15,1-20 – Tu és o rei dos judeus?
O Sinédrio tem o poder de prender, mas não de condenar a morte, por isso levam Jesus para Pilatos (procurador romano), acontece que teriam de apresentar uma acusação que fosse do interesse de Roma, e não deu outra, acuraram Jesus de querer ser o rei dos judeus. Entenda que Roma não aceitava a possibilidade de uma Judéia livre, sendo assim, essa era uma acusação gravíssima.
Pilatos começa a interrogar Jesus e no desenrola do processo percebe que tudo não passa de uma conspiração, inveja e medo por parte dos sacerdotes, o problema diz mais respeito aos judeus que aos romanos, não ver assim culpa alguma no acusado, pelo menos que interessasse a Roma. Note que em determinados momentos busca uma maneira de libertá-lo, mas o povo se deixou guiar por lobos e preferiu Barrabás.
Mateus relata que até a mulher de Pilatos faz a ele uma advertência: “Nada faças a esse justo“ (Mt 27,19). O mais interessante quando não tomamos nossas decisões e nos deixamos levar pela maioria é que tendemos a fazer a coisa errada. Barrabás sim, era um criminoso que comandou um motim contra Roma, e quem fica preso? Alguém que só queria pregar a paz e o amor.
Instigados pelos sacerdotes a multidão grita: “Crucifica-o!”. Uma pergunta: “o povo que está pedindo a crucificação, será que é o mesmo que alguns dias atrás entraram em Jerusalém gritando “Hosana!”?
A morte de cruz era a pena mais cruel aplicada a aqueles que cometiam homicídio, roubo ou traição. Pergunto, em qual deles Jesus se enquadra? Nem o próprio Pilatos que lá estava entendeu, lembra da reação dele? “Mas que mal fez ele?” (v.14)
Nos nossos dias tem muita gente como Pilatos, sabe que Jesus está com a razão, mas tem medo de se comprometer, prefere lavar as mãos. Como também tem uma multidão pedindo sua crucificação, querendo tirá-lo dos prédios públicos, das escolas, alguns tão tirando até da família. Sem contar os que agem como os soldados, ridicularizando-o, debochando, duvidando da sua Divindade, negando até a sua existência, e eu volto a fazer a pergunta feita por Pilatos: “Mas que mal fez ele?”
15,21-32 – Aceitar a vontade do Pai.
Com relação aos insultos apresentados pelos sacerdotes e pelo povo, podemos aplicar as mesmas explicações do item anterior, agora dois pontos chamaram minha atenção.
“Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz” (v.21) Vejamos: “Certo homem que vinha do campo”, temos a certeza que não fazia parte dos seguidores de Jesus. “Obrigado a levar a cruz”, significa dizer que não foi de bom grado, também pudera, Jesus era considerado bandido, blasfemo e impuro, ou seja, estava completamente amaldiçoado, quem em sã consciência iria querer ter contato com ele.
Agora observe, Marcos cita o nome dele e dos filhos, hora, nós só citamos como referencia alguém que seja conhecido, isso é um indicador que o ilustre desconhecido após o contato com a cruz redentora, aquele que literalmente participou da dor do Messias, encontra neste momento de angustia a sua conversão, passa a ser um membro tão atuante ao ponto de sua família tornar-se conhecida junto às primeiras comunidades cristãs.
“Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.” (v.23). A morte de cruz era lenta e consequentemente dolorosa, para minimizar o sofrimento dos condenados dava-se a eles uma mistura que provocava o sono.
Normalmente durante uma provação a primeira oração que fazemos é a que Jesus fez no Getsêmani (como quem diz, se Jesus fez eu também posso fazer) “Pai! Tudo é possível para Ti; afasta de mim este cálice!” (Mc 14,36a). Ninguém quer carregar a cruz, mania feia a nossa de só querer participar da festa, pagar a conta do bolo ninguém quer.
Não esqueça que Jesus foi taxativo: “Só entra no céu quem seguindo o exemplo dele, carregar a própria cruz” (mesmo que de vez em quando partilhemos a peso dela com alguém).
Um aviso aos esquecidos que só lembram a primeira parte, a oração de Jesus continua: “Contudo, não se faça o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14,36b). Devemos entender a nossa missão da mesma forma que Jesus entendeu a dele, tomou a sua cruz e cumpriu com seu dever não aceitando as facilidades do mundo.
15,33-47 – Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (v.33) A dureza do coração humano chega a ser estarrecedora, que os romanos desconhecessem as Escrituras e não entendessem o que na realidade Jesus estava fazendo e zombassem julgando ser uma lamuria de desespero, tudo bem é aceitável, mas os judeus não lembrarem que isto na verdade é um cântico (Salmo 22), diga-se de passagem, muito lindo que sintetiza a caminha do povo de Deus e a do próprio Jesus, inclusive detalha toda sua Paixão, terminando com frases de alguém confiante e que sabe que é amado. Daí a achar que ele estava clamando por Elias... Paciência!
“O véu do Santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes.” (v.38) Dentro do Templo existia uma pequena sala conhecida como “Santo dos Santos”, local onde se podia falar com Deus, mas que o acesso era restrito ao sacerdote e a entrada era fechada por um véu de linho. O véu rasgado de alto a baixo significa dizer que o acesso a Deus não é mais exclusivo dos sacerdotes e que não se dá mais no Templo, Deus está ao alcance de todos através da cruz redentora de Jesus. O véu rasgado é um prenuncio da destruição do Templo.
Texto: Ricardo e Marta
Revisão: Padre Rivaldo
Fontes de Pesquisa:
· Atlas Bíblico (Wolfgang Zwicket - Ed. Paulinas)
· Bíblia Tradução Ecumênica (Ed. Loyola)
· Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas)
· Bíblia Sagrada Pastoral (Ed. Paulus)
· Bíblia Ave-Maria (Ed. Ave-Maria)
· Dicionário Bíblico (Ed. Paulus)
· Dicionário de Símbolos (Ed. Paulus)
· Coleção como ler (Ed. Paulus)

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