segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Liturgia Diária Comentada 12/10/2013 - NOSSA SENHORA APARECIDA Padroeira do Brasil

Liturgia Diária Comentada 12/10/2013
27ª Semana do Tempo Comum - 3ª Semana do Saltério
Solenidade: NOSSA SENHORA APARECIDA - Padroeira do Brasil
Glória e Creio - Prefácio próprio - Ofício da Solenidade
Cor: Branco - Ano Litúrgico “C” - São Lucas

Antífona: Com grande alegria rejubilo-me Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas joias.

Oração do Dia: Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, fiel à sua vocação e vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

LEITURAS:

Primeira Leitura: Est 5,1b-2; 7,2b-3 Concede-me a vida do meu povo - eis o meu desejo!
Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.



Então, o rei lhe disse: "O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida". Ester respondeu-lhe: "Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo! - Palavra do Senhor.

Comentando a Liturgia: O livro de Ester é a mais leiga das novelas do Antigo Testamento. De fato, se tirarmos os acréscimos em grego e ficarmos só com o texto hebraico, perceberemos que nele não há qualquer referência direta a Deus. Contudo, e for lido com os olhos da fé, transparecem nele claramente os temas do Deus aliado dos oprimidos e o da confiança inabalável que estes têm nele. De fato, Deus é quem conduz os destinos do seu povo, não obstante os tropeços e as dificuldades da caminhada.


O livro pode ser chamado de uma espiritualidade da resistência. A maioria dos estudiosos está de acordo em situar a redação final de Ester em meados do século II a.C. A Palestina se encontrava, nessa ocasião, sob o poder do império grego (333-63 a.C.). Sabemos que Antíoco Epífanes tentou helenizar os judeus da Palestina à força. Os livros dos Macabeus nos falam abundantemente disso, bem como da resistência dos judeus, no esforço de se manterem fiéis às suas raízes, cultura e fé.


É dentro desse contexto de resistência que surge o livro de Ester. É um texto esperto, que procura driblar, de modo velado, a dominação grega, incutindo coragem e esperança no povo que sofre, procurando transmitir confiança em Deus e armando a resistência. Para tanto, o livro de Ester narra uma história profana, acontecida alguns séculos antes, no tempo em que os judeus estavam sob o domínio persa, no tempo do rei Assuero, ou Xerxes (485-465 a.C.).


Naquela ocasião, a judia Ester conquista o coração do violento rei mediante sua graciosidade e feminilidade. Feita rainha, intercede por seu povo, que havia sido condenado ao extermínio (3,6-13) e o salva.


Os breves versículos proclamados na liturgia de hoje nos mostram Ester no esplendor de seus trajes reais apresentando-se – após haver sido decretado o extermínio dos judeus – ao rei sentado em seu trono. A confiança em Deus e a beleza física são as armas com as quais tenta anular a sentença fatal contra o povo ao qual ela pertence. Reconhece que o rei tem todo o poder decisório (= tocar o cetro), mas confia.


Durante um banquete do qual participavam o rei e Amã (o primeiro-ministro que havia conseguido a sentença capital contra os judeus e havia sido encarregado de executá-la), a rainha conquista definitivamente o coração do rei: “Qual é o seu pedido? Darei a você até a metade do meu reino” (7,2b). O pedido da rainha supera a expectativa do rei, não pelo que esse pedido pudesse custar em termos de bens, mas pelo desejo de viver e de fazer viver o seu povo: “Se o senhor quiser fazer-me um favor, se lhe parecer bem, o meu pedido é que me conceda a vida, o meu desejo é a vida do meu povo” (7,3).


A história de Ester, contando ou criando fatos do tempo passado, quer mostrar que Deus, embora pareça distante dos acontecimentos (a ausência do nome de Deus no texto hebraico é sintomática!), ele está agindo por dentro da história e das pessoas, salvando o povo por meio dos que são considerados fracos e impotentes. E a confiança que eles têm em Deus é força de resistência contra qualquer poder opressor. [Vida Pastoral nº 250 ©Paulus 2006]

Salmo: 44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16 (R. 11.12a) Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ “Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o Rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

O povo de Tiro vos traz seus presentes,/ os grandes do povo vos pedem favores./ Majestosa, a princesa real vem chegando,/ vestida de ricos brocados de ouro.

Em vestes vistosas ao Rei se dirige,/ e as virgens amigas lhe formam cortejo;/ entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real”.

Segunda Leitura: Ap 12,1.5.13a.15-16a Um grande sinal apareceu no céu.
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.

Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. A terra, porém, veio em socorro da mulher  - Palavra do Senhor.

Comentando a Liturgia: O texto pertence, na estrutura do Apocalipse, à “seção dos três sinais” (11,15-16,16). As comunidades cristãs, às quais é endereçada a mensagem, encontram-se em fase difícil por causa das perseguições. Percebem que a história da humanidade é movida por forças aparentemente superiores à capacidade de resistência dos que crêem no projeto de Deus. As forças negativas presentes na história parecem ter o poder de destruir todas as esperanças de vida das comunidades.


