Liturgia Diária Comentada 12/10/2013
27ª Semana do Tempo Comum - 3ª Semana do Saltério
Solenidade: NOSSA SENHORA APARECIDA - Padroeira do Brasil
Glória e Creio - Prefácio próprio - Ofício da Solenidade
Cor: Branco - Ano Litúrgico “C” - São
Lucas
Antífona:
Com grande alegria rejubilo-me Senhor, e minha alma exultará no meu
Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas joias.
Oração do Dia: Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição
de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, fiel à
sua vocação e vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria
definitiva. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo. Amém!
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Est 5,1b-2; 7,2b-3 Concede-me a vida do meu povo - eis o meu desejo!
Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no
vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava
sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. Ao ver a rainha
Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de
ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
Então, o rei lhe disse: "O que me pedes, Ester; o que
queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria
concedida". Ester respondeu-lhe: "Se ganhei as tuas boas graças, ó
rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida
do meu povo - eis o meu desejo! - Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: O livro de Ester é a mais
leiga das novelas do Antigo Testamento. De fato, se tirarmos os acréscimos em
grego e ficarmos só com o texto hebraico, perceberemos que nele não há qualquer
referência direta a Deus. Contudo, e for lido com os olhos da fé, transparecem
nele claramente os temas do Deus aliado dos oprimidos e o da confiança
inabalável que estes têm nele. De fato, Deus é quem conduz os destinos do seu
povo, não obstante os tropeços e as dificuldades da caminhada.
O livro pode ser chamado de uma espiritualidade da resistência. A maioria dos
estudiosos está de acordo em situar a redação final de Ester em meados do
século II a.C. A Palestina se encontrava, nessa ocasião, sob o poder do império
grego (333-63 a.C.). Sabemos que Antíoco Epífanes tentou helenizar os judeus da
Palestina à força. Os livros dos Macabeus nos falam abundantemente disso, bem
como da resistência dos judeus, no esforço de se manterem fiéis às suas raízes,
cultura e fé.
É dentro desse contexto de resistência que surge o livro de Ester. É um texto
esperto, que procura driblar, de modo velado, a dominação grega, incutindo
coragem e esperança no povo que sofre, procurando transmitir confiança em Deus
e armando a resistência. Para tanto, o livro de Ester narra uma história
profana, acontecida alguns séculos antes, no tempo em que os judeus estavam sob
o domínio persa, no tempo do rei Assuero, ou Xerxes (485-465 a.C.).
Naquela ocasião, a judia Ester conquista o coração do violento rei mediante sua
graciosidade e feminilidade. Feita rainha, intercede por seu povo, que havia
sido condenado ao extermínio (3,6-13) e o salva.
Os breves versículos proclamados na liturgia de hoje nos mostram Ester no
esplendor de seus trajes reais apresentando-se – após haver sido decretado o
extermínio dos judeus – ao rei sentado em seu trono. A confiança em Deus e a
beleza física são as armas com as quais tenta anular a sentença fatal contra o
povo ao qual ela pertence. Reconhece que o rei tem todo o poder decisório (=
tocar o cetro), mas confia.
Durante um banquete do qual participavam o rei e Amã (o primeiro-ministro que
havia conseguido a sentença capital contra os judeus e havia sido encarregado
de executá-la), a rainha conquista definitivamente o coração do rei: “Qual é o
seu pedido? Darei a você até a metade do meu reino” (7,2b). O pedido da rainha
supera a expectativa do rei, não pelo que esse pedido pudesse custar em termos
de bens, mas pelo desejo de viver e de fazer viver o seu povo: “Se o senhor
quiser fazer-me um favor, se lhe parecer bem, o meu pedido é que me conceda a
vida, o meu desejo é a vida do meu povo” (7,3).
A história de Ester, contando ou criando fatos do tempo passado, quer mostrar
que Deus, embora pareça distante dos acontecimentos (a ausência do nome de Deus
no texto hebraico é sintomática!), ele está agindo por dentro da história e das
pessoas, salvando o povo por meio dos que são considerados fracos e impotentes.
