12,1-12 – Que fará, pois, o senhor da vinha?
Na parábola, a vinha representa Israel, os vinhateiros são os sacerdotes e escribas que tinham a missão de conduzir o povo para Deus, já os servos que foram espancados e mortos são os profetas. Caracterizando que a parábola tem um cunho messiânico no v.6 Marcos sinaliza o filho como sendo Jesus, pois o descreve da mesma forma que fez no Batismo e na Transfiguração.
Jesus a pedra perfeita enviada por Deus para ser a base solida da Igreja, aquela que serviria de guia para dirigir a caminhada foi rejeitada pelos construtores (sacerdotes), pois não se enquadrou no projeto imperfeito e manipulador.
“Que fará, pois, o senhor da vinha?” (v.9), já fez, Jesus venceu a morte, glorificou-se diante dos poderosos, não pela força e sim pelo amor. Devemos lembrar que Deus entregou sua vinha a outros, ou seja, a nós, cuidemos para sermos servos fiéis. Reforcemos a oração e a vigília para não cairmos na tentação de querer usurpar para nós a vinha, assim como fizeram os antigos arrendatários.
12,13-17 – Sempre há uma terceira opção.
Ao contar a parábola da vinha parece que Jesus pisou nos calos de muita gente importante, pessoas que construíram suas casas na areia e agora estão com medo da chuva forte que é a “Boa Nova”, venha destruí-las. Os sacerdotes buscam a qualquer custo um motivo para condenar Jesus.
“Mestre, sabemos que és sincero e que não te deixas influenciar seja por quem for“... “É permitido pagar o tributo a César?” (v.14). Os inimigos de Jesus são ardilosos, característica bem comum desse tipo é a bajulação, aproximam-se como lobos em pele de ovelhas, buscam encurralar Jesus com uma pergunta capciosa, ainda bem que o Mestre conhece a maldade contida nos corações.
Sabemos que o imposto pago a Roma era uma forma de subjugar o povo, se Jesus ficasse do lado dos romanos seria tachado de impostor pelos sacerdotes, se ficasse do lado do povo, seria considerado um traidor de Roma, em ambos os casos sairiam ganhando os inimigos de Jesus.
Mais uma vez vem o ensinamento de Jesus: “Sempre há uma terceira opção”. Agora é à hora de acertar dois coelhos com uma só cajadada, “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (v.17). O imposto devido a César é um fato de ordem política e que é justo ser pago já que eles se submeteram a economia romana. Já o que pertence a Deus, isso sim, é da alçada dos sacerdotes, e deveriam eles administrar com zelo e prudência conduzindo todo o povo de Israel (sem exceção) a salvação.
12,18-27 – Deus dos vivos e não dos mortos.
Antes eram os fariseus, agora são dos saduceus a enfrentar Jesus. Um grupo religioso formado pela elite sacerdotal que não acredita na ressurreição nem tampouco nos anjos, rejeita a doutrina dos fariseus e só aceita na Torá (Lei). Como responder de forma convincente a pessoas que desconhecem as Escritura, mas parece que não ficava só por ai, parece que também desconheciam o poder de Deus.
Jesus recorre a Moises e relembra, o nosso Deus é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, é o Deus dos vivos e não dos mortos. Humanamente falando torna-se quase impossível entender a colocação do Messias já que o poder, a misericórdia e o amor infinito do Pai só serão compreendidos através da fé.
A idéia de que a vida dos ressuscitados seria uma continuação da vida imperfeita a partir do ponto em que parou com a morte, vai de encontro a toda visão de plenitude e abundância anunciada na Boa Nova, por isso Jesus afirma que seremos como os anjos no céu. (v.25)
12,28-34 – Amar a Deus sobre todas as coisas
Interessante que quando nos deixamos envolver pela Palavra, logo somos cativados. Existe uma linha tênue entre descrença e fé, muitas vezes basta um pequeno sopro para devolver a vida a quem está na escuridão. O escriba que acompanhou tudo de perto não trazia no coração a malicia e a ganância de seus companheiros, Jesus percebeu que sua pergunta era de alguém desejoso de fazer a coisa certa, por isso responde que não há necessidade de sacrifícios, que o rigor da Lei termina por afastar e marginalizar.
“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Se amamos a Deus e vemos no próximo a figura de Deus, passaremos a amá-lo da mesma forma. Quando Jesus afirma que este é o maior Mandamento (v.31), não é difícil entender o porquê. Só podemos por em prática os demais Mandamentos tendo este como ponto de partida. A aceitação de Jesus como Messias é o caminho para salvação e quem dá esse primeiro passo não está longe do Reino.
12,35-44 – Entregar-se a providência Divina
Os papeis se invertem, agora é Jesus quem fala e faz uma serie de advertências, e começa indo de encontro a uma tradição bastante divulgada entre o povo de Israel em que o Messias seria da descendência de Davi.
“Como dizem os escribas que Cristo é o filho de Davi? Pois o mesmo Davi diz, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor a meu Senhor” (vv.35-36).
A princípio acreditamos que Jesus esteja negando essa tradição, mas não é bem assim, na realidade o que ele deseja é desmistificar a idéia de que o Messias assumiria o trono de Davi, tornando-se um rei poderoso que devolveria a Israel o status de uma grande nação e que expulsaria de seus domínios todos os estrangeiros.
“Ele lhes dizia em sua doutrina” (v.38). Sabemos que na época tanto a escrita como a leitura não era acessível a todas as pessoas, para falar a verdade poucas tinham esse conhecimento, e como diz o ditado: “em terra de cego quem tem um olho é rei”, os escribas eram considerados como intelectuais, “Rabi”. Cabia a eles a interpretação das Escrituras, e foi justamente ai que eles pecaram, pois impunha ao povo pesados fardos devido à interpretação rigorosa da Lei, o profeta Jeremias diz que os escribas transformaram a Lei de Deus em uma mentira (Jr.8,8). Somando-se a isso vinha à arrogância e o menosprezo para com os demais, principalmente com aqueles que exerciam trabalhos manuais, sem contar a soberba de serem notados e cumprimentados por todos. Na realidade estavam indo no sentido contrario de Jesus, pois gostavam de serem servidos e ocupar os primeiros lugares.
Marcos nos apresenta um fato típico e até certo ponto normal, as ofertas depositadas para manutenção do Templo, duas pessoas; o rico deposita muito, o pobre oferta um pouquinho quase nada, poderíamos dizer que cada um estava agindo de acordo com suas possibilidades, acontece que Jesus, aquele que perscruta os corações, ver mais além.
Aqui Jesus não dirige sua atenção ao rico, se ele está ofertando de maneira pomposa para ser notado ou se está agindo correto e de forma verdadeira. O Alvo é a viúva, mas não o valor que ela está dando, e sim o que ela está dando. Ao contrario dos demais a viúva está ofertando tudo o que lhe resta, está depositando nas mãos do Senhor toda a sua segurança, está se confiando totalmente a providência Divina, deposita ali sua última gota de esperança.

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