A Revelação Divina
a) A razão natural
pela qual o homem pode acolher a revelação divina.
“Desde a criação do
mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se
tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem
escusar” (Rm 1,20)
b) A inspiração
reveladora do Espírito Santo, que nos capacita sobrenaturalmente.
“Não que sejamos
capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa
capacidade vem de Deus” (II Cor 3,5).
Ora, através da
razão natural, pelas coisas criadas, conhecemos a Deus e, pela razão
sobrenatural, recebemos do Senhor Jesus Cristo o entendimento para conhecermos
o verdadeiro Deus e a vida eterna.
“Sabemos que o
Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos
no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro
Deus e a vida eterna” (I Jo 5,20).
Tudo isso, para
conhecermos as coisas reveladas pelo Espírito Santo, conhecendo a Deus e a
extensão de sua vontade em nós e através de nosso viver.
“O espírito Santo
vos inspirará naquela hora o que deveis dizer” (Lc 12,12).
“Porque não sereis
vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós” (Mt 10,20).
Assim, Deus se
revela aos homens para que todos conheçam o mistério de sua vontade.
“Ele manifestou o
misterioso desígnio de sua vontade, que em sua benevolência formara desde
sempre, para realiza-lo na plenitude dos tempos – desígnio de reunir em Cristo
todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,9-10).
01 - Qual é o tripé
da Revelação Divina?
a) As sagradas
Escrituras:
“Toda a Escritura
divinamente inspirada por Deus é útil para ensinar, para repreender, para
corrigir, para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito,
apto para toda a boa obra” (II Tm 3,16-17).
b) O Magistério da
Igreja:
“Se teu irmão pecar
contra ti, vai, e corrige-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste o teu
irmão; se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para
que pela boca de duas outras testemunhas se decida toda a questão”; se os não
ouvir, dize-o à Igreja. “Se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e um
publicano” (Mt 18,15-17=Vulgata).
c) A Sagrada
Tradição:
“Permanecei, pois,
constantes, irmãos e conservai as tradições, que aprendestes, ou por nossas
palavras ou por nossa carta” (II Ts 2,14=Vulgata).
02. Em que consiste
o mistério da vontade de Deus?
Em que Deus nos
enviou o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito de amor para a
salvação do mundo; a fim de que participemos de sua glória.
“A mim o mais
insignificante dentre todos os santos, coube-me a graça de anunciar entre os
pagãos a inexplorável riqueza de Cristo, e a todos manifestar o desígnio
salvador de Deus, mistério oculto desde a eternidade em Deus, que tudo criou”
(Ef 3,8-9).
Esse desígnio, que
tem como fundamento a graça e a verdade, mediante a fé em Jesus Cristo (Jo
1,16; Ef 2,8), é conhecido pela tradição patrística como a “Economia do Verbo
ou a Economia da salvação”.
Sua base é
transportar-nos, em nosso Senhor Jesus Cristo, nas asas do amor do Pai; das
trevas e do poder de Satanás à salvação e a luz admirável (I Tm 6,15-16), para
que sejamos em seu único Filho, filhos adotivos e herdeiros com Cristo. (Gl
4,5-7; Rm 8,17).
“Assim, como nele
mesmo nos acolheu antes da criação do mundo, por amor, para sermos santos e
imaculados (I Jo 5,18) diante dele; o qual nos predestinou para sermos seus
filhos adotivos por (meio de) Jesus Cristo, para sua glória, por sua livre vontade”
(Ef 1,4-5).
Desse modo, Deus
nos revestiu da sua graça para nos capacitar (II Cor 3,5) ao seu conhecimento,
para conhecê-lo e amá-lo através do “SIM” de adesão pela fé em seu Filho Jesus
Cristo (Gl 3,26-27).
Santo Irineu de
Leão: “Verbo de Deus habitou e fez-se Filho do Homem para acostumar o homem a
apreender a Deus e acostumar a Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito
do Pai”.
03. Como observar
as etapas das revelações, através das manifestações divinas, na história do
povo de Deus?
a) Deus se dá a
conhecer:
Deus está presente
em tudo que criou – os céus e a terra e em tudo o que neles há – através do
Verbo divino (Jo 1,1-3). Assim, as coisas criadas testemunham a existência de
Deus (Rm 1,20). Por elas, a partir de sua razão natural, o homem começa a
descobrir o Deus que se revela e que se manifesta como vida eterna em favor de
todos os corações que sabem amar (Jo 12,46).
Por isso, o Senhor
nosso Deus, apesar do pecado original e do atual, jamais deixou de nos amar (Jr
31,3), mas prometeu-nos, por meio de sua graça e da misericórdia divina, da fé,
da esperança e da caridade do seu amor – o Espírito Santo – alentando-nos com a
promessa da redenção, a fim de que perseveremos na espera da salvação
consoladora, conforme a promessa. (Is 54,10).
