Encíclica Lumen fidei - A luz da fé: síntese do conteúdo
Lumen Fidei - A luz da fé, assim
se intitula a primeira Encíclica do Papa Francisco que hoje (05/07) foi
apresentada em conferência de imprensa, no Vaticano. Dirigida aos bispos,
sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e a todos os fiéis leigos, a
Encíclica – explica o Papa Francisco - já estava "quase completada"
por Bento XVI. Àquela "primeira versão" o atual Pontífice acrescentou
"ulteriores contribuições". A finalidade do documento é recuperar o
carácter de luz que é específico da fé, capaz de iluminar toda a existência
humana.
Quem acredita nunca está sozinho, porque a fé é um bem comum
que ajuda a edificar as nossas sociedades, dando esperança. E’ este é o coração
da Lumen fidei. Numa época como a nossa, a moderna - escreve o Papa - em que o
acreditar se opõe ao pesquisar e a fé é vista como um salto no vazio que impede
a liberdade do homem, é importante ter fé e confiar, com humildade e coragem,
ao amor misericordioso de Deus, que endireita as distorções da nossa história.
Testemunha fiável da fé é Jesus, através do qual Deus atua
realmente na história. Como na vida de cada dia confiamos no arquiteto, o
farmacêutico, o advogado, que conhecem as coisas melhor que nós, assim também
para a fé confiamos em Jesus, um especialista nas coisas de Deus. A fé sem a
verdade não salva, diz em seguida o Papa – fica a ser apenas um bonito conto de
fadas, sobretudo hoje em que se vive uma crise de verdade, porque se acredita
apenas na tecnologia ou nas verdades do indivíduo, porque se teme o fanatismo e
se prefere o relativismo. Pelo contrário, a fé não é intransigente, o crente
não é arrogante: a verdade que vem do amor de Deus não se impõe pela violência,
não esmaga o indivíduo e torna possível o diálogo entre fé e razão. Se torna,
portanto, essencial a evangelização: a luz de Jesus brilha no rosto dos
cristãos e se transmite de geração em geração, através das testemunhas da fé.
Mas de uma maneira especial, a fé se transmite através dos Sacramentos, como o Batismo e a Eucaristia, e através da confissão de fé do Credo e a Oração do
Pai Nosso, que envolvem o crente nas verdades que confessa e o fazem ver com os
olhos de Cristo. A fé é uma, sublinha o Papa, e a unidade da fé é a unidade da
Igreja.
Também é forte a ligação entre acreditar e construir o bem
comum: a fé torna fortes os laços entre os homens e se coloca ao serviço da
justiça, do direito e da paz. Essa não nos afasta do mundo, muito pelo
contrário: se a tirarmos das nossas cidades, ficamos unidos apenas por medo ou
por interesse. A fé, pelo contrário, ilumina a família fundada no matrimónio
entre um homem e uma mulher; ilumina o mundo dos jovens que desejam “uma vida
grande", dá luz à natureza e nos ajuda a respeitá-la, para "encontrar
modelos de desenvolvimento que não se baseiam apenas na "utilidade ou
lucro, mas que consideram a criação como um dom". Mesmo o sofrimento e a
morte recebem um sentido do facto de confiarmos em Deus, escreve ainda o
Pontífice: ao homem que sofre o Senhor não dá um raciocínio que explica tudo,
mas a sua presença que o acompanha. Finalmente, o Papa lança um apelo:
"Não deixemos que nos roubem a esperança, não deixemos que ela seja
frustrada com soluções e propostas imediatas que nos bloqueiam o caminho para
Deus”.
Fonte: News.va/pt
news.va/pt/news/enciclica-lumen-fidei-a-luz-da-fe-sintese-do-conte
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