Liturgia Diária Comentada 01/12/2013
1º Domingo do Advento - 1ª Semana do Saltério
Prefácio do Advento I - Ofício do dia
(sem o “Glória”) - Creio
Cor: Roxo - Ano Litúrgico “A” - São
Mateus
Antífona:
Salmo
24,1 - A vós meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não
seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido
quem em vós espera.
Oração do Dia: Ó Deus todo poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo
de possuir o reino celeste, para que, ocorrendo com as nossas boas obras ao
encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos
justos. Por nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Is 2, 1-5 O Senhor reúne todas as nações para a paz eterna do Reino.
Visão de Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém.
Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do
Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas e
dominará as colinas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão numerosos
povos e dirão: “Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para
que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos”; porque
de Sião provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor.
Ele há de julgar as nações e arguir numerosos povos; estes
transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices; não pegarão em
armas uns contra os outros e não mais travarão combate. Vinde, todos da casa de
Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor. - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: Em meio às guerras e ameaças
de guerra, o profeta fala da Lei divina e da comunidade de fé, chamada de Sião
ou Jerusalém. Tanto a do seu tempo como a de hoje devem ser esperança e luz
para todas as nações.
A
maneira pela qual Isaías fala de Sião ou Jerusalém, da “montanha da casa do
Senhor”, de onde vem o ensinamento, a lei de Deus para todas as nações, dá a
entender que ele pensa mais numa comunidade ideal do que na realidade física da
cidade. Isso se torna claro até pelo fato de falar de um futuro, “nos últimos
dias”.
A
“montanha da casa do Senhor” não é apenas aquela montanha que chega a 800
metros acima do nível do mar Mediterrâneo (onde está Jerusalém), mas um lugar
de encontro com Deus que se situa muito acima de qualquer alta montanha ou
serra; é uma comunidade de fé ideal, presença de Deus no mundo. Essa é que
atrai para si todas as nações.
Todos
vão à sua procura para encontrar os melhores caminhos. Todos querem aprender
dela. Todos buscam a paz, e isto é o que ela ensina: “fundir suas espadas para
fazer bicos de arado, fundir as lanças para delas fazer foices”, transformar as
armas em instrumentos de trabalho, mudar a força de destruição em força de
construção, abandonar as guerras e partir para a colaboração.
O
profeta-poeta projetava essa comunidade ideal, promotora da harmonia universal,
para um futuro, os “últimos tempos”. Esses “últimos tempos” não podem ser
apenas o momento final da história, o fim da humanidade no planeta. É o futuro
que já deve estar presente, é o futuro-presente que podemos hoje entender e pôr
em prática como a etapa decisiva da humanidade após a ressurreição do
Crucificado. (Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus
2010)
Salmo:
121,
1-2.4-5.6-7.8-9 (R. Cf. 1) Que alegria, quando me disseram: Vamos à casa do
Senhor!
Que alegria, quando ouvi que me
disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém,
em tuas portas.
Para lá sobem as tribos de Israel, as
tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A
sede da justiça lá está e o trono de Davi.
Rogai que viva em paz Jerusalém, e em
segurança os que te amam! Que a paz habite dentro de teus muros, tranquilidade
em teus palácios!
Por amor a meus irmãos e meus amigos
peço: “A paz esteja em ti!” Pelo amor que tenho à casa do Senhor, eu te desejo
todo bem!
Segunda
Leitura: Rm 13,11-14ª A salvação está mais perto de nós.
Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de
despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando
abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando; despojemo-nos das
ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente,
como em pleno dia; nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e
imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário, revesti-vos do
Senhor Jesus Cristo.
- Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: As comunidades de Roma, apesar
de pobres, viviam na capital do império. Ali não havia limites para o consumo e
o gozar a vida. Paulo as convida a não cair na tentação.
Quanto
mais escura a noite, mais próximo está o clarear do dia; quanto mais difícil a
situação (era o tempo do imperador Nero em Roma), mais perto está uma solução.
Paulo
tinha falado em 1Ts 4,15 na possibilidade de estar vivo na segunda vinda de
Cristo. Depois, sentindo provável sua condenação à morte, desejou-a (Fl 1,23)
para estar com Cristo. Agora ele fala da proximidade da salvação. Seria a vinda
final de Cristo? Seu propósito, no entanto, era encerrar sua missão na parte
oriental do império, passar por Roma e ir evangelizar a Espanha, o lado
ocidental (Rm 15,22-24). Ele não teria esses grandes e arriscados projetos se
esperasse para breve o fim do mundo.
