Salmo 102 - Uma oração suplicante, mas corajosa
Uma oração suplicante, mas corajosa, é o que Deus espera de
cada um de seus filhos e filhas. Coloquemo-nos na presença de Deus de forma espontânea
e verdadeira, não devemos nos cercar de frases de efeito, pré-fabricadas, como
se coloca um advogado diante de um júri. Deus que é nosso juiz é antes de tudo
nosso Pai, um Pai que nos amou primeiro, e nos ama de forma incondicional.
Não devemos maquiar nossa dor, nossa angustia, nossos medos
e traumas, buscar palavras amenas como se Deus ficasse ofendido com a verdade.
Deus conhece nossas limitações e fraquezas, por isso enviou seu Filho para
pagar o preço do nosso resgate, sabia Ele desde sempre, que não seriamos
capazes de pagar o preço que Jesus pagou.
Neste Salmo, o autor sagrado apresenta a Deus sua miséria com
toda a indignação que a força da palavra possa ter, não buscou amenizar sua
revolta e insatisfação, desabafou e chorou suas derrotas, no final, somente depois
de ter tido a coragem de rasgar seu coração verdadeiramente diante de Deus, foi
que pode abrir espaço para se sentir amado, para reconhecer que Deus não está
ausente, que tudo é possível para aquele que crer. Fé é acreditar no invisível,
antes que ele se torne visível.
Salmo 102
1. Prece de um infeliz que, desfalecido, derrama sua
lamentação diante de Javé. 2. Javé, ouve a minha prece, que o meu grito chegue
a ti! 3. Não escondas tua face de mim, no dia da minha angústia. Inclina teu
ouvido para mim, e no dia em que eu te invoco, responde-me depressa! 4. Porque
os meus dias se consomem em fumaça, e meus ossos queimam como braseiro. 5.
Pisado como relva, meu coração está secando, e eu me esqueço até mesmo de comer
o meu pão. 6. Por causa da violência do meu grito, os ossos já se grudam à
minha pele. 7. Estou como o pelicano do deserto, como o mocho das ruínas. 8.
Fico desperto, gemendo, como ave solitária no telhado. 9. Meus inimigos me
ultrajam o dia todo e me amaldiçoam, furiosos contra mim. 10. Eu como cinza em
vez de pão, e com a minha bebida misturo lágrimas, 11. por causa da tua cólera
e do teu furor, pois me elevaste e me jogaste no chão. 12. Meus dias são sombra
que se expande, e eu vou secando como relva. 13. Tu, porém, Javé, permaneces
para sempre, e tua lembrança passa de geração em geração! 14. Levanta-te, tenha
pena de Sião, pois é tempo de teres piedade dela. Sim, chegou a hora, 15.
porque teus servos amam suas pedras, compadecidos de sua ruína. 16. As nações
temerão o teu nome, e os reis da terra a tua glória. 17. Quando Javé
reconstruir Sião e aparecer com a sua glória; 18. quando se voltar para a prece
do indefeso e não desprezar sua prece, 19. fique escrito isto para a geração
futura, e um povo recriado louvará a Deus: 20. Javé se inclinou do seu alto santuário
e do céu contemplou a terra, 21. para ouvir o gemido dos prisioneiros e libertar
os condenados à morte; 22. para proclamar em Sião o nome de Javé, e em
Jerusalém o seu louvor, 23. quando se reunirem povos e reinos para servir a
Javé. 24. Ele esgotou a minha força no caminho, encurtou os meus dias. 25.
Então eu disse: "Meu Deus, não me arrebates na metade dos meus dias".
Teus anos duram gerações de gerações. 26. No princípio, tu firmaste a terra, e
o céu é obra de tuas mãos. 27. Eles perecerão, mas tu permaneces. Ficarão
gastos como roupa, serão como veste que se muda. 28. Tu, porém, és o mesmo
sempre, e teus anos jamais se acabarão. 29. Os filhos de teus servos viverão
seguros, e a descendência deles se manterá na tua presença.
Fique com Deus e sob a proteção da
Sagrada Família
Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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