E a confiança que eles têm em Deus é força de resistência contra qualquer poder
opressor. [Vida Pastoral nº 250 ©Paulus 2006]
Salmo:
44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16
(R. 11.12a) Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com
vossa beleza!
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/
“Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o Rei se encante com vossa beleza!/
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
O povo de Tiro vos traz seus presentes,/
os grandes do povo vos pedem favores./ Majestosa, a princesa real vem
chegando,/ vestida de ricos brocados de ouro.
Em vestes vistosas ao Rei se dirige,/ e
as virgens amigas lhe formam cortejo;/ entre cantos de festa e com grande
alegria,/ ingressam, então, no palácio real”.
Segunda
Leitura: Ap 12,1.5.13a.15-16a Um grande sinal apareceu no céu.
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol,
tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela
deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de
ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão
começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. A serpente, então,
vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. A terra,
porém, veio em socorro da mulher -
Palavra do Senhor.
Comentando a Liturgia: O texto pertence, na estrutura
do Apocalipse, à “seção dos três sinais” (11,15-16,16). As comunidades cristãs,
às quais é endereçada a mensagem, encontram-se em fase difícil por causa das
perseguições. Percebem que a história da humanidade é movida por forças
aparentemente superiores à capacidade de resistência dos que crêem no projeto
de Deus. As forças negativas presentes na história parecem ter o poder de
destruir todas as esperanças de vida das comunidades.
O autor do Apocalipse apresenta, pois, às comunidades que lêem o texto, dois
sinais que devem ser interpretados, iluminando a vida dos cristãos. O primeiro
sinal é grandioso e aparece no céu, isto é, no ambiente próprio de Deus.
Trata-se de uma mulher, uma esposa-mãe. Ela tem por veste o sol, tem a lua sob
os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Sol, lua e estrelas são
elementos cósmicos simbolizados. Por se encontrarem no céu, o ambiente de Deus,
de alguma forma falam da presença de Deus (sol e lua são únicos, e as estrelas
são doze, número perfeito). Além disso, no Apocalipse as vestes são sempre a
identidade da pessoa. Portanto, essa mulher está plenamente identificada com
Deus e envolvida com ele (a veste que a envolve ao redor, a lua e as estrelas
que a envolvem por baixo e por cima; são dois movimentos rotatórios que dão
idéia de plenitude), sendo Deus o seu aliado fiel. Além disso, o sol representa
a proteção de Deus, a luz sob os pés fala da eternidade (veja, por exemplo,
Salmo 72,5) e a coroa aponta para a vitória.
As comunidades que lêem o Apocalipse hoje são convidadas a interpretar o sinal.
Quem é essa mulher? Alguns viram nela Eva, a mãe da humanidade (Gn 3,15-16);
outros afirmam que representa Israel/Sião, freqüentemente mostrado(a) pelos
profetas como esposa de Javé, responsável pela criação de um projeto
alternativo de sociedade; outros – e é por isso que a liturgia escolheu esse
texto – vêem nessa Mulher Maria, que deu à luz o Cristo. Para o autor do
Apocalipse essa Mulher representa sem dúvida e primeiramente as comunidades
proféticas do final do primeiro século em seu processo de dar à luz o projeto
de Deus em meio a muita tribulação imposta pelo império romano. Essas
comunidades têm dimensão celeste (o sinal aparece no céu) e dimensão terrena,
pois se encontram no mundo, procurando dar continuamente à luz o Cristo e seu
projeto.
O segundo sinal (vv. 23-4) é o Dragão, força de morte, aparentemente superior
às forças das comunidades proféticas. Ele está diante da Mulher para lhe
devorar o filho tão logo nasça. As comunidades que lêem o Apocalipse são
estimuladas a interpretar o sinal: ele representa as forças opressoras e de
morte que se encarnam em pessoas e arranjos sociais, dificultando o testemunho
das comunidades proféticas, procurando devorar os frutos das mesmas.