Os
problemas internos nas comunidades de Roma também não eram poucos. Os cristãos
judeus tinham sido expulsos da cidade e agora estavam podendo voltar. A
situação da Palestina era cada vez mais grave, estava se tornando explosiva. Eles
voltavam para Roma influenciados pelas ideias de revolução e muito mais
aferrados à sua identidade judaica. Enquanto isso, os cristãos gentios de Roma,
sem dúvida, tinham se afastado mais e mais dos costumes judaicos. Os dois
grupos iriam se entender? Roma, a capital do mundo, era, além disso, uma
tentação, tentação, acima de tudo, de consumismo, pois tudo o que se produzia
de melhor em todo o império era carreado para Roma. Cair nessa tentação seria
deixar-se envolver pelo mundo das trevas.
Estão
dormindo aqueles que não têm esperança de que o mundo possa mudar nem nisso
pensam. Um mundo novo está chegando, está para ser construído; é preciso,
então, estar acordados, viver como em pleno dia – alerta Paulo –, fugir do
consumismo, que não dá nenhum sentido à vida. Como o mesmo Paulo disse em 1Ts
5, os que dormem, é de noite que dormem; os que se embriagam é de noite que se
embriagam. Esses serão pegos de surpresa. Nós, ao contrário, somos da luz e,
como tais, vivemos unidos ao Senhor e Messias Jesus. (Pe. José Luiz Gonzaga do
Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus 2010)
Evangelho:
Mt 24,37-44 Ficai atentos e preparados!
Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: A
vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Pois nos dias, antes do
dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia
em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e
arrastou a todos.
Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem.
Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será
deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será
deixada.
Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que
dia virá o Senhor. Compreendei bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas
viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse
arrombada. Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos
pensais, o Filho do Homem virá”. -
Palavra da Salvação.
Comentário: O tempo litúrgico do Advento
convida-nos à preparação para acolher o Senhor que vem. O apelo insistente da
Igreja questiona a tendência dos cristãos a serem acomodados, quando não
contaminados pela mentalidade mundana, centrada na busca desenfreada do prazer
e na consecução de interesses pessoais.
Desconhecendo
o dia e a hora em que o Senhor virá, o discípulo deve estar sempre pronto para
recebê-lo. A prontidão cristã é feita de pequenos gestos de amor, na
simplicidade do quotidiano. Nada de ações mirabolantes nem de tarefas heroicas
a serem cumpridas! Exige-se do discípulo apenas amor sincero e gratuito a Deus
e ao próximo.
O
episódio bíblico acerca da figura de Noé e do dilúvio ilustra a atitude
contrária àquela do discípulo do Reino. A devastação diluviana tomou de
surpresa a humanidade. Ninguém, além de Noé e de sua família, deu-se conta do
que estava para acontecer. Por isso, comia-se, bebia-se e se celebravam bodas,
na mais total ignorância da fúria destruidora da natureza que se abateria sobre
a Terra.
O
Senhor espera encontrar os discípulos do Reino vigilantes, quando de sua
chegada. A menor desatenção pode revelar-se perigosa. Por isso, o egoísmo
jamais poderá ter lugar no coração de quem quer ser encontrado pelo Senhor. Só
existe uma maneira de preparar-se para este momento: amar. - (Padre Jaldemir Vitório)
INTENÇÕES PARA O MÊS DE DEZEMBRO:
Geral – Crianças abandonadas: Que as crianças abandonadas ou
vítimas de qualquer forma de violência encontrem o amor e a proteção de que
necessitam.
Missionária – Preparação da
vinda do Salvador: Que nós, cristãos, iluminados pela luz do Verbo
Encarnado, preparemos a vinda do Salvador.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo do Advento: O Advento é um tempo de preparação com dupla
finalidade: 1 - Recordar a primeira vinda de Jesus trazendo a salvação para a
humanidade, por isso Advento é tempo de alegria. 2 - Anunciar a segunda vinda
gloriosa de Jesus, por isso, Advento é também tempo de expectativa, é tempo de
redobrarmos a oração, de exercitarmos a nossa fé para não nos desviarmos do
caminho de Deus.
Advento é tempo de
conversão, devemos nos fazer pequenos e pobres, para podermos reconhecer Jesus
como único Senhor e devemos nos esvaziar de tudo que nos afasta de Deus para poder
nos encher com sua misericórdia.
O Tempo do Advento
começa nas primeiras Vésperas do domingo que sucede ao dia 30 de novembro - ou
o mais próximo desta data - e termina antes das primeiras Vésperas do Natal.
Devido a variação na data de início do Tempo do Advento a duração do mesmo pode
ser de 3 ou 4 semanas. O período de 17 a 24 de dezembro estabelece uma maior
preparação para o Natal.
Cor Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência
ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Fique com Deus e sob a proteção da
Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

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