Missal Romano: “E
quando pela desobediência perderam vossa amizade, não os abandonastes ao poder
da morte”... Oferecestes muitas vezes alianças aos homens e as mulheres.
É verdade que, após
o pecado original, a iniquidade difundiu-se terrivelmente sobre a terra (II Tm
2,17) até ao ponto em que o Senhor disse a Noé:
“O fim de toda a
carne chegou diante de mim; a terra, por suas obras, está cheia de iniquidades,
e eu os exterminarei com a terra” (Gn 6,13).
Agora, feche seus
olhos e medite um pouco no mal do pecado que pode conduzir-nos à morte eterna
(Mt 10,28) e tente a estabelecer um paralelo com os benefícios que brotaram da
cruz, pelos quais somos resgatados em Cristo Jesus, para a vida em seu nome
glorioso. Então, faça a escolha e um propósito na vida do seu coração. (Jo
11,40).
E o Senhor disse,
ainda, a Noé:
“Eis que vou fazer
a minha aliança convosco e com a vossa posteridade depois de vós” (Gn 9,9).
Ora, após o
dilúvio, com o crescimento da humanidade, cresceu novamente com ela a
iniquidade, o orgulho e a vaidade. Por isso, o Senhor os dividiu na Babel, em
povos e línguas diversas (Gn 11,6-9).
Apesar disso, a
aliança celebrada com Noé perdurará sempre (Lc 21,24) e até o tempo das nações
(Mt 28,19).
b) Deus chama a
Abrão:
Dos semitas, que
corresponde a linhagem de Sem, filho de Noé, Javé chamou de Ur da Caldeia a
Abrão, indicou-lhe uma nova terra, fora do seu pais, da sua parentela e da sua
casa; trocou-lhe o nome para Abraão, porque pela fidelidade de sua fé,
tornou-se pai de muitas nações (Gn 17,5).
“Abençoarei os que
te abençoares, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas
todas as nações da terra” (Gn 22,18).
Olhando para
Abraão, o pai da fé, conforme o relato acima, pois, deixando tudo por obediência
a Deus, foi para uma terra estranha e distante, como você acha que deva ser sua
entrega a Deus, na pessoa do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo? Medite!...
Então, na
descendência de Abraão está a promessa feita aos patriarcas, ao povo eleito,
através do qual o Senhor preparou pacientemente a plenitude dos tempos, com a
presença do seu Filho amado (Mt 3,17) e de sua Igreja viva (Hb 12,23-24).
c) Israel, povo de
Deus.
Na descendência de
Abraão, Deus formou seu povo, Israel, libertando-o da escravidão do Egito (430
anos) através de seu servo Moisés, a quem deu sua lei e selou a aliança do
Sinai com seu povo, em quanto preparava a vinda do Salvador prometido. (Gn
3,15).
4. Qual a origem do
nome “Israel”?
Israel “é o povo
daqueles aos que Deus falou em primeiro lugar, o povo dos irmãos mais velhos na
fé de Abraão”.
“E todos os povos
da terra verão que é invocando sobre ti o nome do Senhor, e temer-te-ão” (Dt
28,10).
Na verdade, Deus
falou outrora através dos profetas, para preparar seu povo na esperança da
salvação, a fim de que estivessem aptos
a participar da Nova Aliança. (Jr 31,31-34).
Para essa Nova
Aliança foi anunciada o batismo de purificação, tantas vezes prefigurado no
Antigo Testamento; um coração e um espírito novo, o Espírito Santo como selo
divino “(Ef 1,13)” dos preceitos que o povo deveria guardar e praticar, a fim
de ser verdadeiramente povo de Deus (Ez 36,24-28).
Igualmente, os
profetas anunciaram a salvação para todas as nações, conforme Deus dissera
outrora ao patriarca Abraão: “Em ti serão abençoadas todas as nações da terra”
(Gn 12,3).
Ora, entre o povo,
os pobres e os humildes serão portadores dessa esperança (Sf 2,3).
“Eis aqui a serva
do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Na verdade, Jesus
Cristo é o Filho de Deus feito homem, o Verbo divino, a sabedoria de Deus que o
Pai nos enviou à terra de nossos corações (Jo 14,6), para a salvação de todo o
que crê (At 10,43; Mc 16,16; Jo 6,47).
Desse modo,
enquanto Deus falou através dos profetas da Antiga Aliança, falou face a face
conosco, pelo Verbo que se fez carne e armou a sua tenda no terreno fértil dos
corações (Jo 1,14; Hb 1,1-2).
João C. Porto – Poço de Jacó

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