzem, em parte, o ser de
Deus que é doação. Eles não produziram para si, mas para os outros. Os filhos,
por sua vez, chegados à fase adulta da vida, são convocados a não produzir para
si, mas para outros, perpetuando a vida e amparando a dos pais na velhice (v.
12). Essa proposta quebra o sistema de sociedade do consumo e do descartável,
que só valoriza as pessoas enquanto capazes de produzir. (Vida Pastoral nº 269
Paulus 2009).
Salmo:
127(128),1-2..3.4-5
(R. Cf 1) Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
Feliz és tu, se temes o Senhor e trilhas
seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá
bem!
A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua
mesa.
Será assim abençoado todo homem que teme
o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida!
Segunda
Leitura: Cl 3,12-21 Amai-vos uns aos outros
Irmãos: Vós sois amados por Deus, sois os seus santos
eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade,
mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente,
se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós
também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da
perfeição.
Que a paz reine em vossos corações, à qual fostes chamados
como membros de um só corpo. E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com
toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com
toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e
cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras ou
obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a
Deus, o Pai.
Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como
convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com
elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no
Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem. -
Palavra do Senhor.
Evangelho:
Mt 2,13-15.19-23
Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor
apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e
foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o
menino para matá-lo”. José levantou-se
de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. Ali ficou até a morte de Herodes, para se
cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”.
Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em
sonho a José, no Egito, e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e
volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já
estão mortos”. José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, e entrou na terra de
Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai
Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em
sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade
chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas:
“Ele será chamado Nazareno”. - Palavra da Salvação.
Comentário: A Sagrada Família de Nazaré,
apesar de sua relação privilegiada com Deus, em nada foi poupada dos
infortúnios próprios dos seres humanos. Seria enganoso imaginá-la gozando de
regalias inacessíveis a qualquer pessoa comum. Talvez, exatamente porque tão
intimamente ligada a Deus, tenha sido posta à prova, de maneira tão dura.
Já os
fatos inerentes ao nascimento de Jesus comportaram motivos de aflição. É fácil
de imaginar quanta angústia acarretaram a concepção misteriosa de Maria, a
obrigação de se deslocar para Belém, quando o tempo de dar à luz estava se
aproximando, a falta de lugar adequado para o parto e as condições precárias em
que o menino Jesus nasceu.
A
fuga apressada para o Egito, para escapar da fúria homicida de Herodes, foi
mais um sofrimento imposto à Sagrada Família. À perspectiva de morte somava-se
a de ver-se obrigada a fugir para o estrangeiro, de maneira imprevista, como
também, a de ter de voltar para Israel, a fim de não cair nas garras de
Arquelau, sucessor de Herodes, devendo escolher, como lugar de moradia, a
humilde e sem importância Nazaré.
A
Sagrada Família jamais esteve isenta de tribulações. Mas nem por isso
desviou-se do caminho da fé e obediência a Deus. Sua fidelidade foi
continuamente posta à prova. E, na provação, foi se consolidando. Desta forma,
tornou-se modelo de família cristã que, experimenta as dificuldades da vida,
sem se desviar dos caminhos de Deus. - (Padre Jaldemir
Vitório)
LITURGIA
DIÁRIA COMENTADA 29/12/2013
SAGRADA FAMÍLIA, JESUS, MARIA E JOSÉ
CATÓLICOS COM JESUS:
Feliz
Natal em Cristo

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