CORAÇÃO DE COMPAIXÃO (Miserere
Cordis)
Amor na
simplicidade de Coração; pois, o que é simples é simplesmente perfeito; uma das
perfeições de Deus.
A misericórdia
divina é o amor de bondade infinita de Deus; amor gratuito e, por isso,
misericordioso; amor que nos sela com o selo do Espírito Santo, que nos fora
prometido (Ef 1,13; 4,30).
Em nós a
misericórdia do Pai e do Filho é tão sublime e especial que fecunda e germina
nos corações, de geração em geração, conforme a promessa divina: “Eu sou o
Senhor teu Deus, um Deus zeloso, que corrijo a iniquidade dos pais nos filhos,
até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam; mas uso de misericórdia
até a milésima geração com aqueles que me amam e observam os meus mandamentos”
(Dt 5,9-10).
A Snta. Faustina,
nesse sentido, o Senhor Jesus Cristo, também, falou: “Derramo todo o amor de
graças nas almas que se aproximam da fonte da misericórdia”. “A Igreja não terá
paz enquanto não se voltar à fonte da minha misericórdia”
Assim, a
misericórdia divina é plenitude de bondade do amor de Deus nos corações de seus
filhos e filhas, por ele, amados. É um exercício do coração de compaixão
(miserere cordis), de um Deus simples, por isso, profundamente compassivo,
lento para ira, cheio de clemência e de fidelidade para com aqueles que se
abrem à divina misericórdia, e que, por isso, alcançam abundantes misericórdias
(Mt 5,7). Assim nos vem do latim: “cor cordis” = coração; “miserere cordis” =
“coração de compaixão”. Coração que é compassivo, lento para julgar, não
condena e perdoa “setenta vezes sete” (Mt 18,21-22). Basta que perdoemos aos
homens os seus pecados, o Pai celeste nos perdoará (Mt 6,14); e, tem mais: “não
guardará na Sua lembrança nossos pecados”(Is 43,25b).
O apóstolo Paulo,
em belíssima saudação, assim se expressou: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias; Deus de todas as consolações, que
nos conforta em nossas tribulações; para que, pelas consolações com que nós
mesmos somos consolados, possamos consolar aqueles que se encontram em
angústia” (II Cor 1,3-4).
“Ora, o Senhor teu
Deus é um Deus misericordioso e não te desamparará” (Dt 4,31).
“Ainda que os
montes sejam abalados e tremam as colinas, jamais afastarei de ti a minha
misericórdia” (Is 54,10).
Porque, eu sou
Deus, teu único Senhor, que sempre te amei com amor eterno, e sou constante na minha
afeição por ti. (Jr 31,3)
A misericórdia
divina é amor de resgate; amor que é sempre amor forte e invencível, amor de
presença indizível, de gratuidade, de entrega incondicional e, por isso, de
abandono de si mesmo; aquele que assume, de coração abrasado; como o samaritano
que cuidou das feridas do que estava caído à beira do caminho; deitou vinho e
óleo nas suas feridas, colocou-o na sua montaria e o levou à hospedaria. Lá
chegando, dando dois denários ao hospedeiro, disse-lhe: tomo conta dele até que
eu volte, e, se gastares mais, to pagarei.
Pois, eis o que diz
o Senhor Javé: “vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei
sobre elas” (Ez 34,11). “A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a
reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei
sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça” (Ez
34,16).
Desse modo,
concluindo, eis aqui, para todos os filhos e filhas de Deus, as ordenações que
o Senhor Jesus fez aos que desejarem alcançar as alegrias da vida eterna (I Jo
5,11-12), do reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo: “Sede
misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não
sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis
perdoados; daí, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia,
recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis
medidos vós também” (Lc 6,36-38).
Misericordioso é
aquele que, a exemplo do Senhor Jesus Cristo, na cruz, assume a miséria alheia,
concedendo-lhe a igualdade de vida saudável, feliz, alegre e eterna, no reino
do coração do Eterno Pai, que já se encontra dentro de nós. (Is 45,15; Lc
17,21).
João C. Porto – Poço de Jacó

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Sua opinião é muito importante para nós.