Essas
forças de morte estão na terra (v. 13) e perseguem a Mulher. É um conflito em
que o Dragão parece ser bem sucedido, mas o resultado da luta é favorável à
Mulher, pois Deus é seu aliado fiel e permanente. Dá-lhe asas para escapar do
perigo (v. 14), e ela se refugia no deserto, lugar onde experimenta a intimidade
do Deus que não abandona o seu povo. Lá é alimentada por Deus (v. 14), como
Israel fora alimentado no deserto.
Mas não há, para as comunidades proféticas, um lugar em que possam estar
sossegadas. Sua missão é dar testemunho do Cristo, num parto constante; é
manter sempre lúcida e forte a profecia. Por isso o inimigo tenta impedir a
caminhada, lançando contra elas um rio de água, como o mar Vermelho que, no
Antigo Testamento, impedia a caminhada do povo de Deus. Porém, a terra se abre
e engole o que o Dragão vomitara (v. 16). E as comunidades proféticas continuam
seu esforço de constantemente dar à luz o projeto de Deus na história. [Vida
Pastoral nº 250 ©Paulus 2006].
Evangelho:
Jo 2,1-11 Fazei o que ele vos disser.
Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe
de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados
para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse:
"Eles não têm mais vinho". Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que
dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou". Sua mãe disse aos que
estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser". Estavam seis talhas
de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada
uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas
de água". Encheram-nas até a boca. Jesus disse: "Agora tirai e levai
ao mestre-sala". E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água que se
tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam
servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo
mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão
embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até
agora!" Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da
Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele - Palavra da Salvação.
Comentando o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): Embora
as atenções do texto evangélico se concentrem em Jesus, não se pode subestimar
o papel de Maria, co-protagonista no primeiro sinal que ele realizou, como
manifestação do amor misericordioso de Deus derramado sobre a humanidade.
Sua
condição de “mãe de Jesus”, sua maternidade e os vínculos de dependência com o
seu filho passam para um segundo plano. Destaca-se, sim, sua adesão pessoal e
sua confiança radical em Jesus. Por sua intervenção, o Messias antecipou a
“hora” de se manifestar ao mundo. A transformação da água em vinho de excelente
qualidade simboliza os tempos messiânicos, tempo de festa e de alegria pela
salvação operada por Deus.
Por
outro lado, Maria conduz os discípulos à fé em Jesus: “Façam tudo o que ele
mandar!”. Ela os estimula a assumir uma postura de acolhida obediente em
relação aos ensinamentos de Jesus, desempenhando uma função pedagógica e
orientadora. Ensina-os a serem servidores e amigos de Jesus, perfeitamente
sintonizados com ele.
A
postura de Maria é uma luz para a comunidade empenhada viver com perfeição o
discipulado cristão. Sua dupla atenção, a Jesus e ao que acontecia a seu redor,
permitiu-lhe intervir a favor de um casal de noivos em apuros. Assim se
comporta o discípulo no seu esforço de coadunar fé (adesão a Jesus) e vida
(profunda atenção às necessidades do próximo). Como Maria, o discípulo deve
ajudar as pessoas a abrirem o coração para a fé.
INTENÇÕES PARA O MÊS DE OUTUBRO:
Geral – Os angustiados: Que as pessoas que se sentem
angustiadas, até mesmo a ponto de desejar o fim desta vida, percebam a
proximidade amoroso de Deus.
Missionária – Jornada Missionária
Mundial: Que a
Jornada Missionária Mundial nos anime a ser não só destinatários, mas também anunciadores
da Palavra de Deus.
TEMPO LITÚRGICO:
Tempo Comum: O Tempo Comum começa no dia seguinte à
Celebração da Festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes
da Quaresma. Recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina
antes das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento NALC 44.
Cor Litúrgica: BRANCO - Simboliza a alegria cristã e o
Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades,
pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
Fique com Deus e sob a proteção da
Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
Fonte: CNBB / Missal Cotidiano

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