O autor do Apocalipse apresenta, pois, às comunidades que lêem o texto, dois sinais que devem ser interpretados, iluminando a vida dos cristãos. O primeiro sinal é grandioso e aparece no céu, isto é, no ambiente próprio de Deus. Trata-se de uma mulher, uma esposa-mãe. Ela tem por veste o sol, tem a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Sol, lua e estrelas são elementos cósmicos simbolizados. Por se encontrarem no céu, o ambiente de Deus, de alguma forma falam da presença de Deus (sol e lua são únicos, e as estrelas são doze, número perfeito). Além disso, no Apocalipse as vestes são sempre a identidade da pessoa. Portanto, essa mulher está plenamente identificada com Deus e envolvida com ele (a veste que a envolve ao redor, a lua e as estrelas que a envolvem por baixo e por cima; são dois movimentos rotatórios que dão idéia de plenitude), sendo Deus o seu aliado fiel. Além disso, o sol representa a proteção de Deus, a luz sob os pés fala da eternidade (veja, por exemplo, Salmo 72,5) e a coroa aponta para a vitória.


As comunidades que lêem o Apocalipse hoje são convidadas a interpretar o sinal. Quem é essa mulher? Alguns viram nela Eva, a mãe da humanidade (Gn 3,15-16); outros afirmam que representa Israel/Sião, freqüentemente mostrado(a) pelos profetas como esposa de Javé, responsável pela criação de um projeto alternativo de sociedade; outros – e é por isso que a liturgia escolheu esse texto – vêem nessa Mulher Maria, que deu à luz o Cristo. Para o autor do Apocalipse essa Mulher representa sem dúvida e primeiramente as comunidades proféticas do final do primeiro século em seu processo de dar à luz o projeto de Deus em meio a muita tribulação imposta pelo império romano. Essas comunidades têm dimensão celeste (o sinal aparece no céu) e dimensão terrena, pois se encontram no mundo, procurando dar continuamente à luz o Cristo e seu projeto.


O segundo sinal (vv. 23-4) é o Dragão, força de morte, aparentemente superior às forças das comunidades proféticas. Ele está diante da Mulher para lhe devorar o filho tão logo nasça. As comunidades que lêem o Apocalipse são estimuladas a interpretar o sinal: ele representa as forças opressoras e de morte que se encarnam em pessoas e arranjos sociais, dificultando o testemunho das comunidades proféticas, procurando devorar os frutos das mesmas.

Essas forças de morte estão na terra (v. 13) e perseguem a Mulher. É um conflito em que o Dragão parece ser bem sucedido, mas o resultado da luta é favorável à Mulher, pois Deus é seu aliado fiel e permanente. Dá-lhe asas para escapar do perigo (v. 14), e ela se refugia no deserto, lugar onde experimenta a intimidade do Deus que não abandona o seu povo. Lá é alimentada por Deus (v. 14), como Israel fora alimentado no deserto.


Mas não há, para as comunidades proféticas, um lugar em que possam estar sossegadas. Sua missão é dar testemunho do Cristo, num parto constante; é manter sempre lúcida e forte a profecia. Por isso o inimigo tenta impedir a caminhada, lançando contra elas um rio de água, como o mar Vermelho que, no Antigo Testamento, impedia a caminhada do povo de Deus. Porém, a terra se abre e engole o que o Dragão vomitara (v. 16). E as comunidades proféticas continuam seu esforço de constantemente dar à luz o projeto de Deus na história. [Vida Pastoral nº 250 ©Paulus 2006].

Evangelho: Jo 2,1-11 Fazei o que ele vos disser.
Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho". Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou". Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser". Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.

Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água". Encheram-nas até a boca. Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala". E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.

O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!" Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele - Palavra da Salvação.

Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): Embora as atenções do texto evangélico se concentrem em Jesus, não se pode subestimar o papel de Maria, co-protagonista no primeiro sinal que ele realizou, como manifestação do amor misericordioso de Deus derramado sobre a humanidade.

Sua condição de “mãe de Jesus”, sua maternidade e os vínculos de dependência com o seu filho passam para um segundo plano. Destaca-se, sim, sua adesão pessoal e sua confiança radical em Jesus. Por sua intervenção, o Messias antecipou a “hora” de se manifestar ao mundo. A transformação da água em vinho de excelente qualidade simboliza os tempos messiânicos, tempo de festa e de alegria pela salvação operada por Deus.

Por outro lado, Maria conduz os discípulos à fé em Jesus: “Façam tudo o que ele mandar!”. Ela os estimula a assumir uma postura de acolhida obediente em relação aos ensinamentos de Jesus, desempenhando uma função pedagógica e orientadora. Ensina-os a serem servidores e amigos de Jesus, perfeitamente sintonizados com ele.

A postura de Maria é uma luz para a comunidade empenhada viver com perfeição o discipulado cristão. Sua dupla atenção, a Jesus e ao que acontecia a seu redor, permitiu-lhe intervir a favor de um casal de noivos em apuros. Assim se comporta o discípulo no seu esforço de coadunar fé (adesão a Jesus) e vida (profunda atenção às necessidades do próximo). Como Maria, o discípulo deve ajudar as pessoas a abrirem o coração para a fé.

INTENÇÕES PARA O MÊS DE OUTUBRO:

Geral – Os angustiados: Que as pessoas que se sentem angustiadas, até mesmo a ponto de desejar o fim desta vida, percebam a proximidade amoroso de Deus.

Missionária – Jornada Missionária Mundial: Que a Jornada Missionária Mundial nos anime a ser não só destinatários, mas também anunciadores da Palavra de Deus.

TEMPO LITÚRGICO:

Tempo Comum: O Tempo Comum começa no dia seguinte à Celebração da Festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes da Quaresma. Recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento NALC 44.

Cor Litúrgica: BRANCO - Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.

Fique com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia

Fonte: CNBB / Missal Cotidiano


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